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Nematoide das galhas (Meloidogyne incognita)

O nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita) é reconhecido como um dos maiores problemas em diversas culturas como soja, algodão, feijão, cana-de-açúcar, tabaco, café, além de plantas forrageiras, hortaliças, frutíferas e também podem se multiplicar em plantas daninhas. Menciona-se que mais de 2000 espécies vegetais são suscetíveis à infecção por nematoides-das-galhas e causam aproximadamente 5% a 10% da perda global das culturas. Está presente em praticamente todo o mundo, principalmente em regiões de clima quente, incluindo as regiões tropicais e subtropicais.

Durante o ciclo de vida do nematoide-das-galhas estes organismos passam por quatro estádios juvenis antes de se tornarem adultos. A primeira ecdise ou troca de cutícula ocorre no interior do ovo. Em seguida, o juvenil de segundo estádio (J2) eclode do ovo e vai para o solo ou penetra diretamente em uma raiz .

Os J2 são vermiformes e medem cerca de 0,2 mm a 0,4 mm para M. incognita. Apenas o J2 é a forma infectante do nematoide-das-galhas que se movimenta por entre as partículas de solo e se locomovem ao encontro as raízes das plantas hospedeiras. O juvenil penetra na raiz geralmente pela ponta (coifa) em crescimento e migra entre as células até estabelecer um local de alimentação nas células. Neste momento, torna-se um endoparasito sedentário. Secreções produzidas pelas glândulas esofagianas do nematoide estimulam a formação de várias células gigantes nas raízes parasitadas, que fornecem nutrientes para os nematoides. Estes aumentam rapidamente de tamanho e passam pelas ecdises transformando em 3º e 4º estádio juvenil e finalmente em adultos. Raramente machos são encontrados em M. incognita; quando presentes, os mesmos migram para fora da raiz e não se alimentam.

Uma fêmea produz durante o ciclo centenas de ovos que podem chegar a mais de 2000. Estes são depositados em uma massa de ovos externamente às raízes na superfície das galhas, onde ficam presos e protegidos por uma mucilagem contra dessecação e outras condições adversas.

O ciclo de M. incognita leva cerca de três a quatro semanas no verão e no inverno, este tempo pode ser estendido até sete semanas. Assim, a duração do ciclo de vida é fortemente dependente da temperatura e aumenta conforme a temperatura do solo diminui.




Figura 2. Ciclo do nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita). Fonte: adaptado de Agrios (2005)


A sobrevivência do nematoide-das-galhas e o ciclo de vida dependem do crescimento bem sucedido da planta hospedeira e das condições ambientais. Os machos participam menos em relação às fêmeas. O desenvolvimento de machos é aparentemente irrelevante, uma vez que a maioria das espécies se reproduz por partenogênese, sem haver a necessidade de copulação.

Devido ao fato dos nematoides se moverem lentamente no solo (durante o ano, provavelmente não exceda 50 cm), sua principal forma de disseminação é a passiva, dada pela movimentação do solo, água, implementos agrícolas contaminados, homem e animais nas áreas de cultivo e por mudas contaminadas.



Sintomas na parte aérea das plantas incluem nanismo, murcha, clorose e outros de deficiência nutricional, redução na qualidade e rendimento da cultura.

Os nematoides-das-galhas são endoparasitas que ao penetrarem nas raízes das plantas estabelecem um sítio de alimentação e a formação de células gigantes ao redor do mesmo. Paralelamente ocorre a formação das galhas nas raízes que são sintomas característicos devido a penetração e infecção por M. Incognita. As massas de ovos de coloração marrom claro acima das galhas podem ser visualizadas e dentro das raízes fêmeas de coloração branco pérola podem ser observadas.




Figura 1. Sintomas de Meloidogyne incognita em raízes de soja


Falhas no estande de plantas podem ocorrer em áreas onde os níveis populacionais estão altos. Além disso, as raízes gravemente danificadas por nematoides-das-galhas podem ser invadidas por fungos e bactérias que potencializam os danos e causam o apodrecimento das raízes.



Em áreas ainda indenes, livres do patógeno, deve se ter o cuidado com a limpeza de maquinários para evitar possíveis restos culturais ou partículas de solo contendo o nematoide. Semeadoras, por exemplo, podem carregar partículas de solo com M. Incognita e fazer a disseminação de uma área infectada para outras áreas. Assim, a utilização de jatos fortes de água para remoção de solo aderido aos maquinários é eficiente para evitar a disseminação desses organismos.

Para áreas que já possuem histórico de ocorrência de M. Incognita, o manejo deve levar em conta a integração de estratégias de manejo. Dentre essas estratégias, a utilização de nematicidas químicos e biológicos tem apresentado resultados satisfatórios na redução da população de M. Incognita.

A rotação de cultura com plantas não hospedeiras do M. Incognita são recomendadas para áreas com a presença deste patógeno. Entretanto, a rotação é bastante difícil, pois M. Incognita apresentam mais de 2000 espécies de plantas hospedeiras Meloidogyne incognita, possui quatro diferentes raças (1, 2, 3 e 4) caracterizadas por parasitar diferentes espécies de plantas. Em áreas infestadas por M. incognita tem-se a opção de rotação com amendoim (Arachis sp.), braquiárias (Brachiaria spp.), crotalária (Crotalaria spectabilis) e mamona (Ricinus communis ).

A utilização de cultivares resistentes a este nematoide seria ideal, mas atualmente existem poucos materiais disponíveis com resistência à M. Incognita. O produtor deve optar por cultivares que apresentam o fator de reprodução mais baixo possível em áreas com a presença deste nematoide.

A prática do alqueive é outro exemplo com potencial para o controle de M. Incognita, que consiste em manter a área por certo período sem qualquer vegetação, sobretudo com revolvimento do solo por meio de aração e/ou gradagem. Assim, os nematoides morrem por inanição, dessecação e pela ação direta da luz solar. Deve-se evitar o excesso de adubação nitrogenada e excesso ou acúmulo de água, que podem intensificar os danos e favorecer outros patógenos que atuam em conjunto no campo. A compactação de solo é outro provável fator que pode acentuar os problemas relacionados a nematoides-das-galhas.

O manejo bem sucedido dos nematoides-das-galhas depende da integração de diversas estratégias e táticas, envolvendo rotação/sucessão de culturas, uso de cultivares e genótipos resistentes (quando disponíveis), manejo físico e químico do solo. O manejo do M. Incognita deve ser realizado pensando no sistema de cultivo, com ações na safra, safrinha e entressafra, evitando um acréscimo populacional.


Referências

AGRIOS, G.N. Plant pathology. 5a Ed., Academic Press. 2005.

Danos e sintomas

Sintomas na parte aérea das plantas incluem nanismo, murcha, clorose e outros de deficiência nutricional, redução na qualidade e rendimento da cultura.

Os nematoides-das-galhas são endoparasitas que ao penetrarem nas raízes das plantas estabelecem um sítio de alimentação e a formação de células gigantes ao redor do mesmo. Paralelamente ocorre a formação das galhas nas raízes que são sintomas característicos devido a penetração e infecção por M. Incognita. As massas de ovos de coloração marrom claro acima das galhas podem ser visualizadas e dentro das raízes fêmeas de coloração branco pérola podem ser observadas.


Figura 1. Sintomas de Meloidogyne incognita em raízes de soja


Falhas no estande de plantas podem ocorrer em áreas onde os níveis populacionais estão altos. Além disso, as raízes gravemente danificadas por nematoides-das-galhas podem ser invadidas por fungos e bactérias que potencializam os danos e causam o apodrecimento das raízes.

 

 

Ciclos de vida e condicções favoráveis

Durante o ciclo de vida do nematoide-das-galhas estes organismos passam por quatro estádios juvenis antes de se tornarem adultos. A primeira ecdise ou troca de cutícula ocorre no interior do ovo. Em seguida, o juvenil de segundo estádio (J2) eclode do ovo e vai para o solo ou penetra diretamente em uma raiz . 

Os J2 são vermiformes e medem cerca de 0,2 mm a 0,4 mm para M. incognita. Apenas o J2 é a forma infectante do nematoide-das-galhas que se movimenta por entre as partículas de solo e se locomovem ao encontro as raízes das plantas hospedeiras. O juvenil penetra na raiz geralmente pela ponta (coifa) em crescimento e migra entre as células até estabelecer um local de alimentação nas células. Neste momento, torna-se um endoparasito sedentário. Secreções produzidas pelas glândulas esofagianas do nematoide estimulam a formação de várias células gigantes nas raízes parasitadas, que fornecem nutrientes para os nematoides. Estes aumentam rapidamente de tamanho e passam pelas ecdises transformando em 3º e 4º estádio juvenil e finalmente em adultos. Raramente machos são encontrados em M. incognita; quando presentes, os mesmos migram para fora da raiz e não se alimentam. 

Uma fêmea produz durante o ciclo centenas de ovos que podem chegar a mais de 2000. Estes são depositados em uma massa de ovos externamente às raízes na superfície das galhas, onde ficam presos e protegidos por uma mucilagem contra dessecação e outras condições adversas. 

O ciclo de M. incognita leva cerca de três a quatro semanas no verão e no inverno, este tempo pode ser estendido até sete semanas. Assim, a duração do ciclo de vida é fortemente dependente da temperatura e aumenta conforme a temperatura do solo diminui.



Figura 2. Ciclo do nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita). Fonte: adaptado de Agrios (2005)


A sobrevivência do nematoide-das-galhas e o ciclo de vida dependem do crescimento bem sucedido da planta hospedeira e das condições ambientais. Os machos participam menos em relação às fêmeas. O desenvolvimento de machos é aparentemente irrelevante, uma vez que a maioria das espécies se reproduz por partenogênese, sem haver a necessidade de copulação. 

Devido ao fato dos nematoides se moverem lentamente no solo (durante o ano, provavelmente não exceda 50 cm), sua principal forma de disseminação é a passiva, dada pela movimentação do solo, água, implementos agrícolas contaminados, homem e animais nas áreas de cultivo e por mudas contaminadas. 

 

 

Desafios do Manejo

Em áreas ainda indenes, livres do patógeno, deve se ter o cuidado com a limpeza de maquinários para evitar possíveis restos culturais ou partículas de solo contendo o nematoide. Semeadoras, por exemplo, podem carregar partículas de solo com M. Incognita e fazer a disseminação de uma área infectada para outras áreas. Assim, a utilização de jatos fortes de água para remoção de solo aderido aos maquinários é eficiente para evitar a disseminação desses organismos.


Para áreas que já possuem histórico de ocorrência de M. Incognita, o manejo deve levar em conta a integração de estratégias de manejo. Dentre essas estratégias, a utilização de nematicidas químicos e biológicos tem apresentado resultados satisfatórios na redução da população de M. Incognita

A rotação de cultura com plantas não hospedeiras do M. Incognita são recomendadas para áreas com a presença deste patógeno. Entretanto, a rotação é bastante difícil, pois M. Incognita apresentam mais de 2000 espécies de plantas hospedeiras Meloidogyne incognita, possui quatro diferentes raças (1, 2, 3 e 4) caracterizadas por parasitar diferentes espécies de plantas. Em áreas infestadas por M. incognita tem-se a opção de rotação com amendoim (Arachis sp.), braquiárias (Brachiaria spp.), crotalária (Crotalaria spectabilis) e mamona (Ricinus communis ). 

A utilização de cultivares resistentes a este nematoide seria ideal, mas atualmente existem poucos materiais disponíveis com resistência à M. Incognita. O produtor deve optar por cultivares que apresentam o fator de reprodução mais baixo possível em áreas com a presença deste nematoide. 

A prática do alqueive é outro exemplo com potencial para o controle de M. Incognita, que consiste em manter a área por certo período sem qualquer vegetação, sobretudo com revolvimento do solo por meio de aração e/ou gradagem. Assim, os nematoides morrem por inanição, dessecação e pela ação direta da luz solar. Deve-se evitar o excesso de adubação nitrogenada e excesso ou acúmulo de água, que podem intensificar os danos e favorecer outros patógenos que atuam em conjunto no campo. A compactação de solo é outro provável fator que pode acentuar os problemas relacionados a nematoides-das-galhas. 

O manejo bem sucedido dos nematoides-das-galhas depende da integração de diversas estratégias e táticas, envolvendo rotação/sucessão de culturas, uso de cultivares e genótipos resistentes (quando disponíveis), manejo físico e químico do solo. O manejo do M. Incognita deve ser realizado pensando no sistema de cultivo, com ações na safra, safrinha e entressafra, evitando um acréscimo populacional.

 

Referências

AGRIOS, G.N. Plant pathology. 5a Ed., Academic Press. 2005.

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