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Cercosporiose no milho

Cercospora zeae-maydis

A cercosporiose (Cercospora zeae-maydis) tem sido uma das mais importantes doenças foliares na cultura do milho, não apenas pelo seu potencial em causar danos, mas também pela sua ampla distribuição nas regiões de cultivo do Brasil e recorrência com a qual tem se manifestado nas lavouras.

A cercosporiose pode causar danos severos à lavoura de milho. Tais danos estão associados à perda de área foliar fotossintética, especialmente das folhas medianas e superiores, que contribuem com 70% a 90% dos fotoassimilados utilizados no enchimento de grãos. A perda de área foliar verde leva à redução no número de grãos por espiga, redução na massa de grãos e, por consequência, reduções da produtividade que podem variar entre 16% e 27% em híbridos suscetíveis e entre 5% e 9% em híbridos de maior resistência parcial (Brito et al., 2007).



Figura 1. Plantas de milho com elevada severidade de cercosporiose.

O desenvolvimento da cercosporiose é relativamente mais lento do que outras doenças foliares do milho, mesmo em condições favoráveis ao patógeno, levando aproximadamente 14 dias para fechar um ciclo em híbridos suscetíveis (período latente) e de 21 dias para híbridos com algum nível de resistência. O patógeno C. zeae-maydis é capaz de sobreviver em restos culturais, e é favorecido por temperaturas entre 22º C e 30° C e períodos prolongados de molhamento foliar, associados à umidade relativa do ar acima de 90%. A sua disseminação ocorre especialmente por respingos de chuva e por meio de ventos. No contexto atual, este patógeno tem sido favorecido por técnicas de semeadura direta e por cultivos sucessivos de híbridos de milho altamente suscetíveis em áreas extensas, práticas que contribuem para aumentar a quantidade de inóculo inicial e favorecer a ocorrência de epidemias mais severas. Tais condições são observadas frequentemente em cultivo de milho safrinha, quando a doença tem se manifestado de forma mais intensa e severa.

Os sintomas iniciais de cercosporiose caracterizam-se por pequenas lesões de cor marrom circundadas por um halo amarelo (Figura 2). Com a evolução da doença estas lesões tornam-se acinzentadas devido à presença de esporulação do fungo. As lesões possuem formato retangular, sendo as manchas compridas e estreitas, e bem delimitadas pelas nervuras das folhas, formando bordas retilíneas (Figura 2).

A infecção da cultura pode ocorrer desde os estádios iniciais, especialmente em áreas com histórico e híbridos suscetíveis. Os sintomas iniciam nas folhas do baixeiro, devido a sua maior proximidade à fonte de inóculo, e posteriormente evoluem para folhas medianas e do superior da planta. Por ser uma doença causada por fungo, o monitoramento do agente causal é difícil, sendo assim, deve-se focar nas condições de cultivo, histórico da lavoura e condições climáticas durante o ciclo da cultura. Como já mencionado, em cultivo de milho safrinha ou cultivos sucessivos de milho na mesma área, tendem a aumentar os riscos de ocorrência da doença, bem como temperaturas amenas associadas com períodos chuvosos. O produtor deve, então, ponderar informações para definir as estratégias de manejo integrado.



Figura 2. Sintomas iniciais, evolução dos sintomas respeitando as nervuras e sintomas coalescidos causando o secamento total da folha.

Diversas práticas podem ser empregadas no manejo integrado da cercosporiose. Uso de híbridos de maior resistência, rotação de culturas, nutrição mineral equilibrada e controle químico através de fungicidas estão entre a mais importantes estratégias utilizadas para mitigar os danos desta doença. No entanto, devido à inexistência de híbridos totalmente resistentes à cercosporiose, o controle químico por meio de fungicidas tem sido a principal ferramenta de manejo da cercosporiose.

O posicionamento dos fungicidas deve focar preferencialmente em aplicações preventivas, considerando o histórico da lavoura e as condições de ambiente, buscando proteger o tecido contra a infecção do patógeno, e manter a área foliar sadia o maior período possível, especialmente folhas da parte superior do dossel, que respondem por grande parte do enchimento de grãos. Os ganhos produtivos em função do manejo químico da doença têm sido demonstrados em diversos estudos. Incrementos médios de 12% na produtividade foram obtidos com uso de fungicidas no controle da cercosporiose (Brito et al., 2013). Pode haver variações na resposta em produtividade, conforme o fungicida utilizado, sendo que para os mais efetivos, ganhos de até 38,4% na produtividade foram obtidos em comparação à testemunha sem tratamento (Pinto et al., 2014).


Referências

Brito, A. H. et al. Efeito da cercosporiose no rendimento de híbridos comerciais de milho. Fitopatologia Brasileira, v. 32, n. 6, p. 472-479, nov./dez., 2007.
Brito, A. H. et al. Controle químico da cercosporiose, mancha-branca e dos grãos ardidos em milho. Revista Ceres, Viçosa, v. 60, n.5, p. 629-635, set./out., 2013.
Pinto, N. F. J. de A. et al. Avaliação da eficiência de fungicidas no controle da cercosporiose (cercospora zeae-maydis) na cultura do milho. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, v.3, n.1, p.139-145, 2004.