Atenção: Você está no site Agro Bayer Brasil. O conteúdo deste site é destinado a agricultores e demais profissionais do setor agrícola.

 
Find a solution
Find a label

Onde Comprar

Não há resultados.

Proteção no vegetativo mesmo em semeaduras do cedo

O correto posicionamento da primeira aplicação em soja tem sido um dos principais fatores que definem a eficiência do programa fungicida, e isso também vale para épocas de semeadura do cedo 

Data

30 agosto 2018

Produto

Localização

São Paulo - SP

Em muitas regiões do Brasil, a ferrugem-da-soja (Phakopsora pachyrhizi) é sim a doença mais agressiva, com maior potencial de dano e que merece muita atenção na cultura da soja. Porém, se preocupar apenas com a ferrugem tem sido um dos principais fatores que tem levado a erros de posicionamento de fungicidas nessa cultura. Tais erros podem ser ainda mais comuns se considerarmos épocas de semeadura mais no cedo.

Mas que erros são esses?

O principal erro quando nos balizamos apenas pela ferrugem é o atraso no início da primeira aplicação. Historicamente, em épocas de semeadura mais no cedo (outubro e novembro), os primeiros focos de ferrugem começam a aparecer após o período de floração, que é quando coincide com maior quantidade de esporos no ar (Figura 1). Esse já é um ponto que cria falsa sensação de que antes disso não precisamos de proteção. Porém, não paramos por aí, nas duas últimas safras de soja, o avanço da ferrugem sofreu um certo atraso em muitas regiões, o que também tem contribuído ainda mais para a ideia errônea de que o início das aplicações pode ser mais tarde.

Consequências que isso pode trazer

Uma das principais consequências é o deficiente controle de outras doenças como manchas foliares e antracnose. Essas doenças não sofrem significativa influência da época de semeadura e podem apresentar alta severidade mesmo em épocas do cedo. Essa não influência da época de semeadura é porque o inóculo ou já está presente na área, em restos culturais, ou pode vir pela semente contaminada (Figura 1). Dessa forma, manchas foliares e antracnose são doenças que podem iniciar muito cedo na soja, mas que devido a uma evolução mais lenta dos sintomas, se tornam mais perceptíveis para o final do ciclo da cultura.

Então, não podemos esquecer que existem outras doenças que podem ocorrer simultaneamente na soja, e que, se não tivermos a devida atenção, de maneira antecipada, essas podem encontrar condições favoráveis para evoluir e comprometer produtividade.

Um eficiente controle de manchas foliares e antracnose é altamente dependente de aplicações ainda no vegetativo da soja, de tal forma a evitarmos que o inóculo se construa e evolua. A não aplicação no vegetativo, no caso de atraso do início, possibilita que as lesões iniciais se formem nas folhas do baixeiro, e, posteriormente, por dificuldades de deposição de gotas, essas lesões não são mais eficientemente controladas. Essas lesões não controladas podem então produzir novos esporos, evoluir no dossel da planta e tomar maiores proporções, de tal forma a prejudicar o desempenho das aplicações subsequentes e do programa fungicida como um todo.

Por isso, dentre esses e outros fatores não discutidos nesse artigo, é que diversos trabalhos de pesquisa têm consolidado o fato de que o início assertivo das aplicações tem grande influência na eficiência do programa fungicida como um todo, e não apenas sobre o controle de ferrugem, mas de todas as doenças que podem incidir na cultura.

Outras estratégias que contribuem para o manejo

"Para conseguirmos o manejo correto é fundamental considerar a importância de outras estratégias, como resistência genética, vazio sanitário e eliminação da soja guaxa/tiguera na entressafra, assim como tecnologia de aplicação que realmente permita uma boa distribuição dos fungicidas. Cada safra tem sua particularidade e desafio, por isso é importante o sojicultor estar bem preparado"

Cilo da Soja - Início das doenças

Figura 1. Momentos mais críticos para início das doenças em relação ao ciclo da soja. (Foto: Leandro Marques)

Autor: Leandro Marques (Pesquisador em Fitopatologia)
Instituto Phytus