Blog do Agro

Rotação de culturas para manejo de nematoides no algodoeiro

A rotação de culturas com crotalária e braquiárias pode ajudar a manejar nematoides em lavouras de algodão.
20 de julho de 2020
raízes de algodão na rotação de culturas

Os nematoides estão entre os principais desafios fitossanitários do algodoeiro, podendo causar perdas superiores a 30% a 50% da produtividade, dependendo da espécie e do nível de infestação. Segundo a Embrapa, o manejo eficiente dessas pragas exige a adoção de estratégias integradas, com destaque para a rotação de culturas.

Nos últimos anos, esses patógenos têm ganhado cada vez mais destaque na cotonicultura, devido ao seu potencial de dano – em situações severas, podem provocar reduções superiores a 50% na produtividade. Além disso, seu manejo é desafiador, uma vez que, após a instalação da cultura, as opções de controle são limitadas, reforçando a importância de estratégias preventivas.

Nematoides no algodoeiro

Os nematoides são vermes de corpo cilíndrico e alongado, medindo de 0,3 mm a 3 mm. Esses parasitas têm um estilete bucal que permite a extração de nutrientes das plantas e facilita a introdução de substâncias tóxicas nas células vegetais.

Geralmente, presentes no solo, atuam diretamente nas raízes, sendo o parasitismo identificado por sintomas como formação de galhas, escurecimento radicular e redução do desenvolvimento das plantas.

Os principais nematoides que causam danos ao algodoeiro são:

  • Nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita)
    Responsável pela formação de galhas nas raízes, causando alterações celulares que comprometem a absorção de água e nutrientes. Como consequência, pode ocorrer a redução da área foliar, deficiências nutricionais e murcha em períodos mais quentes do dia.

  • Nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis)
    Provoca redução no crescimento e ramificação nas raízes, além de plantas com menor porte. Os sintomas visuais nas raízes são menos evidentes, o que dificulta sua identificação em campo.

  • Nematoide-das-lesões-radiculares (Pratylenchus brachyurus)

    Causa escurecimento das raízes e redução no desenvolvimento das plantas. Seus sintomas são mais difíceis de observar e geralmente estão associados a níveis elevados de infestação.


Esses patógenos afetam diretamente o sistema radicular, comprometendo a absorção de água e nutrientes, o que resulta em plantas menos vigorosas e menor potencial produtivo.

Manejo de nematoides no algodoeiro

Não há uma única solução isolada para o manejo eficiente de nematoides. O controle deve ser baseado em um conjunto de práticas integradas, com foco na prevenção e na redução populacional ao longo do tempo.

Entre as principais estratégias, destacam-se:

• Limpeza de reservatórios de água e canais de irrigação
• Higienização de máquinas e implementos agrícolas, especialmente após áreas infestadas
• Evitar sucessão de culturas suscetíveis
• Uso de cultivares tolerantes
• Manejo adequado do solo
• Rotação de culturas

Além disso, os nematoides podem sobreviver por longos períodos no solo, mesmo na ausência de hospedeiros, o que reforça a necessidade de um manejo contínuo e planejado.

A rotação de culturas no algodoeiro

A rotação de culturas é uma das estratégias mais eficazes no manejo de nematoides no algodão, pois contribui para a redução da população no solo ao longo das safras.

No entanto, em muitas regiões produtoras, essa prática ainda é adotada com foco prioritariamente econômico, sem considerar seu impacto fitossanitário. Um exemplo comum é a sucessão algodão–soja, que pode favorecer a manutenção de nematoides, já que ambas as culturas são hospedeiras de espécies semelhantes.

Nesse cenário, a escolha das culturas para rotação deve ser estratégica, priorizando espécies que não sejam hospedeiras ou que apresentem baixo fator de multiplicação dos nematoides.

A escolha inadequada pode resultar no efeito contrário, mantendo ou até aumentando a população desses patógenos no solo, comprometendo a produtividade das safras seguintes.

Culturas recomendadas para rotação

Crotalaria spectabilis

Leguminosa de verão amplamente utilizada no manejo de nematoides, com eficiência na redução de espécies como nematoide-das-galhas e reniforme. Destaca-se pela fixação biológica de nitrogênio e elevada produção de massa verde.

Braquiárias (Brachiaria decumbens e Brachiaria ruziziensis)

Amplamente utilizadas como plantas de cobertura, contribuem para a melhoria da estrutura do solo e auxiliam na redução da população de nematoides. Além disso, favorecem sistemas de plantio direto e promovem benefícios físicos, químicos e biológicos ao solo.

É fundamental que a escolha das culturas seja baseada no histórico da área e nas espécies de nematoides presentes, garantindo eficiência agronômica e viabilidade econômica.

Manejo químico de nematoides no algodoeiro

Embora a rotação de culturas seja uma estratégia fundamental, o manejo químico é uma ferramenta essencial para complementar o controle de nematoides, especialmente em áreas com histórico de alta infestação.

O uso de tratamento de sementes associado a aplicações no sulco permite proteger o sistema radicular desde os estádios iniciais da cultura, favorecendo um melhor estabelecimento da lavoura.

Nesse contexto, o tratamento de sementes com Bayer Guardião atua como uma importante primeira linha de defesa, protegendo as plântulas contra o ataque inicial de nematoides. Essa tecnologia contribui para maior uniformidade de emergência, melhor desenvolvimento inicial e maior vigor das plantas.

Complementando essa estratégia, o uso de Verango® Prime no sulco de plantio proporciona proteção prolongada do sistema radicular, atuando diretamente na redução da população de nematoides na região das raízes. Essa ação favorece maior absorção de água e nutrientes e contribui para o melhor desenvolvimento da cultura ao longo do ciclo.

A integração dessas soluções dentro de um programa de manejo permite reduzir o estresse inicial das plantas, melhorar o desenvolvimento radicular e preservar o potencial produtivo da lavoura.

O manejo eficiente de nematoides no algodoeiro depende da integração de estratégias como rotação de culturas, monitoramento e uso de tecnologias químicas. A adoção dessas práticas é fundamental para reduzir perdas, preservar o potencial produtivo e proporcionar maior sustentabilidade e rentabilidade ao produtor.

exclusivo para usuários logadosArtigos com seus temas de interesseRealize seu login para escolher os temas de seu maior interesse. Você poderá acessá-los a qualquer momento, sem perder de vista nenhum conteúdo de relevância pra você.