Culturas de cobertura: o que plantar na entressafra

21 de julho de 2022

A finalidade das culturas de cobertura é cobrir e proteger o solo de possíveis erosões, lixiviação de nutrientes e altas temperaturas. Mas, além disso, estas plantas podem descompactar o solo, evitar infestação de plantas daninhas, fornecer palhada para o sistema de plantio-direto (SPD), reciclar nutriente no perfil do solo, gerar renda extra para o agricultor e, em alguns casos, reduzir a pressão de nematoides na lavoura.

Se você tem interesse em utilizar plantas de cobertura durante a entressafra, mas ainda não entende do assunto ou não sabe qual cultura plantar, leia este texto até o final!

Por que plantar uma cultura de cobertura na entressafra?

Seja na entressafra ou por estratégia de manejo do solo, a adoção de cultura de cobertura apresenta diversos benefícios que podem variar de acordo com a espécie de planta selecionada. Porém, de acordo com Artigo De Fernando Mendes Lamas, da Embrapa (Empresa Brasileira De Pesquisa Agropecuária) Agropecuária Oeste, cada detalhe da cultura de cobertura importa e influencia positivamente a lavoura de formas diferentes.

Saiba por que plantar cobertura na entressafra é importante, e conheça características destas plantas que podem ser relevantes para a sua lavoura no momento:

  • Geração de renda: embora as plantas de cobertura sejam dessecadas ao fim do inverno, durante a entressafra elas podem produzir grãos, sementes, silagem ou feno, além de servir de pastoreio para a criação de animais. Sendo assim, a cultura de cobertura pode ser monetizada assim como as culturas tidas como principais na estratégia do agricultor.
  • Reciclagem de nutrientes: plantas como milheto ou braquiárias são capazes de reciclar nutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas que serão cultivadas na sequência. Há, inclusive, casos de leguminosas que podem atuar como fixadoras de nitrogênio atmosférico no solo.
  • Manejo do solo: plantas de cobertura podem promover melhoria de características físicas e químicas do solo, seja por meio do seu potencial de descompactação do solo ou de incremento de matéria orgânica. Junto com as demais boas práticas, as culturas de cobertura influenciam a fertilidade do solo.
  • Produção de matéria orgânica: a matéria orgânica é fundamental para o plantio direto. Além de garantir palhada de qualidade para o plantio da cultura sucessora, a matéria orgânica promove retenção de água no solo e maior disponibilidade de nutrientes para as plantas e para a estruturação do solo.
  • Descompactação do solo: algumas espécies de cultura de cobertura, como por exemplo o nabo forrageiro, podem apresentar raiz pivotante. Plantas com essa característica conseguem descompactar o solo, facilitando o enraizamento da cultura sucessora.
  • Manejo de plantas daninhas: basicamente, plantas de cobertura controlam plantas daninhas de duas formas. Uma delas é a barreira física, impedindo a germinação e emergência de daninhas e restringindo o acesso dessas ervas à luz, água e aos nutrientes. A outra é o efeito alelopático causado por substâncias expelidas pelas raízes da planta de cobertura, que impactam negativamente no desenvolvimento de plantas daninhas.
  • Manejo de doenças e pragas: quando rotacionamos soja, milho ou algodão com uma cultura de cobertura, interrompemos o ciclo de desenvolvimento de uma praga ou de um fungo que tem preferência por estas culturas de maior interesse comercial. Para que essa estratégia funcione, a espécie de planta de cobertura adotada não pode ser alimento para os fungos ou pragas que se pretende manejar.
  • Manejo de nematoides: Nematoides são vermes do solo que se alimentam das raízes das plantas. Quanto mais intensificamos o cultivo de uma espécie de planta, mais nematoides se desenvolvem na lavoura. Porém, quando adotamos uma cultura de cobertura não-alvo de uma espécie de nematoide, interrompemos a infestação e reduzimos a pressão do verme no solo, assim como ocorre no manejo de plantas daninhas e pragas mencionado acima.
Plantas de cobertura e seu potencial de manejo de nematoides. Crédito Esalq Jr. Consultoria. Fonte: Adaptado Inomoto et al. (2010).

Como escolher a cultura de cobertura mais adequada?

Existem alguns fatores que devem ser levados em consideração na hora de escolher uma cultura de cobertura, entre eles estão:

  • ser uma espécie de fácil estabelecimento;
  • adaptada para a época de plantio escolhida;
  • crescer rápido;
  • gerar boa cobertura do solo;
  • não ser hospedeira de doenças, pragas e nematoides;
  • produzir algum grão ou fruto de interesse comercial ou servir para pastejo;
  • ter sistema radicular com potencial para descompactar o solo e alcançar profundidade;
  • produzir boa quantidade de palha seca para o plantio-direto.

Segundo publicação técnica da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), além de respeitar essa lista de critérios, é fundamental que a planta de cobertura seja adaptada à região onde se pretende realizar a rotação de culturas e à janela de plantio planejada pelo agricultor.

Inclusive, é importante saber diferenciar qual cultura é mais eficiente no verão e quais plantas são mais indicadas para cobertura de inverno.

Culturas de cobertura de verão

As espécies de verão são plantas que podem ser semeadas de setembro até dezembro. As culturas de cobertura de verão geralmente são cultivadas entre a colheita da primeira safra e a semeadura da safrinha ou cultura de inverno.

De acordo com a Epagri, as espécies de plantas de cobertura de verão mais comuns são mucuna, crotalária, feijão-de-porco, guandu anão, feijão miúdo, teosinto, milheto, capim sudão, sorgo e trigo mourisco.

Culturas de cobertura de inverno

As espécies de plantas de cobertura adequadas para o plantio no inverno são aquelas que podem ser semeadas desde o início de março até o início do inverno em junho.

As principais culturas de cobertura de inverno são aveia preta, aveia branca, centeio, azevém, ervilhaca comum, ervilhaca peluda, gorga, tremoço branco, tremoço azul, ervilha forrageira e nabo forrageiro.

Cultura de cobertura como estratégia

A Embrapa ressalta que, para cada ambiente, considerando a cultura sucessora, existe um conjunto de espécies mais adequadas. Para concluir de fato qual é a melhor planta de cobertura, é ideal que seja realizado um diagnóstico das limitações atuais do sistema de produção.

Feito este trabalho, o produtor pode traçar sua estratégia de rotação de culturas, agregando valor ao sistema produtivo com a planta adequada.

A rotação de culturas é uma atividade que consiste em alternar o cultivo de produtos agrícolas em determinada área de plantio. A prática, basicamente, é o oposto da monocultura, que foca no cultivo de um único vegetal.

As principais culturas de cobertura do agronegócio

ara que produtores e profissionais do setor conheçam, detalhadamente, as culturas de cobertura de maior importância para o agronegócio, o grupo Soil Health & Management Research Group (SOHMA), do Departamento de Ciência do Solo da Esalq/USP, coordenado pelo professor Maurício Roberto Cherubin, lançou em abril deste ano o livro “Guia prático de plantas de cobertura: aspectos filotécnicos e impactos sobre a saúde do solo”.

No documento, que pode ser acessado gratuitamente em formato PDF, estão catalogadas 49 espécies de plantas de cobertura, classificadas por épocas de plantio, como primavera, verão, outono e inverno.

O livro reúne características gerais das plantas, como informações fitotécnicas, indicações e limitações de uso e impacto no manejo da saúde do solo - tanto para cultivos solteiros (uma espécie) quanto para consórcio de duas espécies ou mixes com três ou mais espécies na mesma área.

Para baixar o guia, é só clicar aqui: Download Guia Prático De Plantas De Cobertura.
Fonte: Ag.In.