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Nematoide-das-lesões

O nematoide-das-lesões (Pratylenchus brachyurus) é reconhecido com um dos maiores problemas em diversas culturas como soja, milho, algodão, feijão, cana-de-açúcar, tabaco,  além de diversas forrageiras, hortaliças, frutíferas e também podem se multiplicar em plantas daninhas. são endoparasitas migradores que se movem entre solo e as raízes, comuns em regiões tropicais e subtropicais. A temperatura, umidade, disponibilidade de matéria orgânica, microrganismos presentes e textura do solo são fatores que afetam a população do nematoide-das-lesões.

Danos 

Pratylenchus brachyurus é um endoparasita migrador que causa danos severos em raízes das culturas que são afetadas, devido à alimentação, movimentação ativa e liberação de enzimas e toxinas no córtex radicular. Tanto a penetração na planta hospedeira, como a migração no interior das raízes, são facilitadas por uma combinação de ações: mecânica (uso do estilete e movimentação de todo o corpo) e tóxica (degradação enzimática das paredes celulares vegetais).


Figura 2. Sintomas do parasitismo do nematoide-das-lesões (Pratylenchus brachyurus) em raiz de soja.

 

Como esta espécie de nematoide abre portas e destrói tecidos das raízes, causando rompimento superficial e destruição interna, pode predispor a infecções secundárias de fungos e bactérias. Os efeitos de P. Brachyurus sobre o crescimento e, conseqüentemente, sobre a produção vegetal, são resultantes de desordem e mal funcionamento dos processos de crescimento de raízes e exploração do solo para obtenção de água e nutrientes. Estudos de patogenicidade demonstram que são nematoides muito bem adaptados ao parasitismo, ou seja, até mesmo populações altas no solo geralmente não chegam a matar a planta hospedeira. Por sua vez, os limiares de dano são muito variáveis, dependendo da planta hospedeira, variando entre 0,05 nematoides/cm3 e 30 nematoides/cm3 de solo (Castillo; Vovlas, 2007).

 

 

Sintomas

Os sintomas são inespecíficos e podem ser facilmente despercebidos ou confundidos com sintomas causados por outros patógenos, deficiências nutricionais ou estresse hídrico. Plantas de soja atacadas apresentam a sua parte aérea clorótica, sintomas de murcha durante os dias quentes, com recuperação à noite, vagens pequenas e mal granadas. Esses sintomas dão aparência de irregularidade, podendo aparecer em reboleiras ou em grandes extensões. Também pode ocorrer nanismo na planta, menor número de brotações e subdesenvolvimento. Na cultura da batata, os tubérculos têm tamanho reduzido, estrias necróticas e pústulas na casca que levam a lesões no córtex. Os tubérculos afetados, quando armazenados, murcham e desenvolvem podridão. Em cana-de-açúcar, as lesões na raiz assumem coloração vermelha dentro do córtex. Desempenha papel importante no declínio produtivo da cana-de-açúcar, que é caracterizado pela diminuição da capacidade de produção de açúcar por hectare colhido. Também reduz a densidade, comprimento e peso de raízes; menor número de brotações e perfilhos.

 

 

Ciclo de vida e condições favoráveis

O ciclo de vida é simples e rápido, normalmente ocorrem várias gerações em uma única safra da cultura hospedeira. Altas populações podem ser detectadas nas raízes infectadas, logo no início do ciclo da cultura. A fêmea deposita os ovos no interior das raízes ou no solo próximo à superfície das raízes (postura isolada, sem formação de massa de ovos). Em média, cada fêmea produz 80 a 150 ovos durante toda a vida. O período embrionário varia de 6 a 8 dias a uma temperatura de 28ºC a 30ºC. A primeira ecdise ocorre no interior do ovo e as outras três ocorrem fora dele. Todas as fases de vida do brachyurus são infectivas, ou seja, são capazes de parasitar o tecido das plantas necessárias. O tempo para completar o ciclo de vida é de 3 a 4 semanas (em média), porém, dependendo principalmente da temperatura, da umidade, da espécie da planta hospedeira, pode variar. Os nematóides-das-lesões-radiculares permanecem migradores durante todo o ciclo de vida e movimentam-se ativamente no solo, até atingir o sistema radicular da planta hospedeira, quando então, penetram e passam a migrar no córtex radicular, podendo inclusive retornar ao solo.

Figura 3. Ciclo do nematoide-das-lesões (Pratylenchus brachyurus). Fonte: Agrios (2005)

 

Esta espécie de nematoide é altamente adaptada a condições adversas, podendo sobreviver por vários meses sem uma planta hospedeira. Estudos demonstram capacidade de sobreviver por longos períodos no solo seco, bem como a exposição a temperaturas extremas, sobrevivência por até 22 meses no solo em pousio com fragmentos de raízes, e até 7 meses na ausência destas raízes. Também podem sobreviver em partes vegetais, como casca de amendoim a 24 ºC por até 28 meses.



 

Desafios do manejo

Em áreas ainda indenes, livres do patógeno, deve se ter o cuidado com a limpeza de maquinários para evitar possíveis restos culturais ou partículas de solo contendo o nematoide. Semeadoras, por exemplo, podem carregar partículas de solo com P. Brachyurus e fazer a disseminação de uma área infectada para outras áreas.

Para áreas que já possuem histórico de ocorrência, o manejo deve levar em conta a integração de estratégias de manejo. Dentre essas estratégias, a utilização de nematicidas químicos e biológicos têm apresentado resultados satisfatórios na redução da população de P. brachyurus. A rotação de cultura com plantas não hospedeiras do P. brachyurus. são recomendadas para áreas com a presença deste patógeno. Plantas de Crotalaria spectabilis, C. breviflora. e C. Ochroleuca são as melhores espécies para a redução da população de P. Brachyurus. Alguns genótipos de milheto (Pennisetum americanum) e girassol (Helianthus annuus), além do guandu (Cajanus cajan), aveia-preta (Avena strigosa) e trigo (Triticum aestivum), também são considerados hospedeiros desfavoráveis. Porém, a maior parte dos híbridos de milho (Zea mays) e sorgo (Sorghum bicolor), além de gramíneas forrageiras perenes, como Urochloa ruziziensisU. Brizantha e Panicum spp., são hospedeiros favoráveis ao nematoide.

A utilização de cultivares resistentes a este nematoide seria ideal, mas atualmente não existem materiais disponíveis com resistência a P. Brachyurus. O produtor deve optar por cultivares que apresentam o fator de reprodução mais baixo possível em áreas com a presença desta praga. Deve-se evitar o excesso de adubação nitrogenada e excesso ou acúmulo de água, pois podem intensificar os danos e favorecer outros patógenos que atuam em conjunto no campo. A compactação de solo é outro provável fator que pode acentuar os problemas relacionados com nematoides-das-lesões. O manejo do solo, portanto, é uma estratégia que deve ser investigada para a redução de populações e danos do P. Brachyurus.

A prática do alqueive é outro exemplo com potencial para o controle de P. Brachyurus, que consiste em manter a área por certo período sem qualquer vegetação, sobretudo com revolvimento do solo por meio de aração e/ou gradagem. Assim, os nematoides morrem por inanição, dessecação e pela ação direta da luz solar.

O manejo bem sucedido do nematoides-das-lesões depende da integração de diversas estratégias e táticas, envolvendo rotação/sucessão de culturas, uso de cultivares e genótipos resistentes (quando disponíveis), manejo físico e químico do solo. O manejo deve ser realizado pensando no sistema de cultivo, com ações na safra, safrinha e entressafra, evitando um acréscimo populacional demasiado.

 

 

Referências

AGRIOS, G.N. Plant pathology. 5a Ed., Academic Press. 2005. CASTILLO, P.; VOVLAS N. Pratylenchus (Nematoda, Pratylenchidae): diagnosis, biology, pathogenicity and management. Nematology Monographs and Perspectives, St. Paul, v. 6, 529 p. 2007.

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