Blog do Agro

O grande potencial do algodão brasileiro

Com o aumento no consumo global de algodão, saiba como você, produtor, pode aproveitar as oportunidades para comercializar a pluma
17 de julho de 2022 /// 7 minutos de leitura

Um aumento no consumo global de algodão é esperado para o ciclo 2021/22, e os estoques devem se manter abaixo dos níveis da safra anterior. A perspectiva é de semear 1,54 milhão de hectares, um avanço de 12% em relação ao ano passado, de acordo com o Rabobank.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Júlio Cezar Busato, demonstra otimismo com o cenário: "Neste ano, devemos chegar a cerca de 2,8 milhões de toneladas e se o mercado, os preços e a procura por algodão continuarem da forma como está, a nível mundial, devemos voltar às nossas 3 milhões de toneladas em 22/23. Ou, quem sabe, até superar isso", projeta.

Frente a outros países, o algodão no Brasil tem uma vantagem competitiva: a possibilidade de produção em mais de uma temporada. Cerca de 60% do algodão brasileiro é de segunda safra, o que permitiu dobrar a produção nos últimos 4 anos, segundo a revista Forbes.

O presidente da Abrapa ressalta que as duas safras são realizadas na mesma área, com alta produtividade e algodão de qualidade. Por ser uma cultura exigente, o algodão necessita de uma quantidade grande de fertilizantes para produzir, por isso, as lavouras subsequentes de soja ou de milho, quando sucedem a lavoura de algodão, têm aumentado a sua produtividade.

"Isso é muito interessante para os agricultores e para as regiões que conseguem ter essa oportunidade. Eu tenho a certeza de que nós vamos crescer cada vez mais o algodão de segunda safra no Brasil", acrescenta Busato.

Se esse movimento continuar evoluindo, o Brasil tem potencial, em curto espaço de tempo, para superar a Índia como maior produtor mundial e os Estados Unidos como principal exportador global.

"Nós temos duas coisas que são muito importantes: a nossa produtividade e a escala de produção do algodão brasileiro. Temos uma grande oportunidade de cada vez mais conquistarmos mercado e nos tornar um fornecedor confiável de algodão para o mundo", reforça Busato.

Além disso, a produção brasileira ainda dispõe de espaço para expansão da oferta, impulsionada sobretudo pela demanda chinesa — hoje a maior importadora da fibra, na qual o Brasil já responde por cerca de 30% das compras, segundo dados da Forbes.

Melhores tecnologias para plantações de algodão no Brasil


Os altos patamares de produtividade alcançados no Brasil, com qualidade e escala, estão diretamente ligados ao uso de tecnologia no campo, que promove incremento contínuo na produção. A adoção de variedades de sementes geneticamente melhoradas também é uma estratégia importante para proteger o potencial produtivo da lavoura, especialmente nas plantações de algodão no Brasil.

A tecnologia Bollgard® 3 RRFLEX, associada ao manejo adequado de pragas e plantas daninhas, amplia as chances de bons resultados no campo. "A tecnologia Bollgard® 3 RRFLEX promove a proteção do potencial produtivo contra o ataque das principais lagartas da cultura do algodão. Ela também traz a flexibilidade no manejo de plantas daninhas, possibilitando a aplicação do glifosato sobre a cultura em diferentes estágios de desenvolvimento, minimizando a matocompetição em fases críticas", explica Rafael De Toni, representante técnico de vendas de algodão da Bayer.

Rafael Wazne, coordenador técnico da Fazenda Querência, em Tangará da Serra (MT), testou Bollgard® 3 RRFLEX e destaca a proteção ampliada contra as principais lagartas: "Consideramos a principal vantagem a grande resistência à maioria das lagartas que infestam a cultura, com destaque para as lagartas do complexo Spodoptera e Helicoverpa. Nesta última safra, realizamos uma única aplicação de inseticidas para lagartas em nossas lavouras de Bollgard® 3 RRFLEX."

Segundo ele, outra vantagem importante da tecnologia é a flexibilidade no manejo, com redução do número de aplicações de defensivos, o que diminui gastos com insumos, combustível, manutenção, equipamentos e mão de obra.

"A tecnologia Bollgard® 3 RRFLEX vem com novas variedades de elevado potencial produtivo e de alta qualidade de fibra. Essa biotecnologia também promove uma lavoura mais sustentável, com menos entradas no manejo e uso racional de água, contribuindo para o agricultor elevar sua produtividade e melhorar o processo produtivo", destaca o representante técnico de vendas da Bayer.

Para preservar a eficiência das biotecnologias, o plantio de refúgio é uma prática fundamental. Ele atrasa a evolução da resistência dos insetos às proteínas inseticidas presentes nas plantas, contribuindo para a sustentabilidade do negócio. A não adoção dessa prática pode resultar em maiores custos com controle de insetos e perda de potencial produtivo — um ponto sensível em um cenário em que o algodão no Brasil se consolida entre os maiores produtores de algodão do mundo.

Como produzir algodão no Brasil com sustentabilidade?


Apoiando o desenvolvimento social, econômico e ambiental, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão vem desenvolvendo o programa Cotton Brazil, iniciativa que promove a produção nacional no mercado externo e incentiva a evolução da qualidade e da sustentabilidade da pluma — reforçando o protagonismo do algodão no Brasil entre os maiores produtores de algodão do mundo.

Essa iniciativa traz mais transparência para toda a cadeia. Para isso, conta com o Sistema Abrapa de Identificação, que permite a rastreabilidade dos fardos. Cada fardo de algodão recebe um código que informa ao consumidor em qual fazenda foi produzido, em qual safra foi colhido, quem foi responsável pelo beneficiamento e se o produto atende a critérios de produção sustentável.

"A Abrapa está fazendo um esforço enorme com o programa Cotton Brazil, mas nós temos o dever de casa para fazer aqui dentro também, que é a melhoria da qualidade e a conquista de confiança e de credibilidade pelo mercado. Isso vai se apresentar como uma enorme oportunidade para o Brasil, para uma cultura que tem tanto interesse econômico como agronômico e social para os produtores", observa Busato.

No contexto da produção sustentável, o movimento Sou de Algodão se consolida como uma iniciativa única e pioneira no país, incentivando o consumo responsável no mundo da moda. Ele valoriza o trabalho do cotonicultor, gera empregos, movimenta a economia e fortalece a imagem do Brasil como um dos maiores fornecedores de algodão sustentável do mundo.

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