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Ferrugem-asiática da soja: como identificar, prevenir e proteger sua lavoura?

Entenda por que a ferrugem-asiática provoca grandes perdas na cultura da soja, reconheça sintomas e descubra boas práticas de manejo para reduzir o risco e manter a produtividade.
08 de dezembro de 2025 /// 6 minutos de leitura

Ferrugem-asiática da soja é reconhecida como a doença mais severa da cultura no Brasil. Desde sua identificação no país, em 2001, permanece entre as maiores ameaças à produtividade, podendo provocar perdas de 10% a 90% conforme as condições climáticas, o nível de monitoramento e a eficiência do manejo adotado.

Causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, a ferrugem-asiática da soja tem alto potencial de disseminação e rápida evolução no campo, o que exige uma postura preventiva do produtor, com planejamento técnico e decisões embasadas em informações de qualidade.

 Convidados do Impulso Cast destacam os impactos da ferrugem na lavoura de    soja e explicam as principais estratégias de controle da doença.

Entenda como a ferrugem-asiática se desenvolve



O fungo responsável pela ferrugem-asiática da soja é classificado como biotrófico, ou seja, depende de tecido vegetal vivo para completar seu ciclo. A dispersão ocorre principalmente pelo vento, por meio de esporos de ferrugem, quando encontram temperatura e umidade favoráveis, a infecção se estabelece rapidamente.

Segundo Claudia Vieira, pesquisadora da Embrapa Soja e doutora em Fitopatologia, o ciclo do fungo é extremamente curto: “A cada 7 a 10 dias ocorre um novo ciclo de infecção, o que explica a velocidade de avanço da doença dentro da lavoura de soja”.

Por isso, o monitoramento contínuo é indispensável, sobretudo em períodos de maior umidade e temperaturas amenas, momento em que os sintomas da ferrugem-asiática tendem a surgir com mais facilidade e o controle da ferrugem-asiática da soja deve ser planejado com rigor.

Como identificar os sintomas da ferrugem-asiática?

A identificação em estágio inicial é um dos maiores desafios no manejo da ferrugem-asiática da soja. Os primeiros sinais costumam aparecer no baixeiro, como pequenas pontuações enegrecidas nas folhas, muitas vezes imperceptíveis a olho nu.

Segundo Ximena Vilela, gerente de Marketing de Fungicidas da Bayer, a atenção aos detalhes faz diferença: “No início, os sintomas são discretos e difíceis de visualizar. Uma boa prática é observar as folhas contra a luz para facilitar a identificação das lesões iniciais”.

Com a evolução da doença, as lesões se tornam mais evidentes e passam a liberar esporos, elevando o risco de disseminação. Nessa fase, é importante intensificar o monitoramento e planejar o controle químico da ferrugem-asiática na soja de forma preventiva.

Por que a ferrugem-asiática compromete tanto a produção?

A principal consequência da ferrugem-asiática da soja é a rápida desfolha da planta, que reduz a área fotossintética e compromete diretamente o enchimento de grãos.

Segundo Claudia Vieira, “a ferrugem começa nas folhas inferiores e avança rapidamente. Quando o produtor percebe folhas amareladas, muitas vezes o dano já está em estágio avançado”.

Ou seja, quando os sintomas se tornam visíveis a olho nu, a produtividade da safra de soja já pode estar comprometida.

Monitoramento e gestão de risco com o Consórcio Antiferrugem

Para apoiar produtores e técnicos no controle da ferrugem-asiática da soja, foi criado o Consórcio Antiferrugem, iniciativa nacional de monitoramento que reúne dados de instituições de pesquisa, cooperativas e produtores. A plataforma oferece informações em tempo real sobre a ocorrência da doença no Brasil, auxiliando na tomada de decisão e no manejo preventivo.

Por meio do aplicativo (Android e iOS), os usuários recebem alertas regionais e podem definir o momento ideal para iniciar as pulverizações preventivas, antes que os esporos de ferrugem-asiática provoquem infecções em larga escala. “Com os alertas, o produtor não precisa esperar a ferrugem-asiática aparecer em sua lavoura para agir”, reforça Ximena.

“Com os alertas, o produtor não precisa esperar a ferrugem-asiática aparecer em sua lavoura para agir”, reforça Ximena.

Como o clima influencia na proliferação da ferrugem-asiática?

A intensidade da ferrugem-asiática da soja varia conforme a região e o comportamento climático de cada safra. No Sul, fenômenos como El Niño e La Niña exercem forte influência: períodos de maior pluviosidade associados ao El Niño elevam o risco da doença, enquanto condições mais secas tendem a reduzir sua pressão.

No Cerrado, ajustes nos sistemas de cultivo e no calendário agrícola têm contribuído para menor incidência em determinadas áreas. Ainda assim, o acompanhamento das previsões climáticas e do histórico regional é parte essencial do manejo, especialmente para orientar aplicações preventivas e evitar a disseminação de esporos de ferrugem-asiática.

Boas práticas de manejo da ferrugem-asiática da soja

O controle da ferrugem-asiática da soja exige uma estratégia integrada. Nenhuma técnica isolada é suficiente para conter a doença de forma sustentada. Entre as principais boas práticas estão:

  • Cumprimento do vazio sanitário: reduz a presença inicial de esporos de ferrugem-asiática na paisagem agrícola;
  • Uso de cultivares com maior tolerância: diminui a velocidade de avanço e o risco de desfolha precoce;
  • Monitoramento constante da lavoura: inspeções frequentes, sobretudo em períodos úmidos, para detecção precoce dos sintomas da ferrugem-asiática da soja;
  • Aplicação preventiva de fungicidas: iniciar antes do estabelecimento da doença e manter rotação de mecanismos de ação para o controle químico da ferrugem-asiática na soja;
  • Escolha correta de produtos de amplo espectro: compatíveis com o alvo e com o estádio fenológico;
  • Respeito aos intervalos de aplicação: garante proteção contínua e reduz o risco de falhas no controle.

O vazio sanitário, adotado oficialmente desde 2006, foi um marco importante na redução do inóculo inicial da doença, regulamentação adaptada aos aspectos de cada estado.

Escolha assertiva de fungicidas

Para embasar a tomada de decisão no controle químico da ferrugem-asiática na soja, a Embrapa coordena uma rede nacional de ensaios que, anualmente, avalia a eficácia dos fungicidas registrados para a cultura.

Os resultados são públicos e estão disponíveis na plataforma da Rede de Fitossanidade Tropical, permitindo ao agricultor acompanhar quais produtos têm apresentado melhor desempenho ao longo do tempo.

Inovação a favor do campo

A evolução constante das doenças reforça a importância de investir em inovação. Empresas do setor mantêm programas de pesquisa e monitoramento de resistência, permitindo que as soluções acompanhem as transformações do campo.

A Bayer, por exemplo, mantém em Paulínia (SP) um laboratório dedicado ao monitoramento da resistência da ferrugem-asiática da soja e de outras doenças relevantes, como mancha-alvo, cercosporiose e podridão de grãos.

Em 2025, a empresa celebrou os 15 anos da família de fungicidas Fox®, com o lançamento do Fox® Ultra, tecnologia desenvolvida para ampliar o espectro de controle, aumentar a eficácia sobre diferentes esporos de ferrugem-asiática e contribuir para ganhos consistentes de produtividade.

Nos ensaios do Consórcio Antiferrugem, o Fox® Ultra apresentou desempenho de destaque, tanto em controle da doença quanto em produtividade, apoiando estratégias de ferrugem-asiática da soja controle com rotação de mecanismos de ação.

Diante de um cenário cada vez mais desafiador, investir em informação técnica, monitoramento e soluções integradas é a melhor forma de proteger o potencial produtivo da lavoura.

“A ferrugem-asiática exige atenção constante. O produtor de soja precisa acompanhar o clima, alertas regionais e agir de forma preventiva”, conclui Claudia.

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