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Pragas iniciais no trigo e a importância do tratamento de sementes

Corós, pulgões e percevejos são as principais pragas que oferecem riscos ao estabelecimento da lavoura de trigo22 de julho de 2022

O tratamento de sementes é uma prática considerada de baixo custo comparável aos benefícios que proporciona ao estabelecimento e produtividade das lavouras. Devido à relação custo vs benefício, essa tecnologia tem sido cada vez mais aprimorada e utilizada. Além disso, é crescente também a conscientização dos produtores sobre a necessidade de proteger as sementes contra o ataque de pragas e doenças iniciais.

Em relação às pragas, diversas espécies, como lagartas, percevejos, cigarrinhas, brocas, dentre outras, podem atacar os cultivos precocemente e causar reduções de estande e desuniformidade de plantas.

Na cultura do trigo isso não é diferente. O número de pragas que podem atacar sementes e plântulas em seus estágios iniciais tem aumentado significativamente gerando perdas produtivas na cultura. Dentre as principais pragas iniciais no trigo, temos aquelas de solo, já presentes na área antes mesmo do plantio, como os corós; aquelas de parte aérea que também podem estar presentes antes do plantio, como os percevejos; e aquelas que migram para a área logo após a emergência das plantas, como os pulgões. Geralmente, entende-se por praga inicial aquelas que podem atacar da semente até a fase de emborrachamento ou pré-espigamento da cultura.

Os corós

Os corós são larvas de coleópteros que vivem no solo. Nem todo coró é praga do trigo. A principal espécie de praga é o Phyllophaga triticophaga. Por serem rizógafos, os corós comem as raízes das plantas, podendo destruí-las por completo, trazendo danos como a mortalidade, comprometendo a capacidade de produção. São pragas polífagas que podem se alimentar de raízes de várias espécies de plantas. As estratégias de manejo devem ser pensadas antes da instalação da cultura na área.

Pulgões

Os pulgões podem migrar para a lavoura de trigo logo após a emergência de plantas. Diversas espécies podem atacar os cereais de inverno, mas algumas delas ganham destaque pela maior frequência e severidade de infestação, como é o caso do pulgão-da-folha, Metopolophium dirhodum.

Os danos associados ao ataque de pulgões podem ser diretos, pela sucção de seiva e danos foliares, ou indiretos, pela transmissão de viroses. A principal virose transmitida é a conhecida por VNAC (Vírus do Nanismo Amarelo da Cevada). A ocorrência dessa virose pelo ataque precoce de pulgões pode ser responsável por grandes perdas de potencial produtivo das lavouras, e tem ocorrido com frequência em lavouras do Sul do Brasil, principalmente no estado do Paraná.

Percevejo barriga-verde

Espécies do percevejo barriga-verde, Dichelops furcatus e Dichelops melacanthus, podem atacar o trigo em estágios iniciais de desenvolvimento, similar ao que ocorre no milho. O ataque pode refletir em problemas no perfilhamento, redução do desenvolvimento de plantas e redução no rendimento de grãos.

A proteção contra as pragas inicia-se na semente

Pragas iniciais de solo e parte aérea justificam medidas protetivas com uso de inseticidas no tratamento de sementes. Inseticidas com ação sistêmica podem ser absorvidos e translocados na planta, oferecendo controle na fase inicial de desenvolvimento. Dentre os grupos de inseticidas mais utilizados para essa finalidade estão os neonicotinóides, que apresentam bom residual de controle e amplo espectro de ação sobre diversas pragas.

Confira os principais benefícios do tratamento de sementes em trigo:

  • Ajuda a estabelecer estande adequado de plantas;
  • Auxilia na maior uniformidade de plantas;
  • Contribui para maior crescimento de plantas;
  • Força anti-stress favorecendo vigor de plantas e adequado perfilhamento;
  • Possibilita maior produtividade dos grãos;

Diversos trabalhos evidenciam que se pode alcançar um efetivo controle de coró com o uso de um adequado tratamento de sementes, especialmente na região Sul do Brasil, em áreas de plantio direto, onde essa praga tem sido mais frequente. Os inseticidas tiodicarbe e imidacloprido são opções eficientes na redução de perdas pelo ataque de corós em cereais de inverno.

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