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Cigarrinha-das-raízes

Mahanarva fimbriolata

O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar. A restrição a queimadas e aumento da colheita mecanizada da cana crua faz com que algumas pragas se beneficiem do sistema. Dentre elas, pode-se destacar a cigarrinha-das-raízes, Mahanarva fimbriolata (Hemiptera), que passou a encontrar um ambiente favorável ao seu desenvolvimento. Assim, deixou de ser secundária e tornou-se uma das mais importantes pragas que atingem a cana-de-açúcar, que além de afetar a produtividade, reduz o rendimento industrial e a qualidade do açúcar produzido. A praga pode ser encontrada em todas as regiões produtoras no país.

Danos

As ninfas da cigarrinha-das-raízes são os principais causadores dos danos, sendo classificadas no grupo das pragas sugadoras. Elas danificam as raízes e sua presença pode ser identificada pela formação de espuma de cor branca na base das plantas, que serve como proteção contra inimigos naturais (figura 1). A sucção de seiva das raízes e radículas causam desordem fisiológica nas plantas, pois dificultam a translocação de água e nutrientes, ocasionada pela desidratação do floema e do xilema, que consequentemente aumentam os teores de fibra.

Durante o processo de alimentação, a cigarrinha-das-raízes gera ferimentos que podem causar a necrose de tecidos e podendo levar a morte das raízes. O colmo pode ficar mais fino e até oco, devido ao murchamento causado pelo ataque da praga, e até morte das touceiras, o que reduz o rendimento. Além disto, a alimentação das ninfas aumenta a brotação de gemas laterais e causa encurtamento de entrenós.



Figura 1 Espuma de coloração branca causado pelas ninfas de M. fimbriolata na base da cana-de-açúcar. Fonte: GARCIA, J. F.

Os adultos causam danos nas folhas e colmos, sintomatologia conhecida como “queima-da- cana”. No momento da sucção da seiva pelos adultos da cigarrinha-das-raízes acontece a injeção de toxinas presentes na saliva, o que danifica os tecidos das plantas. Os danos podem ser identificados nas folhas em três estágios, primeiro pela produção de manchas cloróticas, que se tornam avermelhadas e posteriormente ficam com a aparência necrótica (figura 2).



Figura 2. Danos causado no colmo (murcha) causado pelo ataque de M. fimbriolata. Fonte: GARCIA, J. F.

Desta forma, a capacidade fotossintética das plantas é reduzida e, consequentemente, a sacarose produzida pelas plantas também é afetada. Além disto, os pontos de crescimento também podem ser prejudicados, o que pode causar o encurtamento dos entrenós. As perdas totais na produtividade, ocasionadas pela ocorrência da praga, podem chegar a 40%, e em alguns casos em até 80%, quando nenhuma medida de controle é adotada.

Identificação

A identificação da ocorrência de ninfas pode ser observada pela formação da espuma esbranquiçada na base das plantas. Local este onde também podem ser encontrados os ovos (tamanho de até 0,25 mm), com formato alongado de coloração amarelada, que com a proximidade da eclosão tornam-se mais escuros. As ninfas possuem coloração branca, e são muito semelhantes aos adultos.

Os machos, quando adultos, apresentam algumas modificações na coloração, que podem variar do amarelo-palha ao vermelho-vivo, com manchas longitudinais pretas que vão se reduzindo, com até 13 mm. As fêmeas têm até 12 mm, apresentam coloração marrom-avermelhada, com manchas longitudinais em toda a extensão (figura 3).



Figura 3 Adultos de M. fimbriolata, as duas imagens da esquerda representam os machos e a imagem da direita representa a fêmea. Fonte: GARCIA, J. F

Condições favoráveis e evolução

A cigarrinha-das-raízes passa pelas fases de ovo, ninfa e adulto, e apresentam metamorfose incompleta, conhecida como hemimetabólicos. Os adultos têm hábitos noturnos, e durante o dia ficam escondidos na parte inferior das folhas, o que dificulta muito o controle. As fêmeas fazem a oviposição sobre o solo ou nas bainhas secas das plantas, próximo ao colmo, onde as ninfas eclodem e sugam a seiva. Cada fêmea pode colocar em média 360 ovos. A incubação dos ovos é variável, e pode ser superior a 80 dias, se as condições do ambiente não forem favoráveis para eclosão (fenômeno conhecido como diapausa).
As ninfas passam por 4 ecdises e os adultos emergem em aproximadamente 20 dias, quando passam a se alimentar da parte aérea das plantas. A primeira geração acontece nos meses de setembro a novembro. A cigarrinha é favorecida pelo aumento da umidade, coincidindo com os meses de novembro e dezembro, correspondendo com a segunda geração, no qual acontece o pico populacional.

Os meses de maio até setembro são o período com menor umidade, fotoperíodo e temperatura. Nesse intervalo de tempo, a ocorrência da cigarrinha-das-raízes pode ser desfavorecida. Desta forma, os fatores climáticos influenciam diretamente no desenvolvimento da praga. Todo o ciclo pode se completar em aproximadamente 40 dias, e durante o desenvolvimento da cana-de-açúcar até a colheita, a praga pode completar em média 3 a 4 gerações.

Desafios ao manejo da cigarrinha-das-raízes

Com a restrição da queima, e o aumento da colheita da cana crua, o controle da cigarrinha-das-raízes passou a ser dificultado. A complexidade de controle está relacionada ao grande aporte de massa que as plantas têm, pois representam abrigos para a cigarrinha-das-raízes, o que dificulta para que os produtos atinjam o alvo.

É extremamente importante destacar que, dificilmente, somente uma medida de controle será eficiente no manejo da cigarrinha-das-raízes. Devem ser utilizadas um conjunto de estratégias para manter a praga abaixo do nível de dano econômico.

O nível de controle das cigarrinhas-das-raízes é de 2 a 4 ninfas por metro linear e 0,5 adultos por planta. Portanto, o monitoramento da ocorrência é indispensável, a fim de evitar infestações e possíveis reformas do canavial em consequência da elevada ocorrência da cigarrinha-da-raízes.

No controle químico podem ser usados diversos produtos, sendo o do grupo químico fenilpirazol um exemplo, que deve ser aplicado a partir do nível de controle e quando a praga está mais exposta. Além disso, produtos deste grupo químico apresentam características importantes para o manejo, como a baixa solubilidade e absorção, possibilitando um residual prolongado.

O controle biológico também pode ser uma alternativa eficiente no manejo das cigarrinhas-das-raízes. O fungo entomopatogênico Metarhizium anisopliae já é amplamente utilizado no controle da praga. Por tratar-se de um fungo saprófita, pode sobreviver no solo e infectar os insetos por um longo período.

Outra vantagem é que estes organismos podem facilmente se disseminar na área de cultivo, além de infectar os insetos em todos os estágios de desenvolvimento. O controle da cigarrinha por M. anisopliae é relatado como um dos primeiros casos de sucesso do controle biológico em grande escala no Brasil. Entretanto, é importante destacar que, quando o inseto for detectado na área de cultivo, já se inicie o controle à base de fungos, pois estes organismos têm efeito a longo prazo quando comparados aos inseticidas. Uma medida de controle cultural que pode ser empregada é o aumento do espaçamento entre linhas, a fim de otimizar a aplicação de produtos nas plantas, visando que os alvos sejam atingidos.

DINARDO-MIRANDA, L. L.; GIL, M. A. Estimativa do nível de dano econômico de Mahanarva fimbriolata (Stäl) (Hemiptera: cercopidae) em cana-de-açúcar. Bragantia, Campinas, v. 66, n. 1, p. 81-88, 2007.

GARCIA, J. F. Manual de Identificação das Pragas da Cana. Campinas, p. 219, 2013.

GUAGLIUMI, P. Las Cigarrinhas dos canaviais en Brasil. (III Contribución): Aspectos generales del problema, com especia referência a Mahanarva em los Estados de Pernambuco y Alagoas. Turrialba, v.19, n.3, p.321-331, 1969.