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Percevejo Marrom da Soja

Euschistus Heros

Atualmente o percevejo-marrom tem sido considerado uma das principais e mais abundantes pragas da soja no Brasil. Sua ocorrência tem sido ampla por todas as regiões de cultivo, tanto as regiões mais quentes como as regiões mais frias como no Rio Grande do Sul, onde ocorria em menor intensidade. Em muitas dos locais, o percevejo-marrom responde por mais de 80% do total de percevejos coletados em soja.

Danos e Riscos

O dano estimado para 1 indivíduo/m² de E. heros é de 0,08 g/dia. Considerando esse dano em 1 hectare, será de 0,8 kg/ha/dia. Tomando como um período médio de ataque de 35 dias, o dano será de aproximadamente 30 kg/ha por percevejo/m².

Os percevejos podem atacar ramos e hastes, porém, o maior prejuízo ocorre quando atacam vagens em formação, ocasionando má formação de grãos, “grãos chochos” e consequente redução de produtividade. Os danos se tornam maiores para ninfas a partir do terceiro ínstar. Lavouras atacadas podem apresentar sintomas de retenção foliar, o que pode atrapalhar na hora da colheita e aumentar a umidade dos grãos colhidos.

Ciclo de Desenvolvimento e Condições Favoráveis

A soja é a principal hospedeira do percevejo-marrom. No período de entressafra na ausência da soja, pode sobreviver alimentando-se de outras plantas hospedeiras (daninhas ou cultivadas). Além disso, nos períodos mais frios e de alimento escasso, entram em diapausa (retenção temporária do desenvolvimento) até o início da nova safra.

No total o percevejo-marrom passa por cinco instares até chegar na fase adulta, compreendendo um período de dias de ovo a adulto variando de 28 a 35 dias (Figura 1). A duração média em dias para a fase de ovos é em torno de 6 dias, para o 1° ínstar de 3 dias, para o 2° ínstar de 4 dias, para o 3° instar de 4 dias, para o 4° instar de 4 a 5 dias, para o 5° instar em torno de 7 dias. A longevidade do adulto pode variar de 80 a 116 dias.

Figura 1. Ciclo de desenvolvimento do percevejo-marrom da soja (E. heros). Adaptado de Cividanes (1992).

Identificacao e Monitoramento

Os ovos são de coloração amarela, formato de barril, geralmente depositados em pequenas colônias de 8 a 15 ovos sobre as plantas. Próximo a eclosão das ninfas os ovos adquirem uma coloração mais rosada (Figura 2). A deposição dos ovos se dá preferencialmente sobre as folhas ou vagens da soja.

Figura 2. Oviposição do percevejo-marrom em laboratório (E. heros).

As ninfas recém-eclodidas medem pouco mais de 1 mm e têm o corpo alaranjado e a cabeça preta. Apresentam hábito gregário e permanecem sobre os ovos até passar para o segundo ínstar (Figura 3). As ninfas maiores (terceiro ao quinto ínstar) apresentam coloração que pode variar de cinza a marrom.

Figura 3. Ninfas de 1°, 3° e 5° ínstar do percevejo-marron (E. heros).

O adulto de E. heros apresenta coloração marrom-escura por todo o corpo, com dois prolongamentos laterais do pronoto, em forma de espinhos e uma meia-lua branca no final do escutelo (Figura 4), característica marcante para identificação. No verão, sob clima mais quente, geralmente as prolongações são mais longas e mais escuros comparado a adultos no inverno.

Figura 4. Adulto do percevejo-marrom (E. heros).

Importancia do Monitoramento e Desafios ao Manejo

O monitoramento é essencial no manejo eficiente de pragas. Diferentemente do uso de fungicidas que é mais efetivo preventivamente, a aplicação preventiva de inseticidas pode resultar em baixa eficiência de controle e elevação dos custos com gasto desnecessário com a aplicação de inseticidas.

O grande benefício do monitoramento bem feito é a identificação das pragas no início da infestação e definição do momento ideal para a intervenção com as aplicações inseticidas, otimizando os produtos utilizados.

Durante a floração (R1 a R2) ocorre o período de colonização e se torna crescente o aumento populacional dessas pragas. Após o período de floração, caracteriza-se como período de alerta (Figura 6). O monitoramento constante é fundamental nessa fase pois, caso seja identificado uma população muito elevada, poderá ser necessária uma antecipação das aplicações com o objetivo de reduzir o nível populacional antes de chegar em R4 (final de desenvolvimento de vagens), sendo a fase de maior potencial de dano.

Na ausência de controle, com o aumento populacional crescente durante as fases mais críticas em relação aos danos, ou seja, durante o desenvolvimento das vagens (R4) e o enchimento dos grãos (R5). Quanto mais elevada a população, maior a dificuldade de controle.

Figura 5. Estádio R4 da soja
Figura 6. Desenvolvimento populacional de percevejos na soja (Adaptado de Embrapa)

Observações de campo indicam que o percevejo-marrom tem sido uma das espécies de mais difícil controle. Essa espécie possui o hábito de se esconder nos períodos mais quentes do dia e sai para se alimentar nos períodos mais frescos. Assim, nos períodos mais frescos, teoricamente estará mais exposto ao controle químico.

Os principais inseticidas utilizados no manejo do percevejo-marrom são as misturas de neonicotinoides + piretroides e o acefato (organofosforado). Podem ser encontrados ainda produtos contendo piretroides + organofosforado, piretroides isolados e também a mistura de dois piretroides no mesmo produto.