A força do cooperativismo no agronegócio
Confira como a parceria entre cooperativas e agricultores é sinônimo de produtividade com sustentabilidade e desenvolvimento socialO cooperativismo no agronegócio brasileiro é muito mais do que um modelo de negócios: é um sistema baseado na colaboração, no desenvolvimento coletivo e no fortalecimento das comunidades. Criado no século XIX, na Inglaterra, esse formato ganhou força no campo e hoje se consolidou como um dos pilares da agricultura brasileira.
Em reconhecimento à relevância desse movimento em escala global, a ONU declarou 2025 como o Ano Internacional das Cooperativas, reforçando a importância do cooperativismo e de seus princípios para o desenvolvimento econômico e social.
Por que o cooperativismo é um modelo que cresce?
A história da Agrícola Sgariboldi, localizada na região de Piracicaba (SP), é um exemplo de como o cooperativismo fortalece produtores rurais e impulsiona o crescimento sustentável no agronegócio.
“Eu sou agricultor a vida inteira, tenho 76 anos e trabalho há 65. Sempre plantei cana”, conta Reginaldo Sgariboldi, fundador da empresa familiar.
A trajetória começou com um pequeno sítio de apenas 25 alqueires. Atualmente, a produção alcança em média 600 mil toneladas de cana-de-açúcar, com cerca de 9 mil hectares cultivados.
“É algo que meu avô começou, meu pai fez crescer e, agora, passa para a gente. Temos que fazer o negócio continuar”, afirma Reginaldo Sgariboldi Junior, gerente agrícola da empresa.
O papel fundamental da cooperativa
A Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo) é parte essencial dessa jornada. A instituição oferece suporte logístico e insumos agrícolas, além de mais confiabilidade e previsibilidade ao produtor rural que atua no agronegócio e cultiva cana-de-açúcar.
“A cooperativa ajuda muito porque ela tem preço. Dá firmeza nos custos. Você pode travar o valor dos produtos com antecedência, e ainda tem seu estoque garantido”, explica Reinaldo Junior.
Essa previsibilidade é fundamental em um setor no qual custos e riscos podem variar rapidamente. Assim, o cooperativismo organiza, fortalece e empodera o agricultor, criando um ambiente mais estável para a produção e estimulando o cooperativismo e o empreendedorismo no campo.
A origem do cooperativismo
“Cooperativa não é só uma empresa. É um modelo de vida que vai muito além das paredes da Coplacana”, afirma Marcos Farhat, presidente da cooperativa e com 32 anos de história dentro da instituição.
Hoje, a Coplacana reúne mais de 13 mil cooperados, representando diretamente o sustento de milhares de famílias no interior paulista e fortalecendo o agronegócio regional. Para Farhat, o cooperativismo é uma extensão da ideia moderna de ESG (sigla para Ambiental, Social e Governança), muito antes mesmo desse conceito se popularizar.
“As cooperativas nasceram pensando em desenvolvimento de pessoas, segurança, trabalho e crescimento. O cooperativismo moderno, criado em 1844 em Rochdale, na Inglaterra, já praticava o que hoje chamamos de ESG”, complementa.
Vantagens de estabelecer parcerias no cooperativismo
Parte da força da Coplacana está em suas parcerias estratégicas com grandes players do setor, como a Bayer, que há mais de 40 anos colabora com a cooperativa.
“Quando cheguei a Piracicaba, a Bayer já era parceira da Coplacana. Essa durabilidade mostra efetividade. Hoje é uma das principais fornecedoras de insumos e parceira em programas de inovação”, destaca Farhat.
O cooperativismo, portanto, exerce um papel decisivo na produtividade do agronegócio brasileiro. Ao unir tradição, inovação e propósito social, esse modelo transforma a vida de milhares de agricultores e contribui para a construção de um futuro mais justo e sustentável para todos.