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Complexo de enfezamento do milho em 2022

A cigarrinha é o inseto vetor do complexo de enfezamento, doença que vem impactando a cultura do milho nos últimos anos e que, em 2022, já reduziu as estimativas de produtividade da cultura Brasil afora.20 de setembro de 2022 /// 3 minutos de leitura

Se você produz milho no Brasil há ao menos 5 anos, provavelmente já conheceu a Cigarrinha do milho (Dalbulus maidis) pessoalmente. Certamente o encontro não foi uma boa experiência, afinal, quando este inseto é visto na lavoura significa que o enfezamento no milho pode ocorrer a qualquer momento.

A presença do inseto e a identificação dos sintomas são fatores que estão diretamente ligados pelo seguinte fator: a cigarrinha do milho é o principal inseto transmissor dos molicutes e dos vírus que causam as doenças do complexo de enfezamento.

O complexo de enfezamento do milho é composto por:

  • Enfezamento pálido
    Causado por um molicutes espiroplasma (Spiroplasma kunkelli).
  • Enfezamento vermelho
    Causado por um molicutes fitoplasma (Maize bushy stunt phytoplasma)
  • Raiado fino
    Causado por vírus (Maize rayado fino virus).

De acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), distinguir as doenças causadas pelos molicutes apenas avaliando os sintomas na planta é praticamente impossível. O desafio é o mesmo para a distinção do raiado fino. Isso é uma realidade por conta do potencial da Cigarrinha de transmitir estas doenças por meio de seu hábito alimentar.

O complexo de enfezamento pode causar até 70% de perdas de produtividade nas lavouras de milho.

Para se ter ideia, muitas vezes a praga consegue infectar plantas com até 3 doenças do complexo de enfezamento ao mesmo tempo. O processo para que isso aconteça é simples:

  • Primeiro, a cigarrinha pica uma planta já contaminada com alguma das doenças para se alimentar. Simultaneamente, a praga se contamina - seja com os molicutes, com o vírus ou com ambos.
  • Depois, quando a cigarrinha pica outra planta para se alimentar, seu estilete bucal acaba transmitindo as doenças. Se as plantas estiverem sadias, são infectadas.

Ainda segundo a Embrapa, o período entre a aquisição do patógeno e a transmissão pela cigarrinha pode variar: de três a quatro semanas para os molicutes e de duas semanas para o vírus do rayado fino.

As picadas de prova não são suficientes para a transmissão da doença. Para que a transmissão ocorra é necessário que a cigarrinha se alimente da planta por mais de 30 minutos - este tempo pode variar de acordo com o tipo de Enfezamento transmitido.

Vale lembrar que os patógenos também podem ser transmitidos de uma geração de insetos para outra.

A transmissão do enfezamento ocorre através da injeção do patógeno durante a alimentação da cigarrinha-do-milho.

Quando o processo de transmissão das doenças não é interrompido no momento adequado, uma pequena população da cigarrinha acaba transmitindo as doenças para muitas plantas em um curto período.

A cigarrinha do milho em 2022

Em março de 2022, já havia indícios de que a pressão de complexo de enfezamento seria alta. Na época, o programa da Bayer “Esquadrão de Combate à Cigarrinha” havia monitorado 377 municípios brasileiros. Das 3.171 armadilhas instaladas no país, 85% constataram a presença da praga.

Os Estados Contemplados Com O Monitoramento Foram São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso Do Sul, Paraná E Goiás, Sendo Que Os Dois Últimos Registram A Maior População De Cigarrinha Nos Principais Municípios.

Mais recentemente, entre maio e junho, os indícios infelizmente tornaram-se fatos e as manchetes das principais mídias do agronegócio revelaram números expressivos:

Mas, afinal de contas, como evitar este problema nas próximas safras? Acompanhe nossas dicas de manejo!

O manejo do enfezamento do milho começa com uma boa colheita

Uma das principais fontes de alimento para a cigarrinha entre uma safra e outra é o milho tiguera – aquele milho que nasce no meio da lavoura quando a colheita da cultura deixa sementes no solo.

Neste contexto, duas ações são fundamentais:

O manejo dos enfezamentos inicia-se na colheita de milho da safra anterior com uma boa regulagem das colheitadeiras para evitar que o mínimo de espigas e grãos fiquem na área para reduzir a população de milho tiguera (Embrapa)

Como resultado, haverá a redução da população de cigarrinha na área e, consequentemente, a redução de fontes de inóculo da doença na próxima safra.

Diferentes métodos de manejo para a cigarrinha do milho

Ao longo da safra de milho, o monitoramento da cigarrinha deve ser sistemático, principalmente até as plantas de milho atingirem o estágio V10 - momento em que a cultura está mais suscetível ao enfezamento.

Acompanhados da correta identificação do inseto no campo, alguns Métodos De Manejo Químico Podem Apresentar Bons Resultados No Manejo Da Cigarrinha Do Milho.

Conheça diferentes estratégias de manejo:

Adjuvantes nas pulverizações para manejar cigarrinha-do-milho

Rossini e colaboradores (2020) avaliaram a eficiência de diferentes produtos no controle da cigarrinha e os benefícios da utilização de adjuvante nas pulverizações. No trabalho, foram realizadas duas pulverizações em intervalos de sete dias. A primeira aplicação ocorreu logo que foi constatada a presença de cigarrinhas na lavoura.

  • Resultado: os ingredientes ativos acetamiprido + alfa-cipermetrina e clorpirifós atingiram os melhores resultados. A utilização de surfactante siliconado aumentou a eficiência de controle.

Dessecação, tratamento de sementes e inseticidas para manejar cigarrinha-do-milho

Martins et al. (2008) avaliaram o efeito de diferentes inseticidas em tratamento de sementes, manejo de dessecação e pulverização aos 10 dias após a emergência das plantas no controle da cigarrinha.

De acordo com o estudo, a melhor recomendação é a seguinte:

Tratamento de sementes
Imidacloprid, clothianidim, acetamiprid, thiodicarb + imidacloprid e thiamethoxan.

Pulverização após a emergência da cultura do milho

Imidacloprido + Beta-Ciflutrina proporcionam controle eficiente da cigarrinha até 40 dias após a emergência do milho.

Inseticidas biológicos para cigarrinha-do-milho

De acordo com o engenheiro agrônomo Anderson Pereira, consultor da Ag.In, alguns produtos biológicos associados com inseticidas adequados, estão proporcionando excelente controle da cigarrinha-do-milho.

Dois exemplos de inseticidas biológicos para manejo da cigarrinha-do-milho são:

  • Beauveria bassiana Trata-se de um fungo entomopatogênico, que deve ser aplicado de forma a atingir o alvo (a cigarrinha-do-milho). Após a aplicação, o fungo se mantém aderido ao inseto, desenvolvendo estruturas no corpo do hospedeiro. Por fim, a praga morre por conta da destruição de suas estruturas e por toxinas produzidas pelo fungo.
  • Isaria fumosorosea Segundo Artigo Da Engenheira Agrônoma Doutora Celeste Paola D’Alessandro, o processo de infecção do fungo I. fumosorosea começa quando as estruturas reprodutivas do fungo (conídios) entram em contato com a praga. Logo após, os conídios germinam sobre o corpo do inseto, degradando a cutícula, o que permite que o fungo colonize o inseto. Nesta etapa, o I. fumosorosea produz toxinas que provocam a morte do inseto. Assim como o B. bassiana, este fungo também é entomopatogênico.

Saiba mais sobre o complexo de enfezamento e a cigarrinha do milho

Se você ainda não conhece muito bem o complexo de enfezamento do milho na prática, assista ao Impulso News EP. 60 e fiquei por dentro do assunto com informações de Paulo Garollo, especialista Bayer:

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