Benefícios em lavouras de milho com uso de pré-emergentes
Herbicidas pré-emergentes trazem muitos benefícios para o milho, com amplo espectro de controle e eficiência para combater plantas daninhas tolerantes e resistentes.Herbicida pré-emergente para milho. Como conquistar seus benefícios
Sistema “plante-aplique” de herbicida pré-emergente é a melhor estratégia para melhorar o manejo de plantas daninhas no milho
No manejo de plantas daninhas, muitos agricultores infelizmente parecem seguir a filosofia de São Tomé, o santo cujo ditado popular resume na frase “só acredito vendo”.
Os produtores querem esperar para ver uma planta daninha brotar do chão antes de tomar qualquer atitude de controle. Mas o manejo agrícola que tarda, falha.
As daninhas são espécies de crescimento rápido, com grande capacidade reprodutiva, e agressivas na competição com o milho.
É por isso que especialistas vêm alertando para a necessidade de adotar um manejo preventivo, especialmente com a aplicação de herbicida pré-emergente.
O ideal é escolher um pré-emergente capaz de controlar tanto plantas daninhas de folhas largas quanto as de folhas estreitas. O foco deve ser um amplo espectro de ação e bom efeito residual na área pulverizada.
“O pré-emergente traz mais segurança para o produtor. Com maior eficiência no controle das plantas daninhas no início do desenvolvimento do milho, o agricultor provavelmente fará um menor número de pulverizações de herbicidas na pós-emergência e terá um ganho operacional”, explica Felipe Stefaroli, Gerente de Desenvolvimento de Mercado de Herbicidas da Bayer.
Plante o milho e logo pulverize com o herbicida pré-emergente!
A principal recomendação é adotar o sistema “plante-aplique”. Ou seja, usar o pré-emergente logo após o plantio da cultura, no máximo até a emergência do milho. O prazo do plantio até a emergência geralmente varia de 4 a 15 dias. “O agricultor que pulveriza o pré-emergente, deixa as camadas superficiais do solo preparadas para, quando a planta daninha iniciar os processos germinativos, absorver esse produto e ser controlada”, explica Stefaroli.
O objetivo é aplicar um pré-emergente que atue por cerca de 20 a 30 dias. O efeito residual oferece um bom manejo das invasoras, previne a matocompetição inicial e deixa a lavoura no “limpo” até o fechamento das entrelinhas de cultivo do milho. “O pré-emergente pode garantir o controle de mais de 80% das sementes de plantas daninhas que viriam a emergir”, diz Stefaroli.
Outro grande benefício no uso de pré-emergentes é retardar a pressão de seleção que favorece ervas tolerantes aos herbicidas. “A presença de planta daninha resistente é o grande fator que exige mudanças no manejo e que o produtor inicie a utilização de pré-emergentes. Ele consegue trazer um espectro de controle muito bom”, afirma Stefaroli.
É fundamental escolher um produto que consiga se mover pela palha e atingir o solo. Caso o pré-emergente fique aderido na palhada, não apresentará os resultados desejáveis. Recomenda-se também boas práticas agrícolas, como a rotação de mecanismos de ação para o manejo de tolerância e resistência das invasoras.
Cuidados na utilização
O uso de herbicida pré-emergente também exige entender a possível interação entre o produto e o solo, seletividade para a cultura comercial, a interferência da palhada no manejo e questões climáticas. Uma questão muito importante é o chamado “carry-over”, expressão que designa a permanência de resíduos do herbicida que podem causar fitotoxidade na cultura subsequente.
O produtor deve avaliar qual é o tipo de pré-emergente escolhido, as características da molécula do produto e implicações.
Alguns herbicidas podem sofrer degradação quando há incidência de luz. Outros podem sofrer com a ação de microrganismos presentes no solo, por exemplo.
Até mesmo a composição do solo pode gerar impactos. “Normalmente o tipo de solo pode interferir na eficácia e durabilidade do produto.
Solos mais argilosos normalmente terão uma retenção maior do herbicida”, diz Stefaroli. Há, ainda, a possibilidade de perda de eficácia após as chuvas, com o processo de lixiviação, ou seja, encharcam o solo e as águas podem levar o produto embora.
Carry-over
A seletividade é um fator que demanda mais atenção. O pré-emergente registrado para o milho não deverá causar dano para essa cultura. No entanto, o agricultor deve levar em consideração qual será a safra seguinte. Supondo, por exemplo, que o produtor cultive milho primeira safra e feijão na segunda safra, ele deveria avaliar previamente se o pré-emergente não causaria danos ao feijão, a fim de se evitar a possibilidade de carry-over.
Por essas razões, é fundamental buscar o suporte técnico de um engenheiro agrônomo para receber orientações de manejo e sempre seguir as recomendações de bula do produto, respeitando as indicações de dose e preparação de calda.
“O produtor não deve aumentar a dose recomendada para a aplicação porque o pré-emergente, além dos fatores de carry-over, pode ainda se acumular no sulco de plantio devido a algum fator climático e, em alta dosagem, pode causar fitotoxicidade ao milho”, alerta Stefaroli.
Tecnologia de aplicação
O produtor deve aplicar o herbicida pré-emergente utilizando bicos (pontas de pulverização) adequados para o produto, cujo objetivo é atingir o solo. As pontas devem formar gotas grossas. Assim, minimizam-se perdas por evaporação do produto e a possibilidade de deriva, fenômeno que ocorre quando as gotas pulverizadas são levadas pelo vento.
A pulverização de pré-emergente deve ser realizada somente em solo com palha seca, jamais em áreas com presença de plantas daninhas vivas. Outra dica é calibrar a pulverização com vazão alta, entre 100 e 200 litros por hectare, e trabalhar com a barra de aplicação baixa, com altura de até meio metro acima do solo quando possível.
Apesar das possibilidades de perda de eficácia ou fitotoxidade, geralmente esses relatos são exceções. Quando o produtor segue as recomendações de bula, os problemas se resumem a casos pontuais. “Para a maioria das situações encontradas, as chances de o herbicida pré-emergente ter sucesso na lavoura são grandes”, diz Stefaroli.