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Controle o bicudo da cana para não ter prejuízos

13 de março de 2024

O Sphenophorus levis, também conhecido como bicudo da cana-de-açúcar, está se espalhando pelo Brasil e pode causar perdas de 20 a 30 toneladas de cana por hectare ao ano. Antes, o inseto era encontrado apenas em cidades do estado de São Paulo, mas agora também pode ser visto no Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás.

"Atualmente, o bicudo da cana é uma das principais pragas dessa cultura, sobretudo por se tratar de uma praga de solo. Isso significa que todas as fases - ovo, larva e pupa - ocorrem no interior do rizoma, no sistema radicular da planta, o que torna o controle muito mais difícil", comenta Odair Aparecido Fernandes, professor da Unesp de Jaboticabal.

Para não ter prejuízos no canavial, é fundamental monitorar as áreas, dando atenção especial para soqueiras novas e aos sintomas que o bicudo da cana pode causar:

  • Amarelecimento
  • Secamento das folhas
  • Morte de perfilho

Se a infestação for elevada, as touceiras morrem e podem ser observadas muitas falhas na rebrota, o que aumenta a incidência de plantas invasoras que irão competir com a cultura.

"Quando não ocorre o controle, tenho visto canaviais com dois ou três anos de vida tendo que ser reformados, quando que o normal são pelo menos cinco anos. Isso é extremamente sério porque leva a um aumento de custos e queda da produção de cana-de-açúcar", alerta o professor da Unesp.


Características e sintomas do Sphenophorus levis

Os insetos adultos do bicudo da cana tem 12 a 15 mm de comprimento, apresentam coloração castanho-escuro, com manchas pretas no dorso do tórax e listras longitudinais.

Eles possuem hábito noturno, pouca agilidade e ficam imóveis ao serem manipulados. Os danos são causados quando a praga ainda está em fase larval, apresentando coloração branco leitosa e depois se tornando amarela, com a cápsula cefálica de cor castanho-avermelhada.

Os sintomas podem ser confundidos com fitotoxidade, estresse hídrico e até aplicação excessiva de vinhaça, por isso é tão importante verificar a presença de larvas no interior dos colmos. Além disso, o Sphenophorus levis pode atingir áreas que ainda não estão infestadas, principalmente por meio de mudas infectadas e pelo tráfego do maquinário.


Métodos de controle

Os métodos de controle mais eficazes dessa praga são cultural, químico e biológico.

O controle cultural consiste na destruição mecânica das soqueiras, associado a um bom preparo do solo para que as larvas e pupas sejam destruídas e expostas a seus predadores.

É interessante também manejar a área destruída para que fique livre de vegetação hospedeira por períodos superiores a três meses.

Além disso, é recomendado fazer rotação de culturas com plantas não hospedeiras, usar mudas sadias na implantação da lavoura e realizar a limpeza dos maquinários nas mudanças de áreas de operação.

Já o controle químico consiste na utilização de inseticidas com aplicações preventivas no sulco de plantio durante a implantação do canavial, e na soqueira logo depois da colheita cortando a linha da cana.

Para maior eficácia, uma dica é o afastamento da palha da linha da cana para que o produto alcance o inseto, pois ele pode estar abrigado na palhada.

A novidade é que Curbix® agora tem registro para o controle do bicudo da cana. É um inseticida de contato e ingestão do grupo fenilpirazol, que combate rapidamente as infestações e protege a cultura por mais tempo com seu efeito de choque e longo período de controle.

"Curbix® possui longa meia vida no solo, entre 108 e 148 dias. Sua solubilidade faz com que o produto, mesmo em condições de bastante chuva, permaneça atuando por mais tempo", explica Ivandro Manteufel, agrônomo de desenvolvimento de mercado para cana-de-açúcar na Bayer.

Por fim, o controle biológico é feito por meio de fungos e nematoides entomopatogênicos, que são importantes inimigos naturais do bicudo da cana, responsáveis pela morte da praga.