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Descubra como a rotação de culturas transforma o solo da sua fazenda

Prática de manejo agronômico é capaz de descompactar o solo, aumentar a infiltração de água, reciclar nutrientes e favorecer o desenvolvimento da lavoura

Data

18 abril 2019

A rotação de culturas traz inúmeros benefícios para as lavouras, favorecendo especialmente o cultivo de soja. A introdução de plantas de cobertura na segunda safra promete surpreender o produtor, auxiliando na construção de um bom perfil de solo. Além de provocar mudanças nas características físicas, químicas e biológicas do solo, a rotação também é uma boa prática agronômica.

O aumento da cobertura no solo é capaz de combater a erosão, prevenir a lixiviação de nutrientes e ainda desempenhar um importante papel na preservação dos recursos hídricos. “Com a rotação, é possível obter palhada na superfície do solo, fazendo com que você elimine o processo de erosão, então perde-se menos solo e não ocorrerá contaminação de rios, nascentes e lagos”, afirma o pesquisador Luiz Jordão. A rotação de culturas figura entre as recomendações agronômicas do Programa UAI, que promove boas práticas com foco em aumento de produtividade da soja. O programa, desenvolvido em parceria entre Bayer e os pesquisadores e sócios da DataFarm Luiz Jordão, João Dantas, Henry Sako e Carlos Melo com exclusividade para a Rede AgroServices, pode ser resgatado por pontos, confira as ofertas aqui.

 

Construção do perfil de solo

Rotacionar é uma meta possível em qualquer fazenda e região do Brasil, basta avaliar as condições locais e os níveis de degradação do solo para definir a melhor indicação de espécie vegetal. “A rotação de culturas tem um princípio muito importante que é promover a diversificação de sistemas radiculares de gramíneas e leguminosas. Para cada sistema radicular há um grupo de microrganismos que interagem com a raiz”, diz Jordão.

A introdução de espécies como a braquiária muda o cenário na fazenda. “A rotação vai melhorar a qualidade do solo. Quanto maior for a área de rotação, mais rápido o produtor vai ver resultado. É possível ver benefício de uma safra para a outra, mas o resultado se perdura mais ao longo dos anos”, afirma o pesquisador.

 

Descompactação e mais água no solo

Um resultado expressivo é a redução da compactação. Quando o solo está compactado, as raízes da soja não conseguem se desenvolver satisfatoriamente. Ocorre o chamado “efeito vaso”, quando as raízes ficam limitadas em camadas mais superficiais da terra. Isso dificulta a absorção de nutrientes, torna a planta mais suscetível aos problemas como pragas e doenças, impacta no desenvolvimento vegetativo e prejudica a produtividade.

Para reverter essa situação, introduzir uma forrageira na segunda safra é a solução ideal. A braquiária, por exemplo, apresenta sistema radicular agressivo e que chega a alcançar quase cinco metros de profundidade. Com isso, o solo se transforma, ficará mais “fofo” e apresentará características físicas muito mais favoráveis. Assim, a infiltração das chuvas será mais eficiente, aumentando os estoques de água disponível na terra.

A consequência é que a safra de soja seguinte terá melhores condições de desenvolvimento das raízes. Além disso, com maior capacidade de armazenagem de água no solo, a lavoura fica mais resistente durante momentos de seca, minimizando possíveis perdas. “Um solo descompactado tende a ter mais poros, que são espaços para armazenar água e também oxigênio para a respiração das raízes”, explica Jordão.

 

Evite o solo nu

Um fator também muito importante e que muitas vezes passa despercebido é a necessidade de evitar áreas de solo nu. Quando isso ocorre, a incidência dos raios solares gera prejuízos. “Esse foi o maior problema pelo qual caíram as produtividades da soja nesta safra. Tivemos altas temperaturas e alta incidência de radiação solar. Sem palhada, essa alta temperatura esquentou o solo e matou a soja em várias regiões. Registei temperaturas na superfície do solo, sem palhada, próximo a 80 graus”, conta Jordão.

Por outro lado, quem investe em rotação de culturas com plantas forrageiras garante uma proteção eficaz para o solo contra a radiação solar. Segundo Jordão, durante o estudo em campo, observou-se que as áreas com palhada apresentaram temperatura em torno de 27 graus, uma enorme diferença em comparação com a medição em solo nu. “A temperatura de solo é um problema muito sério e o produtor ainda não dá importância para isso. As plantas de cobertura não permitem que o solo fique exposto, a palhada permanente funciona como um colchão”, diz o pesquisador.

 

Características químicas e biológicas

A rotação de culturas favorece o solo muito além dos atributos físicos. “As plantas de cobertura têm um poder muito grande do ponto de vista químico por serem capazes de reciclar nutrientes”, diz Jordão. Segundo ele, por terem um sistema radicular mais profundo em comparação com a soja e o milho, as raízes das plantas de cobertura alcançam áreas mais profundas da terra, conseguem mobilizar nutrientes e distribuí-los ao longo de diferentes camadas de solo.

Além disso, com abundante produção de folhas, as espécies de cobertura elevam os teores de matéria orgânica na superfície do solo. De forma geral, o solo se torna mais fértil e apresenta maior estoque de carbono e presença de oxigênio que, como consequência, melhora as características biológicas. “Do ponto de vista biológico, a cobertura produz as principais matérias-primas para os microrganismos se desenvolverem, que são carbono e oxigênio. Teremos mais microrganismos benéficos que muitas vezes vão estimular o crescimento de raízes da soja e podem até mesmo controlar nematoides”, afirma Jordão.

 

Como planejar a rotação de culturas?

Para planejar a rotação de culturas, é necessário avaliar o sistema de produção, as necessidades do solo e o histórico de colheitas na fazenda. Como a soja é o negócio carro-chefe na maioria das regiões produtoras do Centro-Oeste e Sul do Brasil, não é necessário abrir mão da cultura e sua rentabilidade para melhorar o manejo do solo. Além disso, o produtor também não vai querer abrir mão da segunda safra de milho ou safras de inverno como o trigo, que são relevantes para a rentabilidade da fazenda.

Nesse caso, a opção economicamente viável é destinar uma área em torno de 20% para a rotação de culturas apenas na segunda safra. “Assim, ao longo de cinco anos o produtor consegue reformar toda a área dele. É uma rotação sustentável para qualquer agricultor”, diz Jordão. Também é preciso definir se vale a pena investir em braquiária solteira ou em cultivo consorciado com o milho safrinha.

 

Qual espécie de planta escolher?

Embora a braquiária seja uma cobertura extremamente recomendada para a construção de um bom perfil de solo, os produtores não precisam se limitar a uma única planta. A rotação de culturas pode contemplar outras espécies como crotalária, milheto, azevém, aveia preta e branca, ervilhaca, nabo-forrageiro, tremoço, crambe. O nabo-forrageiro que tem ciclo curto e rápido desenvolvimento inicial, por exemplo, pode ser cultivado entre a colheita do milho safrinha e a próxima safra de soja, para aumentar a produção de palhada entre as 'janelas' das safras principais.

Há inúmeras configurações possíveis, a depender das condições climáticas e do ciclo da forrageira. “Não existe uma planta de cobertura padrão para todas as áreas. Precisamos descobrir qual é o problema da lavoura e qual será a ferramenta de manejo. Em áreas com alta incidência de nematoides, a ferramenta mais utilizada seria a crotalária. Para sistemas de produção com alto grau de compactação de solo recomendamos a braquiária solteira enquanto que para aumentar a fixação de nitrogênio, indicamos plantas leguminosas”, explica Jordão. O serviço Programa UAI pode auxiliar o produtor a definir a melhor configuração para a rotação de culturas e elevar a produtividade da soja, resgate por pontos na Rede AgroServices aqui.

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