Sustentabilidade no Agronegócio: Conheça as Ações dos Irmãos Fiorese | Impulso Gente EP.03
Entenda as vantagens oferecidas pela sustentabilidade no agronegócio e conheça o case de sucesso dos irmãos Fiorese.Em 2017, os irmãos Kaio e Henrique Fiorese tomaram uma decisão ousada: implementar, na fazenda da família, um modelo de trabalho orientado para a sustentabilidade no agro.
A escolha exigiu mudanças e adaptações na estrutura e no funcionamento da propriedade, mas o desafio valeu a pena.
Além de conquistar certificações internacionais, a produção passou a acessar mercados mais exigentes, cada vez mais atentos ao agro sustentável e à origem responsável dos alimentos.
Diante desse cenário, os agricultores precisam se adaptar não apenas às novas exigências dos consumidores, mas também a um clima mais instável e a recursos mais escassos.
Quais são, então, as vantagens concretas e como implementar práticas sustentáveis na sua propriedade?
Hoje você vai entender por que vale seguir o exemplo dos irmãos Fiorese e como isso pode beneficiar você, produtor rural, do uso eficiente de insumos a programas e ferramentas que integram agro e sustentabilidade.
Para começar, o primeiro passo é responder à seguinte pergunta:
O que é sustentabilidade no agronegócio?
Motivo de grandes debates e, muitas vezes, de controvérsias, o conceito ainda gera dúvidas, inclusive entre agricultores, que não conhecem o conceito de sustentabilidade no agro.
De acordo com a Food and Agriculture Organization (FAO), agência da Organização das Nações Unidas (ONU), o agro sustentável deve conservar os recursos ambientais e atender às necessidades das gerações presentes e futuras.
Na prática, isso significa permitir o acesso a produtos e serviços, alcançando simultaneamente lucratividade, saúde ambiental e equidade social e econômica. A partir dessa definição, fica mais claro entender o que é sustentabilidade no agronegócio.
Também chamada de sustentabilidade rural, o termo engloba o conjunto de boas práticas e técnicas adotadas no campo para preservar o ambiente e elevar a produtividade, conectando agro e sustentabilidade.
Afinal, bem-estar social e economia dependem da produção do campo. Por isso, o agro sustentável se baseia em um tripé: ambiental, social e econômico.
O tripé da sustentabilidade no agronegócio
Embora o meio ambiente seja o aspecto mais lembrado quando se fala em sustentabilidade, ele é apenas um dos pilares do chamado tripé da sustentabilidade, composto pelas dimensões econômica, social e ambiental.
Para entender melhor, vale recordar eventos que marcaram a agenda global.
No ano 2000, foi realizada a famosa Cúpula do Milênio das Nações Unidas, que reuniu representantes de 191 países e 22 organizações internacionais.
Durante esse evento, foram estabelecidos os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Um deles é permitir o desenvolvimento sustentável, enquanto outro é erradicar a pobreza extrema e a fome.
Esses objetivos são tão importantes que, em setembro de 2015, representantes de 193 países-membros da ONU se reuniram novamente e criaram um documento chamado Agenda 2030.
Nesse documento, foram listados 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que incluiu novamente a erradicação da pobreza, o uso sustentável da água e o manejo sustentável das florestas.
Além disso, o documento estabelece que o combate à pobreza extrema é fundamental para o desenvolvimento sustentável.
Daí surge a pergunta: é possível alcançar esses objetivos sem o apoio da agricultura? É possível fornecer alimento a todos sem uma produção sustentável?
Para ambas as perguntas, a resposta é: não, é impossível.
Por isso, quando se fala em sustentabilidade, ninguém está exigindo que os produtores simplesmente parem de trabalhar e deixem de produzir.
Na verdade, a recomendação da FAO e de outras agências ambientais é que sejam implementadas mudanças voltadas para uma produção mais otimizada, consciente e que respeite os limites ambientes.
Afinal, sem agricultura não há alimento.
Qual a importância da sustentabilidade na agricultura?
A adoção de uma agricultura sustentável traz vantagens para o consumidor, o meio ambiente e também para o produtor rural. Ao contrário do que muitos imaginam, práticas bem estruturadas de agro e sustentabilidade tendem a aumentar a produtividade no campo.
Além disso, esse modelo de gestão reduz custos e promove o uso racional dos recursos naturais, permitindo que as futuras gerações continuem tendo acesso aos ecossistemas, aos alimentos e aos serviços ofertados hoje.
De acordo com a ONU, a população mundial pode chegar a 9,7 bilhões de pessoas até 2050. Assim, a produção agrícola precisa acompanhar a demanda global, fornecendo alimentos para todos e, ao mesmo tempo, preservando o meio ambiente. Nesse cenário, a pressão do mercado internacional sobre o setor agropecuário tende a crescer.
Em função disso, a tendência é que a pressão do mercado internacional sobre o setor agropecuário só aumente nos próximos anos.
De acordo com o pesquisador Marcelo Morandi, chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, o mundo pós-pandemia será dominado pela combinação de três "S": Saúde, Sanidade e Sustentabilidade.
Por isso, o desenvolvimento e investimento numa produção agropecuária sustentável deve aumentar, acompanhando as exigências do mercado.
Logo, a adoção de práticas sustentáveis no agronegócio aumenta o valor agregado do que é produzido no campo, eleva a competitividade da produção e ainda dá mais visibilidade ao agricultor.
Sustentabilidade no agronegócio brasileiro: por onde começar?
A teoria é compreensível, mas como transformar palavras em ações e levar a sustentabilidade para o campo?
Abaixo, veja exemplos práticos para tornar sua produção mais eficiente e alinhada a um agro sustentável.
- Adoção do sistema de plantio direto, que utiliza a palha para proteger a superfície do solo, além de garantir maior infiltração da água e controlar a erosão.
- Adoção do sistema de rotação de culturas, que aumenta a diversidade biológica, melhora a drenagem, controla as pragas e ainda eleva a fertilidade do solo.
- Uso de energia renovável, por meio da instalação de sistemas de captação de energia solar, por exemplo.
- Manejo de pasto, por meio da implantação de sistema de pastoreio rotativo, que utiliza piquetes, adubações e ressemeaduras periódicas.
- Instalação de sistemas de captação da água das chuvas para irrigação.
- Uso racional de produtos e defensivos que não agridem o meio ambiente, evitando o uso excessivo de produtos.
- Uso de estações meteorológicas para saber o momento e a quantidade certa de água, de acordo com a cultura.
- Capacitação e treinamento de funcionários e equipe técnica.
- Controle de resíduos sólidos para a destinação correta.
- Monitoramento de fauna e flora.
- Eliminação da prática de queimadas, que reduz a fertilidade do solo e ainda ameaça a integridade das lavouras, do pasto, e da fauna e flora local.
- Reflorestamento de áreas sem capacidade agrícola ou pecuária.
Case de sucesso: o exemplo dos irmãos Fiorese
Se você ainda tem dúvidas sobre a eficiência das práticas sustentáveis, vale retomar o início do texto e conferir o episódio do Programa Impulso Gente que apresenta a trajetória dos irmãos Fiorese. A propriedade da família comprova que é possível manter uma fazenda produtiva adotando ações de agro e sustentabilidade.
“O nosso objetivo sempre foi de crescimento e responsabilidade. E dentro dessa responsabilidade vem todo o papel sustentável do agro, de olhar para o futuro e deixar nosso negócio viável para quem vai chegar nas próximas gerações”, comentou Kaio Fiorese em entrevista ao programa Impulso Gente.
Em 2017, os irmãos passaram a incluir a fazenda Nossa Senhora Aparecida, que administram, no projeto Bayer Forward Farming no Brasil. A iniciativa prevê a implantação de técnicas, estruturas e boas práticas para elevar a produtividade com impacto positivo, baseada no tripé da sustentabilidade, pilar central de um agro sustentável.
De acordo com Kaio, o processo de implantação desse modelo exigiu muitas adaptações e mudanças no estilo de trabalho da fazendo.
No entanto, o projeto Bayer Forward Farming forneceu todo o suporte necessário, incluindo técnicas de desenvolvimento no mercado e orientações que tornaram a fazenda Nossa Senhora Aparecida uma referência regional e nacional.
“Hoje, por exemplo, a fazenda tem uma certificação internacional, que nos permite vender a soja em algumas cadeias que têm essa representatividade”, explicou Kaio.
A descoberta de uma nova espécie
Além das medidas adotadas para uma produção sustentável, os irmãos Fiorese implantaram na fazenda o chamado Hotel de Abelhas da Bayer.
Apesar do nome, trata-se de uma estrutura de madeira projetada para oferecer habitat seguro às abelhas solitárias, contribuindo para a conservação das espécies e para a polinização da lavoura, um exemplo prático de agro e sustentabilidade.
A iniciativa permitiu que pesquisadores identificassem 72 espécies nativas de abelhas, incluindo uma nova espécie nunca registrada: a Ceratina fioreseana, batizada em homenagem à família Fiorese.
“Nós precisamos trazer o consumidor final para dentro do campo, para que ele entenda o que a gente tem feito aqui, como a gente tem feito e quebrar um pouco desse mito que o agro é o grande vilão, e mostrar que temos boas ações, temos boas práticas e podemos conviver com a fauna e a flora, com o meio ambiente de maneira adequada”, completa Kaio Fiorese.
Assim, a fazenda dos irmãos Fiorese mostra que a adoção de práticas sustentáveis no agronegócio não apenas é viável, como gera resultados positivos para o produtor e para o meio ambiente, um caminho claro de como manter o agro sustentável e ampliar referências para iniciativas nacionais,