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Mosca-branca desafia o manejo das lavouras de soja

Produtores devem investir em monitoramento para evitar grandes infestações e observar como o clima impacta nas populações do inseto

Data

16 outubro 2019

Mosca branca. Foto: Embrapa/Sebastião José de Araújo.
Foto: Embrapa/Sebastião José de Araújo.

É cada vez mais comum o sojicultor se deparar com a ocorrência de pontos brancos na face inferior da folha. O olhar mais próximo denuncia a presença das ninfas da mosca-branca (Bemisia tabaci), praga que nas últimas quatro safras registrou forte expansão de infestações nas lavouras de soja.

A mosca-branca é uma praga que possui grande versatilidade. O inseto de hábito sugador pode causar perdas em mais de 600 espécies de plantas, desde as grandes culturas às hortaliças. Em grandes culturas, as mais impactadas pelos danos são a soja, o algodão e o feijão. Além da alta adaptabilidade e com várias culturas hospedeiras, a expansão da praga também é uma consequência da chamada “ponte verde”, já que cultivos de sucessivas safras, permitem que as populações de mosca-branca se reproduzam continuamente, favorecendo as infestações.

 

Prejuízos

Os principais prejuízos causados são decorrentes de viroses transmitidas pelo inseto, como no caso do mosaico-dourado em lavouras de feijão. Há também prejuízos causados pelo fungo Capnodium sp. em folhas de soja, também conhecido como Fumagina, resultando em queda precoce e redução no rendimento. Na cultura do algodão, a perda de qualidade de fibra é causadas pelos exsudatos liberadas pela mosca-branca, prejudicando o processamento industrial.

Gradativamente, a mosca-branca vem ganhando cada vez mais ­a atenção dos produtores e já sendo considerada como praga prioritária em lavouras de soja localizadas em algumas regiões do Mato Grosso e da Bahia. “Historicamente, esta praga vem crescendo em soja, mas em ritmo pouco acelerado, apresentando picos que podem estar relacionados às condições climáticas. Em algodão e feijão apresenta estabilidade”, afirma Juliano Ribeiro, responsável pela Inteligência de Mercado na Bayer.

De acordo com o especialista, o manejo da praga é desafiador pois a mosca-branca tem grande capacidade de adaptação, de acordo com as condições do ambiente. “A questão central é o clima. Há certas situações, como na safra 2016/17, em que a praga teve um pico de infestação. O desafio é compreender tais condições de clima favorável e alertar os agricultores”, afirma Ribeiro.

 

Controle químico

Embora a mosca-branca seja uma ameaça no campo, as ferramentas de controle ainda não recebem um aporte compatível. “Em soja, o maior mercado da praga, ela representa 4% dos custos com defensivos do agricultor. Por outro lado, se o produtor não controlar esta praga poderá ter perdas de produtividade relevantes, que podem comprometer sua rentabilidade”, afirma o especialista. Segundo Ribeiro, o investimento em controle químico por aplicação fica em torno de 14 dólares por hectare para a soja, 12 dólares no algodão e 15 dólares para combater a mosca-branca no feijão. “O custo não é alto se comparado com outros alvos e segmentos. O custo em dólares está estável ao longo das últimas safras”, diz Ribeiro.

A mosca-branca é a terceira praga mais preocupante para os sojicultores, ficando atrás somente dos percevejos e da lagarta falsa-medideira. O inseto está presente em cerca de 40% da área total cultivada com soja no Brasil. Na safra 2017/18, os sojicultores brasileiros investiram 165 milhões de dólares para combater a mosca-branca, enquanto que os produtores de algodão investiram 33 milhões de dólares e os produtores de feijão gastaram 15 milhões de dólares no manejo.

 

Manejo desafiador

A mosca-branca possui um ciclo de vida que apresenta grande variabilidade conforme o clima. Altas temperaturas aceleram o ciclo podendo variar muito sua sobrevivência, de 21 dias a 70 dias, passando por vários estágios de desenvolvimento, desde a fase de ovo, passando por vários estágios de ninfa, pupa e adulta. Além disso, por possuírem hábito de permanecerem no dossel médio e inferior das plantas, o manejo é mais difícil, necessitando de uma boa tecnologia de aplicação para atingir o alvo.

Para um controle eficiente, é fundamental que os produtores invistam no Manejo Integrado de Pragas (MIP), através de um monitoramento adequado que possa identificar qual o estágio de desenvolvimento em que a mosca-branca se encontra, o nível de infestação, o estágio da cultura para o melhor momento de entrada com o inseticida para que o controle químico tenha máxima performance.

O agricultor deve adotar boas práticas, respeitando o vazio sanitário da soja, investindo em tecnologia para garantir a qualidade de aplicação dos defensivos químicos bem como preconizar a rotação com diferentes mecanismos de ação, com o objetivo de evitar a seleção de insetos resistentes. A rotação de culturas também pode ser uma alternativa adequada para o manejo da mosca-branca, com a adoção de culturas não hospedeiras capazes que quebrar o ciclo das populações do inseto.

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