Coró-da-soja: conheça os sintomas e como combatê-lo
O coró-da-soja é uma larva que ataca as raízes da planta de soja, podendo levá-la à morte. Conheça as melhores estratégias de manejo para acabar com essa praga.Os primeiros relatos de surtos expressivos de corós no Brasil ocorreram a partir da década de 1990, especialmente na região Sul. Atualmente, a praga está amplamente distribuída em importantes regiões produtoras de soja, com registros frequentes no Cerrado e no Sul do país.
Também chamado de “pão-de-galinha” ou “bicho bolo”, o coró-da-soja ataca o sistema radicular da oleaginosa e apresenta um grande potencial de danos, podendo causar perdas severas, especialmente em áreas com alta infestação e sem manejo adequado, com reduções expressivas de estande e produtividade.
O manejo do coró-da-soja é um dos principais desafios no controle de pragas de solo na cultura da soja, exigindo estratégias integradas e planejamento antecipado.
O primeiro passo para evitar esse prejuízo é entender as características dessa praga. Neste artigo, explicaremos o ciclo de vida do coró-da-soja, seus impactos na lavoura e quais as melhores estratégias de manejo para eliminar essa praga da fazenda.
O que é o coró-da-soja?
O coró-da-soja é o nome popular de várias espécies de larvas de besouros rizófagos, pertencentes à ordem Coleoptera, família Scarabaeidae. Isso significa que esses besouros vivem no solo e atacam o sistema radicular das plantas da soja, causando prejuízos significativos à lavoura.
No Brasil, o gênero Phyllophaga é considerado o principal responsável pelas espécies de corós que atacam culturas de interesse econômico no país.
Desse grupo, há duas espécies de corós que atacam com frequência a cultura da soja: o Phyllophaga capillata e o Phyllophaga cuyabana, sendo esta última uma das mais importantes economicamente devido à sua ampla distribuição e potencial de dano.
O P. capillata é comum nas regiões do Distrito Federal e Goiás, é conhecido como Coró-da-soja-do-cerrado. Já o P. cuyabana é encontrado principalmente nas regiões Oeste e Centro-Oeste do Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás.
Por ser uma das espécies mais comuns do complexo de pragas que atacam as raízes da soja, o P. cuyabana é o tipo de coró mais estudado.
Conheça as características dessa espécie a seguir:
Ciclo de vida do P. cuyabana
Segundo a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a espécie P. cuyabana se reproduz apenas uma única vez ao ano. A reprodução do inseto ocorre no início da estação chuvosa, o que pode variar conforme as condições climáticas de cada região e os padrões de chuva, especialmente em anos com irregularidade hídrica.
Os ovos são colocados no solo, geralmente de 3 cm a 15 cm de profundidade. Quando eclodem, o inseto passa por três instares ou estádios larvais.
Nessas fases, ele apresenta um formato curvado, coloração esbranquiçada e três pares de pernas torácicas e cabeça marrom-amarelada. Além disso, ele pode atingir 4 cm de comprimento.
As larvas de primeiro instar geralmente são registradas entre novembro e janeiro; as de segundo instar, entre dezembro e fevereiro; e as de terceiro instar, entre janeiro e abril.
As larvas do inseto se mantêm no solo por cerca de 130 dias, período em que se alimentam das raízes secundárias da soja, dificultando a absorção de água e nutrientes.
No entanto, os prejuízos causados pela P. cuyabana na cultura da soja são maiores nos estádios de segundo e terceiro instares, quando o consumo radicular é mais intenso.
No terceiro estádio, a larva constrói um casulo e entra em diapausa. Normalmente, as pupas do inseto são observadas em setembro, enquanto a emergência de adultos ocorre em outubro.
Todo o desenvolvimento do coró-da-soja ocorre no interior do solo. Na fase adulta, a fêmea se alimenta de pequenas quantidades de folhas, e os machos fazem revoadas noturnas para acasalamento.
Vale lembrar que o clima seco, com pouca chuva e temperaturas elevadas favorecem o desenvolvimento dessa praga e até determina o início das revoadas dos adultos.
Qual o impacto do coró-da-soja nas plantações de soja?
Os danos causados pelo coró-da-soja variam conforme o estádio de desenvolvimento do inseto e do tamanho da infestação.
Eles são causados pelo consumo do sistema radicular das plantas, problema que ocorre tanto em lavouras cultivadas em sistema de plantio direto quanto no preparo convencional do solo.
Segundo a Embrapa, além de consumirem as raízes das plantas, as larvas do coró se alimentam dos nódulos de Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN). Por isso, a capacidade de absorção de água e nutrientes da planta é reduzida, podendo comprometer significativamente o desenvolvimento da cultura e causar reduções de produtividade que podem ultrapassar 30% em áreas infestadas.
Como resultado, a planta pode desenvolver vários sintomas de ataque de coró-da-soja, como desenvolvimento atrasado, seguido por amarelecimento e murcha completa. Plantas mortas também podem indicar o ataque dessa praga.
Esses sintomas aparecem em reboleiras ou manchas, distribuídos de forma irregular na lavoura, podendo alcançar poucos metros a dezenas de hectares.
Quando o nível de infestação é elevado, os sistemas radiculares das plantas podem ser reduzidos de forma significativa, prejudicando o estande, a uniformidade e a produtividade da lavoura.
O impacto do ataque dessa praga pode ser ainda maior em plantas cultivadas em solos com baixa fertilidade, compactação e baixa atividade biológica.
Como acabar com o coró-da-soja?
Para eliminar o coró-da-soja da lavoura, o produtor deve investir no chamado Manejo Integrado de Pragas (MIP), sendo uma das principais estratégias sustentáveis para o controle de pragas de solo na soja. Essa abordagem envolve a combinação de diferentes estratégias de prevenção e controle de pragas. O objetivo é reduzir as condições favoráveis ao desenvolvimento de infestações.
Como resultado, o sojicultor diminui a aplicação de defensivos e os custos operacionais, enquanto aumenta a eficiência do controle e proteção da lavoura. Por isso, o MIP é uma das abordagens que integram a chamada agricultura sustentável.
Confira abaixo quais as principais estratégias de controle de pragas do MIP que devem ser aplicadas para acabar com o coró-da-soja.
Monitoramento do solo
Investir no monitoramento de pragas é uma das estratégias mais importantes para o manejo eficiente do coró-da-soja. Afinal, essa prática permite a identificação precoce das larvas e a adoção de medidas adequadas para eliminá-las antes que sua população aumente.
Esse monitoramento deve ser feito desde antes do plantio de soja, por meio de amostragem de solo padronizada e escavação de trincheiras, visando detectar larvas e ovos de coró na área de plantio.
Para isso, é importante fazer a amostragem do solo antes do início da semeadura, medida que facilita a identificação de áreas infestadas, do estádio e nível populacional do coró-da-soja.
O monitoramento do solo deve continuar ao longo de todo o ciclo da cultura e ser mantido até o cultivo de culturas subsequentes, como milho, algodão, milheto ou girassol.
Uso de armadilhas
As formas adultas dos corós normalmente apresentam uma forte atração pela luz. Por isso, é recomendável utilizar armadilhas luminosas durante o período de emergência dos insetos do solo.
Dessa forma, é possível capturar os indivíduos adultos, contribuir para o monitoramento da praga e impedir a sua reprodução, reduzindo sua infestação na lavoura.
Rotação de culturas
A rotação de culturas é uma estratégia de controle cultural que visa auxiliar na redução de populações de corós nas próximas safras.
Para que o uso dessa estratégia seja eficiente, o ideal é rotacionar culturas hospedeiras com espécies não hospedeiras.
A crotalária, especialmente a Crotalária spectabilis, e o algodão podem ser utilizados em rotação com a soja em áreas infestadas com P. cuyabana e P. capillata.
Semeadura na época certa
Considerando a dinâmica populacional de adultos e das larvas de corós na região da fazenda, o produtor pode planejar o plantio da soja para evitar danos causados pela praga.
Em áreas com históricos de infestação por corós, a semeadura da soja deve ser feita no início da época recomendada para o plantio na região, conforme orienta o calendário agrícola.
Essa medida é importante para evitar que o plantio da soja coincida com o período de picos populacionais da maioria das pragas rizófagas. O ideal é que a semeadura seja realizada antes da ocorrência de revoadas de adultos de corós.
Adubação adequada
A correção da fertilidade e da acidez do solo aumenta a tolerância da soja aos danos provocados pelo coró. Por isso, é importante fazer a análise do solo e utilizar seus resultados para fazer uma adubação eficiente e equilibrada na área de plantio.
A inoculação de sementes com bactérias fixadoras de nitrogênio também contribui para essa adubação, já que a medida pode promover o crescimento radicular da soja e o aumento da sua tolerância ao ataque dos corós.
Controle biológico
O controle biológico dos corós pode ser realizado com o apoio de produtos à base de fungos, como as espécies Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana, com resultados variáveis dependendo das condições ambientais, especialmente umidade do solo e temperatura. O uso de parasitoides de larvas da ordem Diptera também auxilia no controle da espécie P. cuyabana.
Controle químico
O manejo químico do coró-da-soja consiste no uso de tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos e de contato com aplicação no sulco de semeadura ou via tratamento de sementes.
No entanto, o tratamento de sementes é considerado a estratégia de controle químico mais eficiente para prevenir infestações e proteger a lavoura.
Nesse contexto, o uso de soluções completas no tratamento de sementes, como o Bayer Guardião para a cultura da soja, desempenha um papel fundamental no manejo do coró e de outras pragas de solo. Essa tecnologia atua protegendo as sementes desde a germinação, formando uma barreira inicial contra o ataque das larvas e reduzindo os danos ao sistema radicular nos estádios mais críticos da cultura.
Dentro dessa abordagem, o sistema Bayer Guardião integra inseticidas como Gaucho®, CropStar®, Cernis® (Diamida) e Beque®, que atuam de forma complementar no controle de pragas de solo. Essa combinação permite atingir o coró-da-soja ainda nas fases iniciais de desenvolvimento, reduzindo sua atividade no solo e limitando os danos às raízes. Com isso, há uma proteção mais eficiente da plântula no momento mais sensível da cultura, contribuindo para um estabelecimento mais uniforme e com menor risco de perdas causadas pelo ataque das larvas.
Entre os principais benefícios dessa abordagem, destacam-se a proteção do sistema radicular desde o início do desenvolvimento, a redução de falhas no estande e a promoção de uma emergência mais uniforme das plantas. Esses fatores são determinantes para o bom estabelecimento da lavoura, especialmente em áreas com histórico de infestação por pragas de solo, além de fungos e nematoides.
Além disso, o uso do tratamento de sementes contribui para a diminuição da pressão populacional do coró ao longo do ciclo, uma vez que reduz a sobrevivência inicial das larvas. Esse efeito é essencial dentro de programas de Manejo Integrado de Pragas, pois auxilia no manejo de resistência e na sustentabilidade das estratégias de controle ao longo das safras.
Outro ponto relevante é que o tratamento de sementes com soluções eficientes permite maior previsibilidade no estabelecimento da cultura, reduzindo a dependência de intervenções emergenciais e otimizando o uso de outros insumos ao longo do ciclo produtivo.
Essas estratégias demonstram que a melhor forma de eliminar o coró-da-soja da lavoura e evitar seus danos é investindo em medidas preventivas, conforme orienta o MIP. Por isso, o sojicultor precisa se planejar para adotar essas práticas na fazenda e garantir uma safra de soja produtiva.
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