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Integração Lavoura-Pecuária eleva o lucro do sojicultor e flexibiliza a rotina agrícola

O sistema gera vários benefícios para o manejo, principalmente com melhorias no perfil de solo e maior controle de plantas daninhas

Data

18 setembro 2019

Os produtores estão sempre buscando soluções para incrementar o manejo da lavoura, reduzir custos e favorecer a comercialização. Uma excelente opção para atingir esses objetivos é diversificar a produção, investindo na Integração Lavoura-Pecuária. O sistema gera aumento de lucro para o produtor e uma composição de ativos mais interessante. De acordo com Maurício Palma Nogueira, diretor da Athenagro e coordenador do Rally da Pecuária, a criação de gado integrada ao cultivo da soja permite angariar novos recursos e flexibilizar a gestão financeira da fazenda. “Por ter elevada liquidez no mercado, em qualquer momento o rebanho pode ser vendido em convertido em recursos, aliviando algum problema que, porventura, venha a ocorrer na propriedade”, afirma Nogueira.

A integração é atraente para qualquer sojicultor, não havendo limitações técnicas para a implantação do sistema. Segundo Nogueira, estima-se que as áreas de Integração Lavoura-Pecuária representam cerca de 12 a 14 milhões de hectares. O potencial de implantação do sistema, no entanto, é enorme. “Acreditamos que o interesse de agricultores pela integração deva aumentar rapidamente nos próximos anos”, diz Nogueira. “Com relação ao potencial de integração, há de se considerar a área agrícola e o interesse do agricultor em iniciar atividades de integração com pecuária. Nesse caso, praticamente a totalidade das áreas de agricultura poderiam receber modelos de integração. Não há impedimento técnico.”

 

Benefícios

O que significa a Integração Lavoura-Pecuária? Na prática, significa diversificar cultivos com a adoção da pecuária, por meio de rotação, consorciação ou sucessão das culturas e criações de animais em uma mesma área da propriedade rural. Isso permite que o produtor explore o máximo potencial produtivo da fazenda durante todo o ano, otimizando recursos. E o melhor de tudo: o modelo pode ser adaptado para atender as necessidades dos agricultores de quaisquer regiões. “Em todo o Brasil é possível fazer integração com pecuária para quem está na agricultura. O inverso que é mais complicado”, diz Nogueira.

A sinergia entre agricultura e pecuária promove especialmente o melhor uso do solo. O gado precisa de pastagem para se alimentar e, ao investir em forrageiras, o agricultor aperfeiçoa o manejo da terra, com melhorias nas características físicas, químicas e biológicas do solo. “Estudos recentes mostram que o consumo dos pastos pelo gado acaba estimulando o desenvolvimento de raízes e aumentando a quantidade de matéria seca de gramíneas (raízes e parte aérea) que serão incorporadas ao solo”, explica Nogueira. “Essa dinâmica melhora mais rapidamente a estrutura do solo e fortalece o desenvolvimento da cultura que será instalada na próxima safra. Por mais que pareça contraditório, é uma das características do ciclo de desenvolvimento das gramíneas tropicais em pastejo.”

A braquiária, por exemplo, desenvolve um sistema radicular agressivo capaz de atingir profundidade de quase cinco metros. Por isso, a planta ajuda a descompactar o solo, promove aumento de infiltração de água e reciclagem de nutrientes. Leia mais: descubra como a rotação de culturas transforma o solo da sua fazenda. Além disso, a cobertura produz grande quantidade de palhada. Isso aumenta a quantidade de matéria orgânica no solo e gera outros benefícios, pois reduz a incidência de luz solar no solo, o que até mesmo inibe a infestação de plantas daninhas. Leia também: combater plantas daninhas na entressafra é a melhor estratégia para melhorar o manejo.

 

Como investir?

Para apostar no sistema, é preciso ter em mente que o agricultor terá de gastar com a compra dos animais e custear uma nova estrutura para a pecuária. “Os requisitos principais são capacidade gerencial e financeira para iniciar o programa. Como a terra já está lá, o maior investimento que será feito é no próprio rebanho. Em média, a compra dos animais para iniciar a integração demandará entre 70% e 80% de todo capital a ser investido”, diz Nogueira.

O investimento varia de acordo com a raça escolhida, como, por exemplo nelore ou angus, a genética animal, nutrição e outros detalhes da criação. “Ele precisará investir em cercas, cochos, bebedouros e instalações de manejo. Perto do montante em rebanho, o investimento em infraestrutura é relativamente baixo, especialmente para quem já opera na agricultura”, diz Nogueira.

Como o agricultor estará ingressando em uma área desconhecida para ele, é importante buscar conhecimento, consultoria especializada e seguir um plano técnico muito bem elaborado. “Para não errar, é fundamental ter um bom planejamento a partir do sistema de produção que está sendo implementado. É fundamental seguir as recomendações técnicas rigorosamente”, orienta o diretor da Athenagro. O planejamento de implementação do sistema ILP é essencial para evitar prejuízos causados por erros gerenciais, que podem ocorrer na concepção do projeto, no planejamento financeiro ou na execução. “É preciso um bom plano, pois para quem não está acostumado, operar na pecuária pode ser um tiro no pé. A compra dos animais é um dos maiores desafios”, alerta Nogueira.

Além de agricultores que diversificam o negócio agrícola com a criação de gado, o caminho inverso também pode ocorrer. Pecuaristas podem investir na agricultura, sendo essa uma opção interessante especialmente para quem deseja reformar pastagens. No entanto, essa tarefa pode ser mais desafiadora, pois o investimento em máquinas agrícolas e insumos para a lavoura também exigirá muito conhecimento técnico e nem todas as regiões do Brasil são favoráveis ao cultivo de grãos. “Dos 150 milhões de hectares de pastagens, acredita-se que apenas algo entre 15 e 20 milhões possam receber lavouras de alto desempenho. Além da avaliação técnica, da aptidão do uso do solo, é preciso considerar ainda o perfil do pecuarista. Nem todos tem interesse ou condições de iniciar uma atividade agrícola dentro de suas áreas”, explica Nogueira.

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