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Conheça os métodos de preparo do solo para o plantio da cana

21 de dezembro de 2023

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O manejo da cultura da cana-de-açúcar é altamente mecanizado. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), estima-se que, ao longo de cinco anos, podem ocorrer mais de 30 operações com equipamentos pesados em um mesmo talhão do canavial. Como consequência da circulação intensa de maquinários, o solo pode ser compactado, o que afeta a produtividade da lavoura.

Segundo publicação técnica de pesquisador da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ), a compactação do solo é um dos fatores limitantes de produtividade da cana.

O material da ESALQ também revela que a compactação pode comprometer até 100% da capacidade de retenção de água do solo, e que este advento tem potencial para causar mais de 30% de perdas na produtividade do canavial.

Considerando que muitas das operações realizadas durante as safras são indispensáveis, o preparo do solo é a melhor oportunidade para promover a longevidade do canavial, e manter a lavoura em boas condições para o próximo plantio.

Além de ser uma boa prática crucial para produzir cana de alto padrão, o preparo do solo é um trabalho minucioso, e se realizado de forma inadequada, pode afetar o canavial por cerca de cinco a sete anos.

Para evitar que o solo limite a produtividade do canavial, é fundamental compreender os principais métodos de preparo do solo para o cultivo da cana-de-açúcar.


Principais métodos de preparo do solo para o plantio de cana

O objetivo do preparo do solo é melhorar as condições químicas, físicas e biológicas. Durante a realização deste trabalho, é crucial que o solo seja minimamente impactado.

Neste contexto, é importante adotar práticas adequadas para cada talhão, a partir de um diagnóstico ou histórico da lavoura.

Com estas informações, é possível identificar as necessidades do solo quanto ao manejo nutricional, manejo de pragas e plantas daninhas, e descompactação.

Ainda segundo a Embrapa, estas informações são muito importantes para que o produtor consiga escolher entre os métodos de preparo do solo mais utilizados no cultivo da cana-de-açúcar, sendo eles o cultivo mínimo, e o preparo convencional.


Características dos métodos de preparo do solo do canavial

Cada uma das metodologias aplicadas no preparo do solo do canavial apresenta características especificas, e são indicadas de acordo com as condições do solo.

O sucesso destas operações depende do uso de equipamentos de qualidade, e de tratores com potência suficiente.

A umidade ideal do solo também pode influenciar na eficiência do preparo do solo. Por esse motivo, antes de levar os maquinários para a lavoura, é necessário conferir se os tratores e equipamentos vão conseguir trafegar sem dificuldades pela área. Caso contrário, o solo pode inviabilizar os trabalhos em áreas com alta umidade, enquanto áreas com solo muito seco podem demandar a repetição das operações.


Preparo convencional do solo
O preparo convencional do solo do canavial integra subsolagem, aração, gradagem e incorporação de corretivos. Esta metodologia deve ser realizada em área total, principalmente em lavouras com o solo muito compactado, e com altas demandas por correção.

Segundo a Embrapa, o objetivo do preparo do solo convencional é otimizar as condições de brotamento, emergência e estabelecimento das plantas. Além disso, este método pode ajudar a aumentar a infiltração de água no solo, o que reduz o impacto das enxurradas, e a ocorrência de erosões.

O manejo de plantas daninhas também é realizado durante o preparo convencional do solo, utilizando herbicidas ou grade niveladora leve.

A execução do preparo convencional pode variar de acordo com as situações:

  • Primeiro plantio de cana na área
    Exige uma aração bem antes do plantio, com foco na destruição, incorporação e decomposição da matéria orgânica presente na lavoura. Na sequência, é recomendado realizar a gradagem.
  • Área que já é cultivada com cana
    Demanda a destruição da soqueira de cana após a colheita, utilizando aração rasa nas linhas de cana, e gradagem pesada ou uso de herbicidas.
  • Área com solo compactado
    A descompactação deve ser realizada com subsolador em casos de áreas com compactação entre 25 cm e 50 cm de profundidade. Se a compactação for identificada a menos de 40 cm de profundidade, é recomendado o uso de arado de aiveca.

Pesquisadores da Embrapa apontam que, de modo geral, o sistema de preparo convencional do solo ocorre da seguinte forma:

  • Uma aração ou gradagem pesada.
  • Uma subsolagem, ou mais uma gradagem.
  • Uma gradagem de destorramento.
  • Mais uma gradagem de nivelamento.

O ponto negativo do preparo convencional do solo é o próprio impacto causado pelas operações de descompactação. Por esse motivo, em um cenário que exija a adoção deste método, é fundamental implementar práticas que reduzam a compactação do solo ao longo dos anos para evitar realizar o preparo convencional novamente.


Cultivo mínimo
No preparo do solo com o método do cultivo mínimo, a soqueira da cana é dessecada com herbicidas, e em seguida, ocorre e sulcação do solo nas entrelinhas e linhas antigas, para que ocorra o novo plantio.

Este método também envolve subsolagem em áreas onde o solo não é movimentado por mais de cinco anos.

O objetivo do cultivo mínimo é movimentar o solo minimamente. Esta prática é indicada para lavouras localizadas em áreas declivosas, e para áreas onde o solo não apresenta compactação profunda.

A Embrapa explica que, o cultivo mínimo, com o uso de subsolador com hastes a 40 cm de profundidade, pode romper compactações. Além disso, o uso de subsolador incorporado a haste do sulcador também apresenta bons resultados.

Os principais benefícios do cultivo mínimo no preparo do solo para plantio da cana são:

  • Melhores condições de descompactação no sulco.
  • Melhor desenvolvimento radicular.
  • Sulco mais raso.
  • Facilidade na operação de nivelamento da cana-planta.
  • Otimização da colheita mecanizada.
  • Possibilidade de antecipação do plantio.
  • Melhor aproveitamento da lavoura.
  • Redução de erosões.
  • Redução do uso de tratores, implementos e combustíveis.
  • Controle de plantas daninhas.

Desafios do plantio direto na cana-de-açúcar

O plantio direto é uma técnica que revolucionou a agricultura, principalmente em países tropicais, promovendo aumento de produtividade com mais sustentabilidade. No entanto, a adoção desta prática no cultivo da cana-de-açúcar é praticamente inviável.

Por se tratar de uma cultura semi-perene, o preparo do solo para o cultivo da cana ocorre apenas a cada cinco anos. Além disso, durante as safras, o tráfego de maquinários na área é intenso. Como consequência desses fatores, o solo da lavoura é compactado, o que torna o plantio direto uma prática pouco eficaz.

Independente da aplicabilidade do plantio direto, alguns conceitos que fazem parte desta técnica podem ser utilizados durante a produção de cana, com o objetivo de melhorar as características físicas do solo. Por exemplo, durante o período sem movimentação do solo, a manutenção da palhada na lavoura pode reduzir perdas por erosões.


Produtos Bayer para o cultivo da cana-de-açúcar

Como explicamos no início deste artigo, o cultivo da cana-de-açúcar envolve muitas operações. Entre elas, o manejo de pragas e plantas daninhas, e a inibição do processo de florescimento das plantas, ambos fatores limitantes de produtividade da cultura.

Para dar suporte a produtores e usinas que buscam excelência no manejo da cana-de-açúcar, a Bayer oferece os produtos ALION®, CURBIX® e ETHREL®.

ALION® é um herbicida sistêmico e seletivo, do grupo químico das alquilazinas. O produto foi desenvolvido para manejar as principais espécies de plantas daninhas que impactam a produtividade do canavial na pré-emergência ou pós-emergência precoce da cultura.

CURBIX® é um inseticida de contato e ingestão, do grupo químico fenilpirazol, indicado para o controle de pragas na cultura da cana. Os alvos do produto são cupins (Heterotermes tenuis), e a cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata).

Para manejar os cupins, CURBIX® pode ser aplicado preventivamente no sulco de plantio, em lavouras com o histórico da praga. O controle da cigarrinha-das-raízes com CURBIX®, por outro lado, deve ser realizado a partir do monitoramento.

ETHREL® é o regulador de crescimento da Bayer, do grupo químico etileno, que pode ser utilizado para evitar a indução do florescimento da cana-de-açúcar. O objetivo desta prática é evitar a isoporização da cana, que causa perda de peso nos colmos, desidratação da planta, e perda de produtividade.

Para conhecer mais dicas sobre como produzir cana-de-açúcar de forma produtiva, rentável e sustentável, assista ao Impulso Negócios EP.22: