Conheça estratégias para comercializar sua safra nos mercados internacionais
Os principais fatores que influenciam na formação de preço das commodities agrícolas e as perspectivas para a safra 2021/22A forte expansão da produção, da produtividade e da renda gerada pelas cadeias agroindustriais tem impulsionado o agronegócio brasileiro como um dos setores de maior inserção nos mercados internacionais. A tendência é de crescimento contínuo, com intensificação dos fluxos de comércio além das fronteiras — motivos mais que suficientes para o produtor acompanhar de perto suas oportunidades de comercialização, sobretudo em commodities agrícolas.
Em 2021, as exportações do agronegócio atingiram 120 bilhões de dólares, alta de 19,7% em relação a 2020, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Além disso, a balança comercial do setor fechou o ano com superávit de 105 bilhões de dólares, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), valor 19,8% superior ao de 2020. Esse desempenho reforça o papel estratégico do agro no equilíbrio das contas externas brasileiras, impulsionado, em grande parte, pela recuperação dos preços internacionais dos principais produtos exportados pelo país.
"Estamos numa agricultura globalizada, então temos que entender os componentes da formação de preços, como os contratos por desembolso no exterior, os prêmios dos portos de origem e de destino, a taxa de câmbio, além da questão climática, principal fator de garantia da oferta da agricultura", explica Marcos Araújo, sócio-diretor da Agrinvest Commodities.
Acompanhar os fatores que impactam o mercado é fundamental para definir boas estratégias de comercialização. A oferta dos grandes países produtores, por exemplo, afeta diretamente o preço das commodities agrícolas: quando há grande volume disponível, o valor agregado tende a cair.
O cenário geopolítico global também influencia as rotas de produção e escoamento, abrindo ou restringindo espaços para exportação e importação. Já o avanço das exportações brasileiras indica a força e a demanda dos nossos produtos no exterior.
Além disso, é importante observar os rendimentos da colheita em função do clima, uma vez que o bom desempenho da safra depende disso, e monitorar custos de produção e preços praticados, muitas vezes acompanhados em tempo quase real pelas plataformas de commodities agrícolas. Todos esses elementos interferem na formação de preços e são decisivos para identificar momentos de oportunidade, proteger a rentabilidade e reduzir riscos para o produtor.
Commodities agrícolas e a inteligência de mercado
A consultoria em comercialização de grãos da Agrinvest, oferecida pelo programa Impulso Bayer, é um serviço de inteligência de mercado especializado no agro, que auxilia na definição de estratégias de comercialização de acordo com a realidade de cada produtor e o cenário das commodities agrícolas hoje.
"As principais commodities agrícolas do Brasil têm formação de preço em bolsas do exterior, a exemplo da soja, na bolsa de Chicago, além do algodão e do café, na bolsa de Nova York. Oferecemos aos clientes acesso direto a essas bolsas para que façam suas operações de hedge, isto é, proteção de preço por meio de contratos futuros ou opções Put (venda) ou Call (compra)", conta Araújo.
Perspectivas para a safra 2021/22
Olhando para a safra de grãos no Brasil, segundo a Conab, a temporada 2021/22 deve alcançar cerca de 265 milhões de toneladas, volume ligeiramente menor que o estimado no relatório anterior, devido aos impactos do clima no campo. No cenário internacional, o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou a produção de milho em 1,206 bilhão de toneladas, aumento de 7,3% em relação à safra 2020/21.
Apesar do maior volume global, os estoques de milho ficaram 1,3 milhão de toneladas abaixo do registrado no mês anterior. Para a soja, a produção foi estimada em 353 milhões de toneladas, com queda de 2,8% em relação a fevereiro, resultando em uma produção global 3,4% menor do que na safra 2020/21. Como consequência da redução de oferta em alguns países produtores, os estoques de soja devem ficar em torno de 89,9 milhões de toneladas — 11,9 milhões de toneladas abaixo da safra anterior.
Estoques em níveis historicamente mais baixos, somados à demanda aquecida e à oferta limitada, desenham para o produtor um cenário favorável à exportação de commodities agrícolas, sustentando a valorização desses produtos no mercado internacional. Esse movimento reflete tanto as dificuldades climáticas quanto o cenário geopolítico, que impactam diretamente a produção, a logística e a comercialização.
O relatório Knowledge Exchange, do CoBank, aponta que os fluxos globais de grãos podem ser afetados por, pelo menos, dois anos agrícolas. Essa dinâmica, associada aos desafios de escoamento em importantes países produtores, gera déficit nas importações de grãos, que precisará ser compensado para atender à demanda global.
Projeções de longo prazo do USDA indicam que o Brasil deve seguir como protagonista no comércio internacional de produtos do agro. Os preços das commodities agrícolas tendem a se manter firmes, com ajuste gradual ao longo do tempo, após o período de patamares elevados, o que reforça a importância de estratégias bem definidas de exportação e gestão de riscos de preço para o produtor.