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Greening ataca pomares de citros brasileiros há 15 anos

Ainda sem cura, a doença exige o engajamento dos produtores e manejo integrado para minimizar perdas ao setor

Data

12 junho 2019

A cada safra, a citricultura sofre perdas com a ameaça constante do Huanglongbing (HLB), doença mais conhecida como greening ou amarelão dos citros. Causada por bactérias, a pior doença que ataca cultivos de laranja, limão, tangerina e outras culturas de citros já completou 15 anos de incidência no Brasil e ainda chama a atenção por sua severidade e inexistência de cura. “O greening surgiu em março de 2004 em Araraquara, no estado de São Paulo, e a partir daí já foi detectado que era uma doença grave e vem nos desafiando até o momento”, afirma Marcelo Scapin, engenheiro agrônomo do Fundecitrus.

Os principais prejuízos são a ocorrência de folhas amareladas, produção de frutos de menor calibre ou assimétricos, frutos suscetíveis à queda e mais ácidos. Além da drástica redução de produtividade e de qualidade dos frutos, a doença vai avançando até culminar na morte da planta. “Não existe nenhuma espécie de citros que seja resistente à bactéria. A bactéria praticamente coloniza a planta toda através dos vasos condutores e a única forma de controle é a erradicação das plantas doentes”, diz o especialista. De acordo com dados do Fundecitrus, 18,15% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo, Triângulo Mineiro e Sudoeste Mineiro estavam infectadas pela bactéria em 2018. Esse percentual corresponde a 35,3 milhões de plantas doentes.

 

Manejo da doença

De acordo com o especialista, a cura definitiva ainda não existe, porém, com a conscientização dos produtores e o empenho de empresas do setor, entidades de pesquisa e desenvolvimento, espera-se reduzir a incidência da doença. No Brasil, o manejo se baseia especialmente no combate ao inseto psilídeo, transmissor da temida bactéria e que ao se alimentar da seiva das plantas é responsável pela transmissão da doença. “Como nas propriedades no Brasil fazemos um controle muito rigoroso do psilídeo, quando encontramos plantas com sintomas, elas são substituídas, então a incidência da doença começa a ser diminuída”, diz Scapin.

O setor conta com o engajamento dos citricultores e tecnologia para combater o inseto. Em todo o Estado de São Paulo, o Fundecitrus mantém 30 mil armadilhas para monitoramento em parceria com os produtores, que são substituídas quinzenalmente. Os dados de incidência do psilídeo são inseridos no sistema de alerta fitossanitário mantido pelo Fundecitrus, uma ferramenta de enorme importância para o manejo coletivo da praga. “A partir desses dados conseguimos acompanhar a população do psilídeo e quando identificamos um crescimento significativo divulgamos alertas de pulverização. Os citricultores sabem que o greening afeta a todos e que se eles não se unirem e trabalharem em conjunto não vão alcançar o sucesso”, diz o especialista. Scapin também ressalta que o psilídeo é um inseto ágil e se reproduz com facilidade, além disso em períodos chuvosos pode ocorrer uma redução do efeito residual dos inseticidas aplicados, portanto os produtores não podem descuidar do manejo.

O pacote de medidas preconiza um manejo integrado que vai além do controle químico e a expectativa é de forte evolução na guerra ao psilídeo. “Estamos buscando alternativas para conseguir novas formas de controle. Temos o controle biológico com uma vespinha que é um parasitoide do psilídeo, recentemente também lançamos um inseticida biológico a base de fungo e temos outras pesquisas em andamento com feromônio para conseguir controlar ou pelo menos identificar esses insetos com maior precisão”, conta Scapin.

A vespinha citada por Scapin é a Tamarixia radiata, um inimigo natural que controla o psilídeo com alta eficiência. Uma só fêmea de T. radiata pode controlar até 400 psilídeos. Pesquisas em campo desenvolvidas na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ/USP comprovaram que há a eliminação de 70% da população da praga. A vespinha é criada em uma biofábrica do Laboratório de Controle Biológico do Fundecitrus, inaugurado em 2015, em Araraquara/SP, com o apoio da Bayer por meio da parceria “Citrus Unidos”.

A Bayer é uma empresa amiga da citricultura e investe no desenvolvimento de novos produtos e tecnologias sustentáveis. O laboratório do Fundecitrus apoiado pela Bayer tem capacidade para criar 100 mil T. radiata por mês. Desde sua criação até maio de 2019, a biofábrica produziu 2,9 milhões de vespinhas. As vespinhas são liberadas gratuitamente em áreas com citros e murta que não recebem controle químico, como pomares abandonados, espaços urbanos, chácaras e sítios.

 

Desafios

O diagnóstico do greening é pautado na observação visual das plantas e frutos. No entanto, muitas vezes essa tarefa é dificultada. “A bactéria pode ficar até um ano incubada na planta. Isso é um problema muito sério porque uma vez que não temos sintomas visíveis, aquela planta pode servir de fonte de inócuo para outras”, afirma o engenheiro agrônomo. A recomendação do Fundecitrus é que os produtores fiquem sempre atentos ao monitoramento do psilídeo e de pomares infectados. “A forma mais eficiente de fazer isso é no campo, com inspetores de pragas treinados para encontrar essas plantas doentes. Para suporte aos produtores, no Fundecitrus temos um laboratório de diagnóstico e os produtores podem enviar gratuitamente amostras das plantas para análise”, afirma Scapin.

 

O perigo fora da porteira

O Fundecitrus recomenda boas práticas aos produtores como, por exemplo, a escolha de um local de cultivo livre de insetos, plantio de mudas sadias e de qualidade, aceleração do crescimento da planta, manejo intensificado da faixa de borda, monitoramento com armadilhas e controle do psilídeo. No entanto, segundo Scapin, mesmo que o produtor adote todas essas medidas preventivas, ele não consegue erradicar completamente o greening. “Com estudos, vimos que a grande causa disso não é o que está dentro da propriedade dele, é o que vem de fora, os sítios, chácaras e até propriedades onde possam existir plantas que são fontes criadoras de insetos. Não só as plantas de citros, mas também as plantas de murta, que são muito comuns em área urbanas e rurais”, explica o especialista. “O maior desafio é o controle do inseto transmissor porque ele se desloca por até 10 quilômetros e pode vir de outras regiões.”

Para minimizar esse problema, o Fundecitrus reúne esforços junto aos produtores para mapear áreas vizinhas às fazendas em um raio de até 5 quilômetros de distância. Citricultores e especialistas visitam as localidades, identificam plantas doentes e negociam a substituição por outras plantas frutíferas que não são hospedeiras do psilídeo. “Contamos com a colaboração da população, os vizinhos aceitam essa substituição em benefício da citricultura e temos um alto sucesso com essa iniciativa”, conta Scapin.

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