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Não deixe a cigarrinha-do-milho roubar a sua produtividade!

10 de janeiro de 2024

Se a cigarrinha-do-milho não for bem manejada, pode comprometer 100% da produtividade de sua lavoura. Por isso, ela é considerada uma das principais pragas da agricultura brasileira atualmente. 
"A cigarrinha é vetor de duas bactérias, ou fitoplasmas, que causam o enfezamento vermelho, e o espiroplasma, que causa o enfezamento pálido. Além disso, ela é vetor do vírus do mosaico estriado e da risca do milho Esses patógenos, isoladamente ou conjuntamente, podem causar prejuízos significativos na produção do milho, especialmente quando inoculados na fase inicial da cultura", explica João Roberto Spotti Lopes, professor titular da Esalq/USP.

Para agravar esse cenário, a incidência da cigarrinha-do-milho tem aumentado. Um levantamento realizado em maio de 2023, pelo Esquadrão de Combate à Cigarrinha, iniciativa da Bayer com a Agtech Sima, observou que a praga foi encontrada em 97% das armadilhas instaladas pelo Brasil. Nos meses anteriores, a incidência era de 90% em abril e 86% em março.

Outro ponto de atenção é que a cigarrinha-do-milho pode causar danos à lavoura mesmo depois da aplicação de um inseticida. "Quando o inseto pousa em uma planta que recebeu a aplicação de inseticida, ele ainda pode realizar a alimentação por alguns instantes e com isso inocular o patógeno nessas plantas”, comenta João Roberto.


Cuidados integrados para combater a cigarrinha

O milho possui um intervalo de tempo bastante limitado para determinar seu potencial produtivo. Isso porque essa definição acontece nos primeiros estágios fenológicos da cultura. No estágio V3, todas as folhas e espigas que a planta irá produzir já estão sendo desenvolvidas. Em V5, a iniciação das folhas e espigas já estará concluída. É por isso que a atenção aos detalhes desempenha um papel crucial nos resultados. É importante acompanhar de perto o monitoramento, já que a cigarrinha pode ocorrer em todas as regiões de cultivo de milho, tanto na safra de verão como na safrinha.

Alguns fatores que favorecem a incidência dessa praga no campo e que merecem atenção são:



  • O método de cultivo do milho no Brasil, realizado em duas safras: verão e safrinha, o que permite uma ponte verde para a praga e possibilita um ciclo de vida completo.
  • O milho tiguera ou milho voluntário que permanece nas lavouras ao longo do ano e que também cria condições favoráveis à permanência de patógenos e do vetor no campo.
  • As lavouras ao redor, em diferentes estágios de desenvolvimento e que permitem sobreposições do ciclo da planta, beneficiando a multiplicação e imigração das cigarrinhas de lavouras adultas para locais com plântulas em estágios iniciais de desenvolvimento.

Tratamento de sementes amplia proteção contra essa praga

Além de ficar de olho em todos esses aspectos no manejo da cigarrinha-do-milho, é sugerido o tratamento de sementes utilizando Cropstar®, um inseticida que contém dois modos de ação: o imidacloprido, que pertence ao grupo dos neonicotinoides, e o tiodicarbe, que pertence aos metilcarbamatos. Esse tratamento proporciona amplo controle e proteção contra as principais pragas iniciais da cultura do milho.

Depois, logo após o desenvolvimento da primeira folha do milho, a sugestão é aplicar Curbix®, um inseticida de contato e ação translaminar, que pertence ao grupo químico do fenilpirazol. Essa aplicação é fundamental para combater percevejos e insetos adultos da cigarrinha.

Por fim, ao atingir o estágio V4, o produtor pode começar a aplicação de Connect®, que atua por translocação via xilema ou translocação sistêmica, afetando os adultos e, principalmente, as ninfas, em contato direto ou por ingestão.