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Uma ameaça chamada cigarra-do-cafeeiro

A cigarra-do-cafeeiro é uma praga que ataca o sistema radicular do cafeeiro durante a fase de ninfa, quando se alimenta da seiva das raízes. Esse ataque causa queda de produtividade e enfraquecimento do cafezal. Saiba como manter a praga longe da sua plantação
18 de novembro de 2022 /// 7 minutos de leitura

A cigarra-do-cafeeiro (Quesada gigas) é uma das principais pragas do sistema radicular do cafeeiro. Durante sua fase de ninfa, o inseto se instala no solo e se alimenta da seiva das raízes, provocando redução de produtividade, enfraquecimento das plantas e, em casos mais severos, a morte do cafeeiro.

De acordo com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), a cigarra causa danos à Cultura Do Café durante sua fase de “ninfa-móvel”. Neste período, a praga fica alojada nas raízes do cafeeiro, alimentando-se de sua seiva.

A cigarra do cafeeiro ataca, principalmente, lavouras adultas. Cafezais que se encontram entre o 4º ou 5º ano de cultivo raramente são afetados pela praga.

Infestações severas da cigarra-do-cafeeiro podem causar reduções expressivas de produtividade e diminuir a longevidade do cafezal, principalmente em lavouras adultas e em regiões com histórico recorrente da praga.

Ciclo de vida e comportamento da cigarra-do-cafeeiro


A cigarra do cafeeiro é uma das Principais Pragas Da Cultura Do Café.

Para monitorar a praga é importante saber identificá-la no campo por meio de suas características visuais e comportamentais.

Em cada etapa do ciclo da praga, há um hábito importante que deve ser observado no campo.

Cigarra-do-cafeeiro adulta

Macho à esquerda e fêmea à direita de Q. gigas - EPAMIG - Crédito Paulo Rebelles Reis
Macho à esquerda e fêmea à direita de Q. gigas - EPAMIG - Crédito Paulo Rebelles Reis

Na fase adulta, a cigarra do cafeeiro apresenta corpo robusto e coloração escura, com dois pares de asas transparentes e olhos grandes compostos.

A cigarra adulta vive, geralmente, entre os meses de setembro e março.

Neste período, as fêmeas depositam ovos no tronco das plantas de café, de onde eclodem as ninfas-móveis, que se infiltram no solo para parasitar as raízes.

Ovos de cigarra-do-cafeeiro

Os ovos de cigarra do cafeeiro são brancos, hialinos e alongados. Medem 2,0 mm de comprimento e 0,30 mm de largura.

A fêmea prefere as partes mais altas da planta de café para ovipositar, onde geralmente procura por ramos secos. Os ovos são colocados agrupados.

A ninfa

Ninfas móveis de Q. gigas no solo - EPAMIG - Crédito Paulo Rebelles Reis
Ninfas móveis de Q. gigas no solo - EPAMIG - Crédito Paulo Rebelles Reis

É na fase ninfa que a cigarra do cafeeiro causa os maiores impactos na lavoura.

Logo após eclodir, a ninfa, que ainda é uma larva, desce pelo tronco da planta de café até o solo, onde penetra para se alojar em torno das raízes principais e mais grossas.

Com seu aparelho bucal sugador, a praga começa a extrair seiva da planta de café.

Como não podem eliminar a terra que cavam, as ninfas umedecem bastante o solo com a seiva excretada e comprimem solo e excreção para formar a cavidade onde vão viver e se alimentar até se tornarem adultas.

Neste momento, a cigarra do cafeeiro se encontra na fase de “ninfa móvel” e apresenta corpo robusto, de cor parda e olhos claros.

A maior concentração de ninfas costuma ocorrer entre 20 e 40 cm de profundidade na região próxima às raízes principais do cafeeiro. Nesses locais, também é possível identificar as galerias que a praga forma ao longo do tempo.

As ninfas móveis de cigarra-do-cafeeiro podem medir 34 mm de comprimento por 14 mm de largura.

A transformação da ninfa em adulto

O período de desenvolvimento das ninfas no solo pode durar cerca de dois anos, dependendo das condições ambientais e da disponibilidade de alimento. Após esse período, alimentando-se das raízes da planta de café, a cigarra cava furos para subir até a superfície.

O objetivo da praga nesta etapa é entrar em sua última fase antes de se tornar adulta - a ninfa imóvel.

Ao emergir do solo, as ninfas pousam no tronco da planta, onde aguardam por cerca de 2 horas para que ocorra a famosa “troca de casca”. Neste processo, a praga muda de exoesqueleto e se transforma em uma cigarra do cafeeiro adulto.

A partir deste momento, os adultos passam a voar por longas distâncias em busca de acasalamento.

Segundo a Empresa De Pesquisa Agropecuária De Minas Gerais (Epamig), as dimensões da cigarra do cafeeiro adulta são as seguintes:

Machos Fêmeas
47,5 mm de comprimento 37,5 mm de comprimento
20,0 mm de largura 16,5 mm de largura
70,0 mm de comprimento total (Incluindo as asas) 69,0 mm de comprimento total

Fonte: Epamig.

Condições que favorecem a infestação da cigarra-do-cafeeiro

A ocorrência da cigarra-do-cafeeiro está associada a fatores ambientais e ao manejo adotado na lavoura.

Os momentos em que a pressão de cigarra do cafeeiro pode aumentar na lavoura coincidem com o ciclo de desenvolvimento do inseto.

Neste cenário, devemos considerar que, de agosto a dezembro, os adultos costumam emergir do solo e, de setembro a março, as fêmeas adultas realizam a oviposição.

A falta de árvores ou de áreas de preservação ambiental nos arredores da lavoura também pode favorecer a ocorrência da cigarra-do-cafeeiro. Nestas condições, há uma diminuição dos inimigos naturais.

Danos causados pela cigarra-do-cafeeiro

Quando não manejada adequadamente, a cigarra-do-cafeeiro causa prejuízos à cultura do café por conta de seu hábito alimentar durante a fase ninfa móvel.

Enquanto se alimenta da seiva na raiz da planta de café, a lavoura reduz drasticamente o aproveitamento de água e nutrientes.

Além disso, a cultura tende a responder muito mal ao manejo nutricional ao longo da safra.

Vale lembrar que, em períodos de poucas chuvas, o prejuízo causado pela praga tende a aumentar.

Os danos causados são:

  • Clorose nas folhas.
  • Queda precoce de folhas.
  • Morte das raízes atacadas.
  • Redução do vigor vegetativo das plantas.
  • Má granação dos frutos.
  • Redução de produtividade.
  • Redução da vida útil das lavouras.
  • Morte da planta em caso de ataques severos da praga.
  • Maior sensibilidade da lavoura a períodos de estiagem.

Manejo integrado da cigarra-do-cafeeiro


O manejo da cigarra-do-cafeeiro exige monitoramento para identificação de nível de controle e adoção de ferramentas integradas de manejo.

O monitoramento periódico do solo é essencial para identificar precocemente a presença da praga e permitir a tomada de decisão no momento adequado.

Para monitorar a praga, é importante raspar a superfície do solo abaixo da copa das plantas de café com mais de cinco anos. O objetivo desta prática é identificar perfurações no solo.

Havendo perfurações, é recomendado abrir trincheiras no local para realizar a coleta e contagem de população da praga.

O nível de dano econômico geralmente é considerado entre 20 e 30 ninfas por planta, indicando a necessidade de adoção de medidas de manejo.

Os métodos de manejo são:

  • Controle cultural
    Lavouras com infestação excessiva ou com baixa capacidade de recuperação são arrancadas para que seja realizado o plantio de um novo cafezal.
  • Recepa
    É uma poda drástica da planta de café, que mata a maior parte do sistema radicular do cafeeiro, reduzindo a população de ninfas. Acontece quando a lavoura ainda pode ser recuperada.
  • Controle biológico
    O controle biológico pode ocorrer naturalmente pelos fungos de solo. Aumentar o teor de matéria orgânica do solo favorece o desenvolvimento desses inimigos naturais.
  • Controle químico
    Quando o monitoramento identifica o NDE da praga na lavoura, o controle químico deve ser realizado para evitar maiores prejuízos.

Manejo químico da cigarra-do-cafeeiro com Premier®


Uma das ferramentas disponíveis para o controle da cigarra-do-cafeeiro é o inseticida Premier ®, da Bayer.

O produto apresenta ação sistêmica e atividade por contato e ingestão, permitindo que o ingrediente ativo seja absorvido pelas plantas e alcance as pragas que se alimentam da seiva, como ocorre no caso das ninfas da cigarra presentes no sistema radicular do cafeeiro.

Quando aplicado no momento adequado, Premier contribui para reduzir a população da praga no solo e proteger o sistema radicular da planta, favorecendo o desenvolvimento saudável do cafeeiro.

Seu posicionamento é recomendado principalmente no início do período chuvoso, quando as condições de umidade do solo favorecem a absorção do produto e a movimentação do ingrediente ativo na planta.

Complemento ao manejo com Sivanto® Prime


Outra solução que pode ser utilizada dentro de programas de manejo integrado é o inseticida Sivanto® Prime.

O produto possui como ingrediente ativo a flupiradifurona, pertencente a uma classe química moderna de inseticidas que atua no sistema nervoso dos insetos sugadores. Sua ação promove rápida interrupção da alimentação das pragas, reduzindo os danos causados às plantas.

No manejo do cafeeiro, Sivanto® Prime pode ser utilizado como parte de programas de rotação de inseticidas, contribuindo para a gestão de resistência e para a proteção da lavoura contra diferentes pragas sugadoras e minadoras, mantendo o equilíbrio do sistema produtivo.

O controle eficiente da cigarra do cafeeiro depende de uma estratégia integrada que combine monitoramento constante, práticas culturais adequadas e o uso correto de soluções químicas e biológicas. Identificar precocemente a presença da praga e agir no momento adequado é fundamental para evitar danos ao sistema radicular e preservar o vigor das plantas. Ao adotar um manejo bem planejado e tecnologias eficientes de controle, o produtor consegue reduzir perdas, manter a sanidade da cultura e obter maior produtividade e longevidade ao cafezal.

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