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Etanol de Milho: tendências e oportunidades

Saiba como o etanol de milho, biocombustível produzido a partir do milho, amplia as oportunidades de negócio para os produtores rurais brasileiros.
07 de março de 2025 /// 9 minutos de leitura

A produção de milho, uma das culturas mais relevantes e amplamente cultivadas no Brasil, vem conquistando um novo protagonismo no agronegócio.

O crescimento da indústria de biocombustíveis, impulsionado pela produção de etanol de milho no Brasil, tem aberto novas oportunidades para os produtores rurais, especialmente com a valorização da safrinha. Esse cereal, que já figura entre os principais produtos agrícolas do país, assume agora um papel estratégico, com impactos diretos na rentabilidade e na sustentabilidade das lavouras.

De acordo com Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado da Agrinvest Commodities, o milho e o etanol estão intrinsecamente ligados: “não há como discutir a tendência do milho sem falar do etanol de milho”, afirma.

O especialista explica que, embora a safra 2025/2026 tenha começado com certo estresse devido à janela de plantio, especialmente no Cerrado brasileiro, o Mato Grosso, responsável por cerca de 48% da produção nacional, já havia semeado 70% da área até a última semana de fevereiro.

Apesar do risco associado ao atraso na semeadura, a demanda crescente pelo cereal, impulsionada pelo aumento dos preços e pelo avanço das usinas de etanol de milho, representa uma oportunidade promissora para os produtores.


A perspectiva do mercado de biocombustíveis


O mercado de etanol de milho vem ganhando cada vez mais relevância no cenário nacional. Segundo Paulo Trucco da Cunha, diretor da FS Fueling Sustainability, essa indústria se consolida como um complemento estratégico ao etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. “O etanol de milho veio para ficar no Brasil. Ele tem um papel complementar ao etanol de cana-de-açúcar, e há espaço para os dois, dentro de um mercado promissor”, afirma.

Uma das vantagens da produção de etanol à base de milho no Brasil é a possibilidade de operar de forma contínua, garantindo uma demanda constante pelo cereal ao longo do ano, diferentemente do modelo sazonal da cana-de-açúcar. Trucco projeta um crescimento considerável na produção de etanol de milho no Brasil: “até o final da safra 2025, a produção de etanol de milho deve atingir cerca de 8,5 milhões de metros cúbicos, e as projeções indicam que esse volume pode dobrar até 2028.”


O papel da safrinha na produção do etanol de milho


A safrinha de milho, também chamada de segunda safra, tem se tornado um pilar estratégico da produção agrícola nacional. Guilherme Hungueria, Gerente da Cultura de Milho na Bayer, explica que, além de sua relevância histórica para o Brasil, o milho hoje se beneficia de uma forte demanda interna, principalmente para a alimentação de animais, a produção de comida e, agora, a fabricação de biocombustíveis. “A demanda está aquecida, e a perspectiva de preços mais atrativos para o milho é um fator positivo para os produtores”, destaca Hungueria.

O especialista da Bayer também observa que o cenário para a safrinha 2024/2025 é promissor, com rentabilidade superior à dos anos anteriores. Esse avanço se deve principalmente ao aumento da demanda interna e à valorização do cereal, impulsionada tanto pelo consumo no mercado doméstico quanto pelo crescimento das usinas de etanol de milho no Brasil.

“Nos últimos anos, a rentabilidade do agricultor foi bem diferente do que está se desenhando para a próxima safra. A demanda pelo grão está forte em todas as frentes, o que garante preços mais atrativos”, conclui.


Mais demanda por etanol de milho


O etanol de milho não apenas complementa a produção de etanol de cana-de-açúcar, mas também contribui para diversificar a matriz energética brasileira e gerar novas oportunidades no agronegócio. Marcos Fava Neves, professor da USP e da Harven Agribusiness School, projeta um grande crescimento no setor, com o Brasil alcançando volumes de produção de etanol de milho cada vez maiores.

“Estamos no caminho para alcançar um crescimento significativo na produção de etanol de milho, com perspectivas de chegar a 20 milhões de toneladas de milho destinadas à produção de biocombustíveis nos próximos anos. Esse avanço também deve impulsionar regiões produtoras, como Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, que já recebe investimentos significativos da indústria de etanol de milho”, destaca o especialista.


Fatores que influenciam o mercado do milho e a produção do etanol


Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado da Agrinvest Commodities, destaca também a importância do mercado de exportação para o aumento da demanda do milho brasileiro. “Em 2023, a China comprou 16 milhões de toneladas de milho do Brasil, o que representou cerca de 30% das exportações. Esse movimento, sem dúvida, impactou positivamente os preços do grão. A demanda segue forte e vem crescendo não apenas no mercado externo, mas também no interno”, explica o analista.

O especialista observa que, até 2027, o consumo de milho para a produção de etanol de milho deve atingir aproximadamente 34 milhões de toneladas, um aumento expressivo em comparação ao 1 milhão de toneladas registrado em 2016. “O etanol de milho cria uma condição de mercado mais favorável para os produtores rurais, ajudando a garantir maior estabilidade na rentabilidade e incentivando o aumento da área plantada”, complementa.


Desafios climáticos e tecnologias de manejo do milho para etanol


Embora o mercado de milho seja promissor, os produtores precisam estar preparados para enfrentar desafios climáticos e de manejo que podem impactar diretamente a produção de etanol de milho. Guilherme Hungueria lembra a importância do manejo adequado de pragas e doenças para garantir uma boa produtividade: “a pressão de insetos e doenças é um fator constante na produção de milho, especialmente no Brasil, onde mais de 80% da área plantada corresponde ao milho safrinha. A melhor estratégia é respeitar a janela de semeadura e adotar práticas de manejo integradas para o controle eficiente de pragas e doenças”, orienta.

Para apoiar os agricultores nesse cenário, a Bayer investe fortemente em inovações para ajudar os agricultores a enfrentarem esses desafios, com soluções inovadoras de produção de etanol à base de milho, que depende de lavouras produtivas e de qualidade. “Nossa missão é fornecer ferramentas e informações que ajudem os produtores a tomar decisões mais assertivas, visando aumentar a produtividade e garantir a rentabilidade com sustentabilidade”, reforça Hungueria.


O futuro promissor do etanol de milho


A indústria de etanol de milho apresenta um enorme potencial de crescimento para os próximos anos. Segundo Paulo Trucco, a capacidade produtiva do etanol de milho no Brasil deve dobrar até 2028, alcançando cerca de 15 milhões de metros cúbicos, impulsionada pelo avanço da produção de biocombustíveis.

Jeferson Souza reforça que os produtores rurais precisam focar na gestão de riscos para aproveitar as oportunidades desse mercado em expansão: “em um cenário de expansão, é fundamental que o produtor concentre esforços na gestão de risco. O mercado de etanol à base de milho é promissor, mas exige cautela para garantir bons resultados”, alerta.

Ele também enfatiza a importância de travar negociações e garantir uma boa relação de troca, o que permitirá ao produtor aproveitar os preços mais favoráveis.

A produção de etanol de milho se consolida como uma tendência crescente no Brasil, trazendo novas oportunidades para os produtores rurais.

O aumento da demanda interna e externa pelo grão, a expansão da indústria de biocombustíveis, bem como as inovações no manejo e na tecnologia agrícola, são fatores que sustentam esse crescimento.

Dessa forma, o aumento da produtividade e a adoção de boas práticas de gestão de risco serão fundamentais para que os produtores possam aproveitar ao máximo as oportunidades oferecidas por esse mercado em constante evolução.

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