Como recuperar pastagens degradadas?
De acordo com a EMBRAPA, pastagens degradadas não alimentam os animais adequadamente, e afetam a sustentabilidade da pecuária.As pastagens degradadas perdem vigor, produtividade e capacidade de recuperação natural. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), a degradação de pastagens pode comprometer a produtividade, a rentabilidade e a sustentabilidade da atividade agropecuária.
Além da queda na produção de forragem, a degradação de pastagens pode reduzir a cobertura do solo, diminuir o teor de matéria orgânica e favorecer a ocorrência de pragas, doenças e plantas daninhas. Outro impacto relevante é o aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE). Por outro lado, recuperar pastagens degradadas pode reter até 60% dessas emissões, além de tornar a área produtiva novamente.
Por isso, compreender as causas da degradação e adotar estratégias adequadas de manejo é essencial para recuperar a produtividade das áreas de pastagem.
Fatores que podem causar a degradação de pastagens
Diversos fatores podem acelerar o processo de degradação das pastagens. Entre os principais estão:
Excesso de lotação de animais na área (superpastejo);
Falta de adubação ou manejo nutricional inadequado da pastagem;
Uso de cultivares não adaptadas ao clima e ao solo da região produtora;
Baixa tolerância das forrageiras ao estresse hídrico;
Compactação do solo causada por operações mecânicas;
Ausência de práticas conservacionistas, como curvas de nível.
Identificar esses fatores é o primeiro passo para definir a melhor estratégia para recuperar pastagens degradadas.
Entenda o grau de degradação de pastagens
O grau de degradação da pastagem pode ser classificado da seguinte forma:
Grau 1 - estágio inicial
Redução na produção de matéria seca da forrageira por perda de qualidade, altura e volume, diminuindo capacidade de rebrota.
Grau 2 - estágio intermediário
Mesmas características do grau 1 com a adição de redução de cobertura do solo, baixo perfilhamento e pouca emergência de plantas novas.
Grau 3 - estágio avançado
Presença de plantas daninhas, início de processos erosivos e cobertura de forrageiras inferior a 50%.
Grau 4 – estágio avançado
Erosão acelerada, aumento de invasoras e colonização por gramíneas nativas e arbustos.
Essa classificação ajuda o produtor a escolher o método mais adequado de recuperação.
Essa classificação ajuda o produtor a escolher o método mais adequado de recuperação.
Como recuperar pastagens degradadas
Para recuperar pastagens degradadas, é essencial realizar um diagnóstico da área, considerando fatores como histórico do solo, sistema de produção, cobertura da pastagem e presença de plantas invasoras.
A partir desse diagnóstico, o produtor pode optar por duas estratégias principais: recuperação ou renovação de pastagens.
Recuperação de pastagem
A recuperação busca restabelecer a produção de forragem mantendo a mesma espécie presente na área. Dependendo do grau de degradação, diferentes práticas podem ser utilizadas.
Recuperação direta sem destruição da vegetação
Indicada para estágios iniciais de degradação. O manejo envolve principalmente adubação e correção do solo, com baixo custo e sem preparo do solo.
Recuperação direta com destruição parcial da vegetação
Recomendada para estágios intermediários. Pode incluir controle de plantas daninhas, descompactação do solo e ressemeadura de forrageiras ou leguminosas.
Recuperação direta com destruição total da vegetação
Indicada para áreas em estágio avançado. Envolve preparo do solo, correção da fertilidade e nova semeadura da forrageira.
Recuperação indireta com cultivo agrícola:
Nesse sistema, a área passa por preparo do solo e pode receber culturas agrícolas ou pastagens anuais, contribuindo para melhorar a fertilidade e quebrar ciclos de pragas e doenças.
Esta alternativa exige alto investimento financeiro e é recomendada quando o estágio de degradação da pastagem é avançado. O diferencial desse método é a oportunidade de trocar a espécie ou cultivar forrageira.
Renovação de pastagem
A renovação de pastagem ocorre quando a espécie forrageira degradada é substituída por outra mais adaptada ao solo, clima ou manejo da propriedade.
Um exemplo comum é a substituição de espécies do gênero Brachiaria por cultivares do gênero Panicum. Apesar de exigir maior investimento, a renovação pode proporcionar maior produtividade e melhor adaptação ao sistema produtivo.
Recuperação de pastagens e redução de emissões
A recuperação de pastagens degradadas faz parte das estratégias da agricultura de baixa emissão de carbono, promovidas pelo Plano ABC. Entre os principais benefícios estão:
aumento da produção de biomassa;
maior capacidade de suporte animal por hectare;
redução da abertura de novas áreas;
mitigação das emissões de gases de efeito estufa.
Além disso, pastagens bem manejadas após a recuperação podem permanecer produtivas por décadas, reduzindo a necessidade de reformas frequentes.
Programa PRO Carbono
Desenvolvido pela Bayer, o programa PRO Carbono atua na intensificação de práticas agronômicas conservacionistas. O objetivo da iniciativa é ajudar agricultores a ampliar a produtividade e o sequestro de carbono no solo de suas lavouras.
Agricultores que fazem parte do programa podem acessar diversos benefícios, como:
Análise de estoque de carbono no solo.
Diagnóstico socioambiental das propriedades.
Acesso a conteúdo especializado.
Consultoria técnica para implementação de manejo sustentável.
Para saber mais sobre a importância do manejo da agricultura e pecuária voltados para a captura de carbono e redução de emissão de GEE, assista ao Impulso Cast EP.12: