Doenças do solo: como proteger dos nematoides na soja e no milho?
Conheça os principais desafios na subsuperfície do solo e como o manejo integrado pode contribuir para proteger as raízes.Quando se fala em perdas de produtividade na soja e no milho, é comum pensar primeiro nos problemas que podem ser observados na parte aérea das plantas.
Folhas com sintomas, pragas, doenças e sinais de estresse chamam rapidamente a atenção no campo.
Mas nem sempre o problema mais importante está visível.
Grande parte do potencial produtivo de uma lavoura começa abaixo da superfície do solo.
É no sistema radicular que a planta encontra água e nutrientes para sustentar seu desenvolvimento.
Quando as raízes são comprometidas pela presença de nematoides e doenças radiculares, a capacidade da cultura de explorar o solo e aproveitar os recursos disponíveis também pode ser afetada.
O impacto desse problema ajuda a dimensionar a importância do manejo.
Estimativas da Sociedade Brasileira de Nematologia apontam perdas econômicas superiores a R$ 35 bilhões por ano causadas por nematoides no Brasil, sendo cerca de R$ 16 bilhões associados à cultura da soja.
E o desafio não está apenas nos casos em que a lavoura apresenta sintomas evidentes.
De acordo com dados obtidos pela Bayer, as perdas podem ocorrer mesmo quando os sintomas na parte aérea ainda não são facilmente percebidos, com estimativas de redução de produtividade na ordem de 10% em situações de infecção sem sintomas visíveis.
Quando os sintomas se tornam evidentes, as perdas podem alcançar patamares de 40% a 50%, dependendo das condições e da pressão do problema.
Isso ajuda a explicar por que os nematoides são frequentemente associados a uma ameaça invisível a olho nu: quando o problema aparece claramente na parte aérea, o sistema radicular já pode ter sido comprometido.
Por isso, o manejo de nematoides na soja e no milho precisa ser considerado dentro de uma estratégia de sistema produtivo, envolvendo diagnóstico, monitoramento, manejo de culturas e escolha adequada das ferramentas disponíveis.
Por que os nematoides são um desafio para soja e milho?
Os nematoides são organismos microscópicos presentes naturalmente no solo.
O problema ocorre quando determinadas espécies encontram condições favoráveis para se multiplicarem e atingem populações capazes de causar danos às culturas.
Na soja, entre os principais grupos encontrados estão o nematoide-das-lesões-radiculares (Pratylenchus spp.), o nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.) e o nematoide-de-cisto (Heterodera glycines), além de outros gêneros que podem estar presentes nas áreas de produção.
No milho, espécies como Pratylenchus brachyurus e Meloidogyne spp. também merecem atenção.
O desafio está, entre outros fatores, no fato de que a presença desses organismos nem sempre provoca sintomas evidentes na parte aérea, fazendo com que a pressão existente no sistema radicular passe despercebida.
Esse cenário ganha importância quando soja e milho fazem parte de uma mesma sucessão de culturas.
O que acontece em uma safra pode influenciar a população de nematoides disponível para a cultura seguinte.
O sistema soja-milho pode influenciar a dinâmica dos nematoides
Em sistemas agrícolas com soja na safra e milho na segunda safra, o solo permanece ocupado durante boa parte do ano.
Dependendo da espécie de nematoide e da relação com as culturas utilizadas, essa continuidade pode favorecer a manutenção ou a multiplicação das populações.
O milho pode atuar como hospedeiro para determinadas espécies, contribuindo para a permanência de populações de nematoides na área.
Quando a soja retorna ao talhão, a população já estabelecida pode representar uma nova fonte de pressão para o sistema radicular.
As plantas daninhas presentes durante a entressafra também merecem atenção.
Dependendo da espécie, elas podem funcionar como hospedeiras e contribuir para a manutenção de determinados nematoides no solo.
Por isso, o manejo não deve ser pensado apenas para a cultura que está no campo naquele momento.
É necessário considerar o histórico da área, a sucessão de culturas e a dinâmica das populações ao longo do sistema produtivo.
Nematoides e doenças radiculares podem formar um problema complexo
Os danos provocados pelos nematoides não se limitam à interferência sobre o desenvolvimento das raízes.
As lesões provocadas durante o processo de alimentação podem favorecer a entrada e o desenvolvimento de outros organismos associados às doenças do sistema radicular.
Esse é um dos motivos pelos quais o diagnóstico precisa considerar diferentes fatores.
Em determinadas situações, pode existir um complexo envolvendo nematoides e fungos de solo, tornando a identificação do problema e a definição do manejo ainda mais desafiadoras.
Doenças causadas por Fusarium na soja, como a podridão-vermelha-da-raiz, por exemplo, podem comprometer o sistema radicular e contribuir para a formação de reboleiras.
A ocorrência e a intensidade desses problemas dependem das condições da área, do patógeno envolvido, da cultura e de outros fatores ambientais e de manejo.
No milho, diferentes doenças também precisam ser avaliadas considerando o histórico da área, as condições ambientais e o estádio de desenvolvimento da cultura.
Identificar corretamente a causa do problema é fundamental para definir uma estratégia de manejo adequada.
Por que o diagnóstico de nematoides é tão importante?
Como os nematoides estão abaixo da superfície, identificar o problema apenas pela observação da lavoura pode não ser suficiente.
Reboleiras, plantas menores, amarelecimento ou desenvolvimento irregular podem indicar algum problema no sistema radicular, mas esses sintomas não são exclusivos de nematoides.
Estresse hídrico, compactação, deficiência nutricional e doenças também podem produzir sintomas semelhantes.
Por isso, a análise nematológica de solo e raízes é uma ferramenta importante para conhecer a realidade da área.
A identificação dos gêneros e espécies presentes, associada à determinação da densidade populacional, ajuda a compreender o risco e direcionar as estratégias de manejo.
Quanto mais preciso for o diagnóstico, maior é a capacidade de relacionar a ocorrência dos nematoides ao histórico e às características específicas de cada talhão.
O manejo pode ser mais preciso quando considera a distribuição na área
Outro ponto importante é que os nematoides não necessariamente apresentam distribuição uniforme dentro de um talhão.
Áreas com maior pressão podem aparecer em reboleiras ou regiões específicas, tornando o mapeamento uma ferramenta relevante para o planejamento.
Com dados de diagnóstico e informações espaciais, é possível identificar zonas de maior risco e avaliar estratégias de aplicação localizada quando tecnicamente recomendadas.
Ferramentas de agricultura de precisão podem apoiar esse processo ao integrar informações de campo, mapas e análises.
Dessa forma, o produtor pode direcionar o manejo de acordo com as características encontradas em cada região do talhão.
É nesse contexto que soluções como o Bayer Directo podem contribuir para o diagnóstico e o mapeamento das áreas de maior pressão, apoiando decisões relacionadas ao manejo e à aplicação em taxa variável.
Verango® Prime no manejo de nematoides e doenças do sistema radicular
Depois de identificar a presença e as características do problema, a escolha das ferramentas de manejo deve considerar os organismos presentes, a cultura, o histórico da área e as recomendações técnicas.
Entre as opções disponíveis está o Verango® Prime, da Bayer, um produto à base de fluopyram, pertencente ao grupo químico das carboxamidas.
O ingrediente ativo apresenta atividade nematicida e atua sobre processos relacionados à respiração dos organismos-alvo.
Sua característica sistêmica permite que seja absorvido pela planta, contribuindo para o manejo de nematoides associados ao sistema radicular.
Além da atividade sobre nematoides, o Verango® Prime apresenta ação fungicida sobre determinados patógenos, permitindo sua utilização em estratégias que consideram simultaneamente nematoides e alguns fungos associados ao solo, conforme as recomendações de uso do produto.
Uma estratégia voltada à proteção do sistema radicular
O estabelecimento inicial da cultura é uma etapa importante para a formação do sistema radicular.
Nesse período, a presença de organismos que comprometem o desenvolvimento das raízes pode afetar a capacidade da planta de explorar o ambiente de produção.
O Verango® Prime apresenta atividade residual que, conforme as informações técnicas do produto, pode se estender por 90 dias ou mais, dependendo das condições de uso.
Essa característica permite trabalhar uma janela de proteção que contempla parte importante do estabelecimento e desenvolvimento inicial das raízes.
O objetivo, entretanto, não é substituir as demais práticas de manejo, mas integrar a tecnologia a uma estratégia mais ampla de redução da pressão de nematoides e doenças radiculares.
Nematoides exigem manejo integrado ao longo das safras
Nenhuma ferramenta isolada resolve todos os fatores relacionados à presença de nematoides.
O manejo precisa ser construído considerando o histórico da área e as características do sistema produtivo.
Entre as estratégias que podem fazer parte desse planejamento estão:
- análise nematológica de solo e raízes;
- identificação das espécies presentes na área;
- monitoramento das populações ao longo das safras;
- manejo adequado de plantas daninhas;
- planejamento da sucessão e rotação de culturas;
- utilização de cultivares e materiais adequados à realidade da área;
- uso de nematicidas químicos e biológicos quando recomendados;
- mapeamento das áreas de maior pressão;
- adoção de ferramentas de agricultura digital para apoiar decisões localizadas.
O objetivo é reduzir a pressão dos nematoides ao longo do tempo e evitar que populações elevadas sejam mantidas ou ampliadas de uma safra para outra.
Proteger as raízes é fundamental para preservar o potencial produtivo
Os problemas que acontecem abaixo do solo nem sempre são percebidos imediatamente.
Quando os sintomas aparecem na parte aérea, a pressão sobre o sistema radicular pode já estar estabelecida.
Por isso, o manejo de nematoides na soja e no milho começa antes de identificar uma planta com sintomas.
Conhecer a população presente no solo, entender a dinâmica do sistema produtivo e combinar diferentes estratégias de manejo são passos importantes para preservar o desenvolvimento das raízes.
O Verango® Prime faz parte desse conjunto de ferramentas ao reunir atividade nematicida e fungicida para o manejo de determinados organismos que afetam o sistema radicular de soja e milho, dentro das recomendações de uso do produto.
Mais do que olhar apenas para a cultura atual, é importante considerar o talhão como um sistema contínuo, no qual as decisões tomadas em uma safra podem influenciar as condições encontradas na próxima.
Quer aprofundar o manejo de nematoides?
Para entender melhor como o diagnóstico, o manejo do sistema produtivo e as tecnologias disponíveis podem contribuir para o enfrentamento dos nematoides e das doenças radiculares, assista ao conteúdo completo do Impulso Cast no canal Agro Bayer Brasil, que conta com a participação dos especialistas Tatiane Zambiasi, Fernando Godinho e Erick Cancian, além da apresentação de Kelly Godoy.
O conteúdo apresenta estratégias para conhecer melhor o que acontece na subsuperfície e transformar essas informações em decisões mais precisas para o manejo da lavoura.
Acompanhe os conteúdos do Impulso Bayer e confira mais informações atualizadas sobre manejo, tecnologia e proteção de cultivos.
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