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Manejo pré-emergente de plantas daninhas na cana-soca

Para obter sucesso em mais uma safra de cana-de-açúcar é fundamental adotar estratégias eficientes para evitar os prejuízos causados por plantas daninhas.
11 de abril de 2023 /// 7 minutos de leitura

A safra atual segue com o Brasil consolidado como o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, com a região Centro-Sul mantendo volumes elevados de produção, mesmo diante de oscilações climáticas entre ciclos. Segundo a Datagro, a moagem na região tem se mantido próxima de 600 milhões de toneladas, com forte participação na produção global de açúcar e etanol.

Além disso, o Brasil segue como protagonista no mercado internacional, com produção de açúcar acima de 40 milhões de toneladas nas últimas safras e volumes expressivos de etanol, reforçando a importância de práticas de manejo eficientes para alcançar boa produtividade e competitividade ao setor.

Diante desse cenário positivo, é essencial construir estratégias de manejo eficientes para reduzir os impactos de pragas, doenças e, principalmente, plantas daninhas. Em áreas de cana-soca, esse cuidado é ainda mais importante, pois a rebrota da cultura ocorre simultaneamente à emergência das plantas daninhas, intensificando a competição nos estádios iniciais.

Especialmente em lavouras de cana-soca dos tipos úmida e semisseca, o uso racional de herbicidas é decisivo para evitar perdas produtivas e obter um canavial de alto padrão.

Por este motivo, este artigo reuniu algumas informações que podem te ajudar a utilizar herbicidas pré-emergentes no canavial de forma eficaz e rentável.

Qual é o impacto das plantas daninhas no canavial?


De acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira De Pesquisa Agropecuária), as plantas daninhas podem provocar perdas de até 85% no peso dos Colmos Das Plantas e elevar o custo de produção da cana-de-açúcar em até 30%.

Assim como em outras culturas, as plantas daninhas competem com a cana por água, luz, oxigênio, gás carbônico e nutrientes. Além disso, podem liberar substâncias alelopáticas que comprometem o desenvolvimento do canavial.

Outro ponto crítico é que essas espécies atuam como hospedeiras de pragas e doenças, ampliando os riscos fitossanitários na lavoura.

Mesmo quando apenas um desses fatores ocorre de forma isolada, já é suficiente para reduzir significativamente a produtividade e comprometer a viabilidade econômica do sistema produtivo.

Entre as principais plantas daninhas que impactam o canavial, destacam-se a corda-de-viola (Ipomoea spp.), o capim-marmelada (Brachiaria plantaginea) e o capim-colchão (Digitaria horizontalis).

É importante ressaltar que a interferência das plantas daninhas é mais crítica nas fases iniciais da cultura, especialmente durante a brotação da cana-soca. Nesse período ocorre o chamado período crítico de prevenção à interferência (PCPI), que geralmente se estende entre 30 e 120 dias após a brotação, sendo fundamental manter a área livre de plantas daninhas.

É importante reforçar que a interferência das plantas daninhas no canavial é mais crítica durante as primeiras etapas de desenvolvimento da cana, especialmente na germinação da cana-soca.

Como manejar plantas daninhas na cana-soca?


O manejo de plantas daninhas no canavial deve ser antecipado e baseado no conhecimento do histórico da área.

A identificação das espécies presentes, do tamanho das plantas e do banco de sementes no solo permite uma tomada de decisão mais assertiva, aumentando a eficiência do controle.

O banco de sementes, inclusive, é um dos principais responsáveis pela reinfestação das áreas, podendo permanecer viável por vários anos. Por isso, estratégias que atuam na sua redução são fundamentais para o manejo de longo prazo.

Segundo a Embrapa, após a eliminação das plantas daninhas já estabelecidas, é essencial realizar o controle químico com foco no banco de sementes.

Nesse contexto, o manejo pré-emergente se destaca como uma das estratégias mais eficientes.

O que é o manejo pré-emergente?

O manejo pré-emergente consiste na utilização de herbicidas com efeito residual, aplicados antes da emergência das plantas daninhas.

Esses produtos formam uma camada ativa no solo, que atua diretamente sobre as sementes em germinação, impedindo o estabelecimento das plantas daninhas.

Essa estratégia é essencial para proteger o desenvolvimento inicial da cana-soca, reduzir a pressão de infestação e otimizar o uso de herbicidas ao longo da safra.

Além disso, o efeito residual prolongado, que pode ultrapassar 100 dias, dependendo do produto, contribui para diminuir o número de aplicações, reduzindo custos operacionais.

Como utilizar herbicidas pré-emergentes na cana-soca?

Antes da aplicação, é fundamental que o solo esteja bem preparado, sem torrões e com boa uniformidade, obtendo melhor distribuição do herbicida.

A eficiência dos herbicidas pré-emergentes está diretamente relacionada a fatores como:

  • Umidade do solo
  • Tipo de solo e teor de matéria orgânica
  • pH do solo
  • Condições climáticas no momento da aplicação

De forma geral, precipitações entre 10 e 20 mm após a aplicação são importantes para ativar os herbicidas e assegurar sua eficácia.

O residual do produto deve ser planejado estrategicamente, considerando o sistema produtivo, a possibilidade de rotação de culturas e o período de cultivo.

Solos arenosos tendem a exigir doses menores, enquanto solos argilosos podem demandar doses maiores, sempre respeitando as recomendações de bula.

Outro ponto importante é a rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação, evitando a seleção de plantas daninhas resistentes.

Uso de herbicidas pré-emergentes em cana-soca úmida e semisseca


O clima é um dos principais fatores que influenciam a eficiência dos herbicidas pré-emergentes.

Na cana-soca úmida, o excesso de chuvas pode provocar a lixiviação do produto, reduzindo sua eficiência. Já na cana-soca semisseca, a falta de umidade pode comprometer a ativação do herbicida.

Por isso, o sucesso da aplicação depende da escolha correta da janela operacional, buscando equilíbrio entre umidade e temperatura.

Atualmente, ferramentas digitais vêm sendo utilizadas para monitorar condições climáticas e auxiliar na tomada de decisão, aumentando a eficiência das aplicações.

Alion®: herbicida pré-emergente Bayer para a cana-de-açúcar

Alion® É Um Herbicida Pré-Emergente Da Bayer, registrado para diversas culturas.

Entre as principais espécies controladas, destacam-se capim-colonião (Panicum maximum), capim-marmelada (Brachiaria plantaginea), capim-pé-de-galinha (Eleusine indica), capim-amargoso (Digitaria insularis) e picão-preto (Bidens pilosa).

Seu efeito residual prolongado, que pode chegar a até 165 dias, contribui para a redução do repasse e menor necessidade de reaplicações.

Como resultado, o produtor obtém melhor desenvolvimento inicial da cana-soca, maior eficiência operacional e redução de custos com insumos.

Posicionamento técnico

  • Aplicar sobre solo úmido, bem preparado e livre de torrões
  • Aplicação em pré-emergência ou pós-emergência precoce da cultura e pré-emergência das daninhas
  • Em cana-soca, aplicar logo após a colheita
  • Respeitar intervalo mínimo de 12 meses entre aplicações
  • Evitar solos encharcados ou chuvas intensas

A escolha correta do herbicida, associada ao planejamento da aplicação e às condições ambientais, é determinante para o sucesso do manejo.

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