A agricultura global impactada pelas mudanças climáticas
Os impactos das mudanças climáticas na agricultura incluem alterações nos padrões de temperatura e precipitação. Esses fatores podem resultar em perdas econômicas e aumentar a insegurança alimentar, afetando a sustentabilidade das práticas agrícolas.Notícias sobre secas severas, queimadas intensas e inundações históricas estão se tornando cada vez mais comuns. Entre os setores econômicos afetados por esses fenômenos naturais, o setor agrícola é um dos mais prejudicados.
Esse cenário acendeu o alerta sobre a necessidade de entender quais são os impactos das mudanças climáticas na agricultura. Afinal, as alterações no clima, causadas pela humanidade e impulsionadas por fenômenos como o El Niño e a La Niña, são apontadas como as principais causas desses eventos extremos.
Mais do que compreender as causas desse cenário, é essencial preparar sua fazenda para enfrentar um futuro de incertezas. Por isso, neste artigo, explicaremos os impactos das mudanças no clima e apresentaremos estratégias que você pode adotar para enfrentar esses desafios na produção de alimentos.
Quais são os impactos das mudanças climáticas na produção agrícola?
Os impactos das mudanças climáticas na agricultura irão afetar diretamente o desempenho e a sustentabilidade do agronegócio.
As consequências desse fenômeno estão documentadas em diversas fontes, como o relatório Visão 2030: O Futuro da Agricultura Brasileira, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Confira a seguir os quatro principais impactos na produção agrícola no Brasil:
1. Redução da produtividade
Essas modificações devem alterar os ciclos climáticos e hidrológicos em todo o planeta, aumentando a ocorrência de eventos extremos, como secas prolongadas e excesso de chuvas.
Além de excluir grandes áreas de terras cultiváveis do sistema produtivo, esses eventos prejudicam a germinação das sementes e dificultam o crescimento saudável das culturas. Esse cenário deve causar a queda de produtividade e perdas significativas nas safras.
2. Aumento da incidência de pragas e doenças
A elevação das temperaturas globais pode provocar a extinção de espécies, a substituição de florestas tropicais por savanas, entre outras alterações ambientais significativas.
Esse cenário causa um desequilíbrio que pode comprometer a biodiversidade do planeta, criando condições favoráveis ao aumento das populações e da incidência de pragas e doenças na lavoura.
3. Intensificação da degradação do solo
O processo de degradação do solo deve ser acelerado por eventos climáticos extremos, como geadas, secas e chuvas intensas. Esses fatores podem reduzir a capacidade do terreno de sustentar o desenvolvimento saudável das plantas.
Nesse cenário, será necessário investir na adaptação agrícola por meio da adoção de novas estratégias de plantio e de manejo da lavoura. Isso pode exigir a realocação de culturas e causar perdas na qualidade e na produtividade das colheitas.
4. Aumento dos custos de produção
A imprevisibilidade climática também deve aumentar os custos de produção. Isso porque será necessário investir na adoção de novas tecnologias agrícolas para mitigar os efeitos dessas alterações.
Além desse investimento, os produtores ainda precisarão lidar com desafios logísticos e financeiros decorrentes das oscilações na oferta de insumos e de alimentos.
Quais são as principais mudanças climáticas atuais?
As mudanças climáticas já são uma realidade mensurável e documentada por instituições científicas de referência como o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) e o programa europeu Copernicus Climate Change Service. Dados recentes confirmam que os últimos anos estão entre os mais quentes da história, com temperaturas globais consistentemente acima da média pré-industrial. Esse aquecimento tem intensificado eventos extremos como ondas de calor, secas prolongadas, tempestades severas e chuvas concentradas em curtos períodos, fenômenos que vêm sendo registrados com maior frequência e severidade também no Brasil.
No cenário nacional, relatórios do CEMADEN apontam recordes de ondas de calor, estiagens severas em diversas regiões e aumento de eventos de chuva intensa, enchentes e deslizamentos. As enchentes históricas no Rio Grande do Sul em 2024 evidenciaram como os extremos de precipitação estão se tornando mais intensos, enquanto períodos prolongados de seca favoreceram o avanço de queimadas em biomas como Amazônia, Cerrado e Pantanal. Além disso, fenômenos como El Niño e La Niña continuam influenciando os padrões de chuva no país, mas agora interagem com um contexto de aquecimento global que potencializa seus efeitos.
Para a agricultura brasileira, os impactos já são concretos: desorganização do calendário de plantio, perdas de produtividade, aumento da pressão de pragas e maior vulnerabilidade hídrica. Oscilações entre excesso de chuva e estiagens prolongadas ampliam riscos econômicos e operacionais no campo, exigindo planejamento mais estratégico, uso de tecnologias adaptativas e fortalecimento de práticas de manejo resilientes. O atual cenário climático indica que adaptação deixou de ser uma tendência futura e passou a ser uma necessidade imediata para garantir segurança produtiva e sustentabilidade no agronegócio.
Que estratégias os agricultores podem adotar para mitigar os impactos das mudanças climáticas?
Para mitigar as consequências na produção, você deve adotar estratégias específicas em diferentes fases do ciclo produtivo. Conheça a seguir quais práticas utilizar em cada um desses casos.
Estratégias pré-plantio
As estratégias pré-plantio visam garantir o preparo correto do solo para a semeadura e criar condições favoráveis à emergência e ao estabelecimento da lavoura. Essas práticas incluem:
Análise do solo para planejar um manejo nutricional adequado e fazer descompactação do terreno, se necessário;
Investimento em biotecnologias, como sementes tratadas e biofertilizantes, medida importante para aumentar a proteção das plantas contra pragas, doenças e estresses climáticos;
Cultivo de variedades tolerantes, que possuem características genéticas que as tornam mais resistentes a estresses como seca e doenças;
Respeito ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), garantindo que a cultura seja cultivada em uma área com condições mais favoráveis;
Plantio direto na palhada, prática de conservação do solo que reduz a erosão, melhora a retenção de umidade e a estrutura do terreno.
Estratégias que devem ser aplicadas durante a safra
Durante a safra, você deve investir em estratégias que te ajudem a acompanhar o crescimento da lavoura e fazer os ajustes necessários para aumentar sua produção. Para isso, você pode investir nas seguintes práticas:
Monitoramento de pragas, doenças e plantas daninhas do início ao fim da safra;
Manejo Integrado de Pragas (MIP) e doenças (MID) para proteger a plantação, reduzir custos operacionais e aumentar a sustentabilidade da produção;
Execução correta do planejamento de nutrição das plantas, aplicando fertilizantes nos momentos e dosagens adequadas para cada ponto da área de plantio;
Uso de ferramentas de monitoramento climático para acompanhar as variáveis meteorológicas na região da fazenda;
Irrigação inteligente, considerando as características da região de plantio, as necessidades da cultura e o uso de tecnologias;
Rotação de culturas na entressafra para diversificar a produção, melhorar a saúde do solo e reduzir a incidência de pragas e doenças.
Existem tecnologias ou práticas agrícolas inovadoras que podem ajudar a enfrentar esses desafios?
Sim, existem várias tecnologias e práticas inovadoras que podem te auxiliar a enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas na sua fazenda. Isso inclui investir em medidas que promovam a captura de carbono e a agricultura sustentável.
Outra prática importante é implementar opções ligadas à agricultura digital, como a FieldViewTM, plataforma digital da Bayer. Ela permite o monitoramento de todas as operações realizadas na lavoura, bem como do desenvolvimento das culturas.
Para isso, ela processa e integra dados obtidos por diferentes fontes, como imagens de satélites, sensores, drones e o histórico. A partir deste trabalho de inteligência, você consegue identificar quando e como atender as demandas de cada cultivo, evitando perdas por estresses climáticos ou nutricionais.
Investir em biotecnologias avançadas como o BOLLGARD® III RR FLEX™ para o algodão, a plataforma INTACTA2 XTEND® para a soja e a VTPRO4® para o milho, também são estratégias importantes nesse processo.
Isso porque elas aumentam a proteção contra pragas e plantas daninhas, facilitando o controle e manejo desses problemas na lavoura.
Quais são as previsões para o futuro em relação às mudanças climáticas e a agricultura?
As projeções mais recentes de instituições de renome indicam que a agricultura enfrentará desafios significativos nas próximas décadas devido às mudanças climáticas. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), principal órgão científico da ONU sobre clima, concluiu que o aquecimento global causado por atividades humanas é inequívoco e que as temperaturas continuarão a subir caso as emissões de gases de efeito estufa não sejam reduzidas.
Para o Brasil e a América do Sul, os modelos climáticos mostram:
- Aumento de temperatura média, com elevação podendo ultrapassar 1,5 °C a 2 °C até meados do século em muitos cenários, com variações regionais dependendo da trajetória das emissões futuras.
- Ampliação da irregularidade das chuvas, ciclos de seca e eventos extremos, como ondas de calor e enchentes, que alteram a disponibilidade de água e a dinâmica dos solos.
Essas mudanças climáticas tendem a reduzir a produtividade agrícola em diversas culturas. Relatórios do IPCC sugerem que:
- A produção de culturas importantes como trigo, arroz, milho e soja pode sofrer quedas expressivas em cenários de altas emissões até final do século.
- A produção de milho no Cerrado, sob cenários mais pessimistas, pode cair significativamente até 2100.
No Brasil, estudos combinando modelagens climáticas e agrícolas mostram que:
Em áreas de produção de feijão, por exemplo, a elevação de temperatura entre aproximadamente 1,2 °C e 2,9 °C até 2050 pode reduzir a produtividade das lavouras se medidas de adaptação não forem implementadas.
O efeito dessas mudanças pode ser agravado pela demanda crescente por alimentos, água e energia, aumentando a vulnerabilidade dos sistemas agrícolas e pressionando a segurança alimentar global e regional.
Ainda assim, os relatórios também destacam que estratégias de adaptação e mitigação podem reduzir impactos severos. A adoção de práticas como sistemas de cultivo resilientes ao clima, manejo sustentável, irrigação eficiente, desenvolvimento de cultivares tolerantes ao calor e manejo integrado de pragas pode ajudar a manter a produção diante das condições adversas.
Portanto, acompanhar e adotar tecnologias climáticas e práticas de gestão agrícola mais sustentáveis será cada vez mais essencial para proteger a produção e fortalecer a resiliência das cadeias produtivas agrícolas nos próximos anos. Prepare-se para o futuro com a Agro Bayer!
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