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Energia solar avança no campo e beneficia principalmente os sistemas de irrigação

A instalação de sistemas fotovoltaicos em fazendas atrai produtores que desejam reduzir as despesas com energia elétrica e melhorar o manejo das lavouras irrigadas

Data

17 setembro 2019

O Brasil é um país ensolarado, com clima tropical que beneficia diversos cultivos em todas as regiões produtoras. Mas, além de colher alimentos, os produtores rurais podem parar para pensar que é possível “colher” raios solares. Esse recurso natural gratuito, que está disponível de forma abundante durante todos os meses do ano no Brasil, pode ser direcionado com sucesso para a produção de energia elétrica. Os sistemas de energia solar podem beneficiar os agricultores e pecuaristas, com diversas possibilidades de aplicação no campo.

Essa tecnologia não se limita à iluminação, podendo ser empregada para atender sistemas de manejo das lavouras ou rebanhos, telecomunicações, bombeamento de água, refrigeração, aquecimento ou oxigenação de tanques na piscicultura e, sobretudo, pode ser um aliado estratégico para sistemas de irrigação. “A geração de energia solar é uma grande alternativa para o campo, principalmente para reduzir custos com energia elétrica e promover o uso de recursos naturais renováveis. Ainda há o que evoluir nesse segmento, porém os avanços dos últimos anos foram bastante significativos”, afirma Luis Pedro Fros, engenheiro agrônomo e gerente de operações do Sistema Irriga, uma tecnologia de monitoramento da Irrigação disponível para resgate por pontos na Rede AgroServices aqui.

 

Custos da irrigação

Os pivôs centrais que chamam a atenção por embelezar o campo e nutrem as plantas com água na medida e na hora certa não seriam uma realidade sem o fornecimento de energia elétrica. O mesmo ocorre nas hortas e pomares irrigados por aspersão convencional e em outros sistemas. “Tendo em vista que a maior parte dos sistemas de irrigação são acionados através de energia elétrica, existe ainda uma grande dependência desse recurso”, diz Fros.

Essa total dependência faz com que as oscilações nos preços da energia determinem a viabilidade da irrigação. O produtor se preocupa com o preço da energia, que pode fazer as contas da fazenda fecharem no vermelho, e tenta otimizar esse recurso ao máximo, evitando irrigar em horários que registram tarifas mais altas. “Não é de hoje que as contas com energia elétrica são as que mais pesam no bolso do irrigante. É o principal custo na hora de acionar um sistema de irrigação. Atualmente, o valor para aplicar 1mm com energia elétrica é de aproximadamente R$ 2,00. A nível de curiosidade, com motores a diesel esse valor quase duplica”, revela Fros.

Fros ainda conta que, somado a isso, ano a ano o preço da energia costuma aumentar e o produtor precisa melhorar o manejo para elevar a produtividade e assim ser financeiramente viável continuar produzindo. Para tanto, muitos irrigantes têm obtido sucesso ao investir em tecnologias como o Sistema Irriga, uma solução adequada para otimizar o uso de energia e água, aumentando a eficiência da irrigação. O sistema pode ser resgatado por pontos na Rede AgroServices, confira a oferta aqui. Leia também: investimento em alta tecnologia aumenta a eficiência da irrigação.

Além disso, segundo Fros, há empecilhos para novos irrigantes ou quando o agricultor deseja ampliar a área irrigada. “Houve uma melhora no fornecimento de energia na área agrícola, porém, ainda assim os produtores têm enfrentado dificuldades em executar contratos para aumento de demanda de energia junto às fornecedoras. Isso faz com que o avanço no uso de tecnologias muitas vezes seja descartado por um agricultor que já poderia ser irrigante”, conta o gerente de operações do Sistema Irriga.

 

Como investir na geração solar?

Diante desse cenário, a alternativa solar se mostra cada vez mais atraente, permitindo reduzir em cerca de 90% as despesas de energia elétrica, com fornecimento adequado para a irrigação sem limitação de horários e sem medo de receber a conta de luz no fim do mês. No entanto, segundo Fros, antes de investir nessa modalidade de geração, é preciso considerar algumas peculiaridades. “Para que um sistema de irrigação passe a ser acionado por energia solar é importante o irrigante planejar o investimento inicial dessa implementação”, orienta o gerente de operações do Sistema Irriga.

A demanda por energia elétrica difere muito de acordo com a tecnologia de irrigação empregada, o que deve nortear o dimensionamento do sistema solar ideal para a fazenda. Segundo Fros, o consumo da energia vai depender principalmente de dois fatores: área irrigada e sistema de irrigação. “Basicamente, a irrigação por aspersão (pivô) demanda um maior consumo de energia devido à alta pressão que esses equipamentos precisam para realizar uma irrigação, se comparado, por exemplo, ao sistema de irrigação por gotejamento”, explica ele.

Por essa razão, Fros orienta que é necessário contar com o auxílio de especialistas na área para projetar possíveis demandas para a geração de energia solar. “O primeiro passo seria uma avaliação completa do sistema de irrigação, seguido de uma estimativa de investimento para transformar a forma de acionamento do pivô”, explica Fros. “A realização de um projeto com uma estimativa correta da utilização da energia evita problemas futuros.”

A boa notícia é que o produtor pode beneficiar qualquer sistema de irrigação com a energia solar e sem requisitar grandes mudanças na propriedade rural. De acordo com Fros, atualmente o mais usual é instalar os painéis solares interligados com a rede elétrica já existente na fazenda, beneficiando todos os equipamentos que utilizem a rede. Esse investimento não exige adequações nos equipamentos de irrigação. Outra possibilidade seria focar mais na energia solar. “Fabricantes de pivôs centrais têm desenvolvido equipamentos que utilizam energia diretamente dos painéis solares. Nesse caso, são equipamentos específicos, e que necessitam de uma fonte de energia complementar, como geradores a diesel por exemplo”, explica Fros.

A diferença entre essas modalidades de projeto impacta no retorno do investimento. Os sistemas ligados à rede elétrica convencional geram benefícios financeiros, basicamente reduzindo o custo da energia. A outra modalidade, chamada de “off-grid”, permite que os painéis solares operem de forma independente da rede elétrica. “Os benefícios vão além, uma vez que o irrigante poderá utilizar o sistema de irrigação 24h/dia sem se preocupar com as tarifas que deveria pagar se ligasse seu equipamento em horários restritivos”, afirma Fros.

Com o sistema off-grid, as possibilidades de uso são ampliadas, trazendo mais melhorias para o próprio manejo da irrigação. “Isso pode diminuir o preço do sistema de irrigação, pois atualmente os pivôs são dimensionados para operar 21h/dia, por exemplo, e consequentemente necessitam aplicar uma ótima lâmina de irrigação nesse tempo. Ao aumentar 3h/dia estamos falando em quase 15% a mais de tempo, e isso certamente faz com que os projetos possam ter um custo inferior na implantação de um pivô”, explica Fros.

 

Energia sustentável

Vale frisar também os benefícios ambientais da tecnologia, já que os sistemas solares geram energia limpa e sustentável, isenta de emissões dos gases de efeito estufa, além de não provocar ruídos ou gerar resíduos. É uma forma inteligente de gerar energia com mínimo impacto ambiental. Esses sistemas também dão mais segurança para as atividades agropecuárias, por garantir o abastecimento de energia em momentos críticos de quedas de energia, oscilações de tensão, momentos de pico do consumo nas redes elétricas ou de crises como os 'apagões'. “Além de ser uma “energia limpa”, no longo prazo proporciona ao irrigante uma economia importante, e consequentemente diminuição dos custos de produção de sua lavoura”, opina Fros.

Em Goiás, estado que tem uma área irrigada por pivôs centrais superior a 270 mil hectares e ocupa o segundo lugar em irrigação no Brasil, o investimento em energia solar está se destacando. Inclusive já existem projetos públicos e privados para fomentar a tecnologia, como o programa Goiás Solar, iniciativa estadual com incentivos fiscais, e o Programa Agroenergia do Banco do Brasil, que oferece crédito para os produtores investirem em equipamentos com foco na geração de energia solar.

 

O que a energia solar representa?

A matriz energética brasileira está muito centrada nas hidrelétricas, representando 61% do mercado. De acordo com levantamento da Empresa de Pesquisa Energética, a oferta interna de energia solar cresceu 316,1% entre 2017 e 2018, mas essa modalidade só responde por 1,2% da matriz energética. Por outro lado, o potencial do setor é inimaginável. A China, por exemplo, que lidera o ranking do mercado fotovoltaico, tem uma capacidade instalada de 176,1 GW. Enquanto isso, o Brasil totalizou 2,4 GW de capacidade instalada para produzir energia solar, de acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

Nesse cenário, um dado curioso é que 1,2 GW da potência solar brasileira deriva de sistemas fotovoltaicos instalados em 2018. Ou seja, o ano passado representou um avanço expressivo para o segmento e o crescimento exponencial continua. De acordo com estimativas da Absolar, o ano de 2018 foi encerrado com 50 mil sistemas fotovoltaicos instalados no Brasil, mas esse número já dobrou, atingindo cerca de 100 mil conexões até julho de 2019. As possibilidades de investimento são inúmeras. A energia solar já vêm sendo aplicada até mesmo para geração híbrida de energia, com a instalação de sistema fotovoltaico associado à operação hidrelétrica, como por exemplo no caso da usina solar flutuante no lago da hidrelétrica de Balbina (AM), inaugurada em 2017.

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