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Pragas iniciais do algodoeiro

Pragas que atacam o algodoeiro durante a fase de emergência podem reduzir o estande de plantas e causar perdas de produtividade na lavoura.
22 de julho de 2022
Campo de algodão em floração sob luz solar, destacando importância do manejo de pragas iniciais na cotonicultura brasileira.

As pragas iniciais do algodoeiro estão entre os principais desafios para o estabelecimento da lavoura, podendo reduzir o estande de plantas e comprometer a produtividade desde os primeiros dias após a emergência. O manejo eficiente deve começar antes do plantio, com estratégias integradas que minimizem perdas e possibilitam o desenvolvimento uniforme da cultura.

As pragas iniciais do algodoeiro são insetos que atacam a cultura logo após a emergência, como tripes, pulgões, cigarrinhas e lagarta elasmo. O manejo eficiente envolve monitoramento, biotecnologias, tratamento de sementes e controle químico quando necessário para evitar falhas no estande.

Impacto do ataque de pragas da emergência até o 1º botão floral

Nesse estágio, cerca de 70% da energia da planta é direcionada ao desenvolvimento radicular, restando apenas 30% para recuperação de danos, o que aumenta a sensibilidade do algodoeiro ao ataque de pragas iniciais.

É nesse contexto que as pragas iniciais ganham importância, pois a planta conta com apenas 30% da sua energia para se recuperar de qualquer tipo de injúria.

Neste estágio da lavoura de algodão, danos de grande impacto podem inviabilizar o desenvolvimento adequado das estruturas reprodutivas nas fases seguintes, e até mesmo eliminar as plantas, causando falhas de estande.

As principais pragas iniciais do algodoeiro

Ainda que seja realizado um excelente trabalho de preparo da área, incluindo a dessecação antecipada da área com herbicidas, aliada ao manejo de pragas com inseticidas e à utilização de tratamento de sementes industrial, é muito comum que durante o início da safra ocorra a presença de algumas pragas na lavoura. Entre as mais importantes estão os insetos tripes (Frankliniella schultzei), cigarrinha (Agallia albidula), mosca-branca (Bemisia tabaci), pulgão do algodoeiro (Aphis gossypii), lagarta elasmo (Elasmopalpus lignosellus) e percevejo castanho (Scaptocoris castanea).

Nos últimos anos, o aumento da pressão de pragas sugadoras, como mosca-branca e pulgão, tem ganhado destaque, especialmente em sistemas intensivos e com presença de plantas daninhas hospedeiras.

Para ajudar na identificação e no manejo dos insetos mencionados, considerados algumas das principais pragas iniciais do algodoeiro, reunimos a seguir informações sobre cada uma dessas espécies.

Tripes (Frankliniella schultzei)

O tripes é uma praga raspadora-sugadora muito pequena, que mede de 1 a 3 mm e se desloca facilmente entre as plantas. Além disso, tem o hábito de se esconder dentro da brotação das folhas do algodoeiro na fase de pós-emergência, o que dificulta seu monitoramento.

De acordo com a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), danos deste inseto em fases iniciais causam o encarquilhamento e espessamento das folhas. Além disso, gera subbrotamentos e prejuízos no crescimento de plantas com 2 a 4 pares de folhas.

O período mais crítico para a ocorrência deste inseto dura até 40 dias após a emergência das plantas.

A recomendação de manejo para esta praga é o tratamento de sementes e aplicações foliares no início do ciclo, quando o monitoramento identificar mais de 10% de plantas atacadas na lavoura.

Cigarrinha (Agallia albidula)

A cigarrinha é um inseto bem pequeno, que se movimenta muito rápido na lavoura. Os adultos têm cor parda, com manchas marrons nas asas. Podem ser encontrados nas folhas superiores das plantas de algodão.

Esta praga suga a seiva do algodoeiro e causa manchas nas folhas que, posterior ao ataque, ficam necrosadas e secas. Os danos da cigarrinha acontecem logo nos primeiros dias após a germinação do algodoeiro, principalmente em lavouras semeadas sobre palhada de braquiária.

Em altas infestações, os danos da cigarrinha podem paralisar o crescimento da planta, que acaba gerando entrenós curtos, com brotações e excrescência nas nervuras, folhas e caules.

Os principais métodos de controle para este inseto são o tratamento de sementes e a pulverização de inseticidas. O manejo deve ocorrer quando a planta apresentar 20% de plantas atacadas.

Mosca-branca (Bemisia tabaci)

Adultos migram de outras culturas para o algodoeiro e sugam seiva. Com as ninfas, a praga se estabelece e se reproduz na lavoura.

Esse inseto sugador pode transmitir viroses e também favorecer o desenvolvimento de fumagina, que reduz a fotossíntese e compromete a qualidade da fibra.

O monitoramento deste inseto deve ocorrer até o fim do ciclo, para evitar que as plumas sejam contaminadas. Para manejar a mosca branca a principal ferramenta é o tratamento de sementes, e em fases avançadas da lavoura, são recomendadas pulverizações com inseticidas.

Pulgão do algodoeiro (Aphis gossypii)

O pulgão adulto pode ser identificado pela cor, que varia de amarelo a verde-escuro e pelas formas aladas nas costas. Clima quente e úmido favorecem sua ocorrência.

Este inseto ataca durante todo o ciclo da cultura, mas seu período crítico acontece dos 30 aos 100 dias após a emergência da planta. Além disso, o pulgão é transmissor de viroses, como o vermelhão (Cotton anthocyanosis virus) e o mosaico das nervuras (Cotton leafroll dwarf virus).

Para encontrar danos de pulgão basta procurar por folhas enrugadas ou encarquilhadas e brotos deformados.

Infestações elevadas podem causar perdas superiores a 30%, além de comprometer a qualidade da fibra.

Um bom manejo de plantas daninhas antes do plantio e restos culturais antes do plantio são indispensáveis em áreas com histórico de infestações de pulgão. Após a identificação da praga no campo, são recomendadas pulverizações com inseticidas.

Lagarta elasmo (Elasmopalpus lignosellus)

A lagarta elasmo chega a até 15 mm de comprimento e apresenta cor verde azulada, e a cabeça marrom. Esta praga se movimenta com muita facilidade e consegue construir casulos revestidos de solo e de restos culturais entre o solo e o talo da planta.

O dano desta praga acontece quando ela perfura o caule da planta de algodão na altura da superfície do solo ou um pouco abaixo. O ataque pode ser identificado pelas galerias no lenho, que provocam o amarelecimento, murcha e até a morte da planta.

O período de maior atenção com a lagarta elasmo é quando as plantas estão com tamanho entre 10 e 12 cm e duas folhas.

Essa praga é favorecida por condições de clima seco e solos arenosos.

O manejo recomendado para a praga é o tratamento de sementes, que funciona melhor em condições de alta umidade. Clima muito seco favorece a ocorrência da lagarta e exige pulverizações com inseticidas em caso de infestação.

Percevejo castanho (Scaptocoris castanea)

O percevejo castanho é um inseto polífago, e causa danos de maior impacto em culturas como soja, milho e algodão. Os adultos podem atingir até 8 mm de comprimento e apresentam cor marrom-claro. As ninfas e os adultos se alimentam das raízes e sugam seiva da planta.

Ao se alimentar, o percevejo castanho injeta toxinas nas raízes que impactam em redução do crescimento da planta, amarelecimento e murcha.

Em épocas de muitas chuvas, o percevejo castanho fica na superfície do solo se alimentando de raízes. O ataque fica mais grave na estiagem, quando o inseto alcança até 2 m de profundidade no solo e se alimenta das pontas das raízes.

De acordo com a EMBRAPA, o controle químico deste inseto é difícil por conta do seu rápido deslocamento entre o subterrâneo e a superfície do solo. O uso de controle biológico com o fungo Metarhizium anisopliae aliado a tratos culturais, como manejo de plantas daninhas e aração, pode ajudar a minimizar os impactos do percevejo castanho.

Atenção com o bicudo

Embora não seja considerada uma praga inicial típica, o bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) deve ser monitorado desde o início da lavoura, pois sua presença precoce pode impactar as fases reprodutivas da cultura.

Com o objetivo de reduzir perdas nas fases seguintes do algodoeiro, o monitoramento do inseto com armadilhas deve ser iniciado. Os índices de infestação vão indicar se é necessário aplicar inseticidas para a praga.

Biotecnologia no manejo de pragas iniciais do algodoeiro

O uso de cultivares com tecnologia Bollgard® 3 XtendFlex® representa um avanço importante no manejo de pragas do algodoeiro. Essa biotecnologia combina múltiplas proteínas Bt, proporcionando controle eficiente das principais lagartas da cultura, como curuquerê (Alabama argillacea), lagarta rosada (Pectinophora gossypiella), lagarta-da-maçã (Heliothis virescens) e falsa-medideira (Chrysodeixis includens), além de contribuir para o controle de espécies dos complexos Spodoptera e Helicoverpa.

Além disso, a tecnologia XtendFlex® oferece maior flexibilidade no manejo de plantas daninhas, com tolerância a herbicidas como glifosato, dicamba e glufosinato de amônio.

No entanto, é importante destacar que a tecnologia Bt não controla pragas sugadoras e de solo, como tripes, pulgões, mosca-branca, cigarrinhas e percevejos, sendo fundamental a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP) para o controle eficiente dessas espécies.

Como a maioria das pragas iniciais do algodoeiro são insetos sugadores ou de solo, o uso isolado de biotecnologia não é suficiente, sendo essencial complementar o manejo com tratamento de sementes, monitoramento e controle químico quando necessário.

Manejo químico para o controle de pragas iniciais do algodoeiro

O manejo químico é uma ferramenta fundamental para o controle de pragas iniciais do algodoeiro, especialmente porque muitas dessas espécies, como tripes, pulgões, mosca-branca, cigarrinhas e percevejos, não são controladas pela biotecnologia Bt. Quando não manejadas corretamente, essas pragas podem comprometer o estande de plantas e reduzir significativamente o potencial produtivo da lavoura.

O controle deve começar ainda no pré-plantio, com o uso de inseticidas na dessecação, seguido pelo tratamento de sementes industrial (TSI), que proporciona proteção nos estádios iniciais da cultura, fase em que o algodoeiro é mais sensível ao ataque de pragas.

Nesse contexto, o Bayer Guardião para algodão se destaca como uma solução eficiente no tratamento de sementes, combinando diferentes ingredientes ativos que atuam no controle de pragas iniciais, proporcionando proteção sistêmica, maior vigor de plantas e melhor estabelecimento da lavoura. Além disso, contribui para a uniformidade do estande e maior confiança no arranque inicial da cultura.

Após a emergência, o monitoramento constante da lavoura é essencial para identificar o nível de infestação e definir o momento correto de aplicação. Em situações de pressão elevada, o uso de inseticidas do portfólio Bayer é uma estratégia importante para o controle eficiente das pragas sugadoras.

Soluções como Sivanto® Prime, com ação sistêmica e rápida atuação sobre insetos sugadores, são indicadas para o manejo de pulgões e mosca-branca, promovendo redução rápida da população e proteção da planta. Já inseticidas como Connect® podem complementar o manejo, atuando de forma eficiente sobre diferentes pragas iniciais, ampliando o espectro de controle.

A escolha correta dos produtos, associada à rotação de mecanismos de ação, é essencial para evitar o desenvolvimento de resistência e permitir a eficiência do manejo ao longo do ciclo. Além disso, a integração com estratégias como biotecnologia e Manejo Integrado de Pragas (MIP) potencializa os resultados no campo.

O manejo eficiente das pragas iniciais do algodoeiro é essencial para possibilitar o estabelecimento da lavoura e o alto potencial produtivo. A integração entre monitoramento, tratamento de sementes, controle químico e uso de biotecnologia, como Bollgard® 3 XtendFlex®, permite reduzir perdas, otimizar o manejo e aumentar a sustentabilidade do sistema produtivo.

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