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Mancha Alvo

Corynespora Cassiicola

A ocorrência cada vez mais frequente e severa da mancha-alvo (Corynespora cassiicola) é uma ameaça às lavouras de soja em algumas regiões do Brasil. Áreas de soja nos estados de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Maranhão e Piauí tem sido as mais severamente atacadas. 

Danos e Riscos

As perdas médias têm oscilado entre 15 e 25% na maioria das lavouras, podendo variar em função do momento de início, suscetibilidade da cultivar, condições de clima favorável, dentre outros fatores. Elevadas severidades implicam em coalescência de lesões, amarelecimento generalizado das folhas, podendo induzir a desfolha precoce.

Recentemente foi relatado a presença de C. cassiiicola causando mancha-alvo também na cultura do algodoeiro no Brasil. Pesquisadores tem demonstrado que isolados tanto da soja como do algodão podem causar a doença em ambos os hospedeiros. Portanto, o aumento de inóculo em uma das culturas pode afetar o cultivo subsequente da outra. Pelo fato de ser um fungo necrotrófico, a sobrevivência de C. cassiicola em restos culturais de algodão e/ou soja servirá de inóculo primário para a próxima safra. Nesse contexto, é provável que a doença seja mais intensa em áreas onde prevaleçam o cultivo sucessivo dessas culturas.

Ciclo e Condições Favoráveis

O fungo pode sobreviver na forma de clamidósporos por mais de uma safra no solo, pode sobreviver em restos culturais de plantas hospedeiras e pode também ser transmitido por sementes infectadas. Chuvas e ventos contribuem para a dispersão do inóculo inicial até as folhas inferiores da cultura onde inicia a doença. A partir do surgimento das primeiras lesões, esporos são produzidos sobre as lesões e poderão ser dispersos e dar origem a repetidos ciclos da doença (policíclica).

Períodos chuvosos, com molhamento foliar elevado e umidade relativa do ar (acima de 80%) são altamente favoráveis. Menores espaçamentos e alta população de plantas podem favorecer a formação de microclima e favorecerem a doença. Períodos secos desfavorecem o desenvolvimento da doença.

Os primeiros sintomas são mais comumente observados após o fechamento do dossel da soja e formação de microclima favorável. No entanto, dependendo da cultivar e das condições de clima, os primeiros sintomas podem ocorrer bem cedo na cultura, ainda no período vegetativo. Os primeiros sintomas são caracterizados por pequenas manchas circulares, com halo amarelado e um ponto negro no centro. O aumento das lesões em camadas circulares, dará o aspecto de um “alvo”.

Os sintomas podem ocorrer em praticamente toda a planta, porém são mais facilmente observados nas folhas. Cultivares variam conforme a suscetibilidade ao patógeno. Materiais mais sensíveis associado a condições de chuvas frequentes e alta umidade, aumentam os riscos. Nesse cenário a evolução da doença pode ser rápida, com o crescimento rápido das lesões que necrosam o tecido foliar comprometendo área fotossinteticamente ativa.

  • Utilizar cultivares menos suscetíveis;
  • Sementes livres do patógeno;
  • Rotação/sucessão de culturas com gramíneas e espécies não hospedeiras;
  • Tratamento de sementes;
  • Aplicação de fungicidas na parte aérea.

Aspectos ligados ao uso de fungicidas

Alguns fatores possuem grande influência quanto a eficiência do uso de fungicidas, como por exemplo a escolha dos fungicidas corretos e o posicionamento das aplicações. O atraso do início das aplicações tem sido um dos principais responsáveis pela baixa eficácia de controle de mancha-alvo. Como o fungo pode vir da semente ou dos restos culturais, a doença normalmente inicia precocemente ainda nos estádios vegetativos próximos ao fechamento da entrelinha.

A eficácia dos fungicida pode cair drasticamente quando a aplicação é realizada tardiamente após os primeiros sintomas, comparado a aplicação antecipada de forma preventiva, conforme o gráfico abaixo.

Neste exemplo, os primeiros sintomas da mancha-alvo foram detectados no estádio R1 da soja.

Fungicidas do grupo das estrobilurinas e carboxamidas são altamente dependentes de posicionamento preventivo devido à menor mobilidade nos tecidos e maior ação nas fases de pré-penetração do fungo.

Outro aspecto importante das aplicações antecipadas é a chance de se conseguir uma maior deposição de gotas no dossel inferior. A efetividade dos fungicidas é bastante dependente da chegada de doses letais do ingrediente ativo nos tecidos. Assim, após o fechamento do dossel, a sobreposição das folhas pode reduzir a penetração de gotas.

Assim, o início assertivo das aplicações aliado a intervalos indicados entre aplicações serão fatores decisivos para um controle eficiente da mancha-alvo na soja.

Tabela 1. Eficiência de controle de mancha-alvo na soja pela aplicação do mesmo fungicida em diferentes momentos. Fonte: Tormen et al. (2018), Instituto Phytus, Planaltina/DF.

Referências
Tormen, NR; Blum, LEB; Balardin, RS. Alvo na mira. Cultivar Grandes Culturas, n.223, 2018. MADALOSSO, Marcelo. Mancha-alvo (Corynespora cassiicola). Disp. em: https://phytusclub.com/.