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Como realizar uma boa análise de solo?

23 de abril de 2024

Pulverização

A análise de solo é um recurso indispensável para agricultores que buscam por alta produtividade. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), ao coletar e analisar amostras do solo da lavoura, é possível obter a recomendação das quantidades de adubos e calcário necessárias para o desenvolvimento da cultura a ser semeada.

Segundo o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), a análise de solo identifica diversas características do solo, como:

  • Ph (Potencial Hidrogeniônico), que seria o nível de acidez ou de alcalinidade.
  • Propriedades físicas, como estrutura do solo, teores de argila, salitre e areia.
  • Macronutrientes e micronutrientes presentes no solo.

O SENAR explica que, os benefícios da análise vão além das informações para a elaboração de uma estratégia de manejo de fertilidade do solo. Segundo a organização, a análise de solo ajuda produtores a otimizar o uso de fertilizantes, calcário e gesso, e a planejar a adoção de variedades para cada talhão da lavoura.

A análise de solo é recomendada para todo tipo de cultivo, e pode ser realizada durante a entressafra, período em que não há cultura semeada na lavoura. A EMBRAPA explica que esta prática deve ocorrer com no mínimo 90 dias de antecedência em relação a data de plantio da próxima cultura.

Conforme o SENAR, a análise de solo pode ocorrer em uma frequência que varia entre um ano ou mais. O que determina a periodicidade da análise de solo é o tipo de cultura que se pretende cultivar na lavoura, o sistema produtivo, e a estratégia de manejo adotada na área ao longo do tempo.

O processo de análise de solo se divide em duas etapas. Primeiro ocorre a coleta de amostras do solo na lavoura. Na sequência, estas amostras de solo são enviadas para laboratórios especializados.

Após a análise, o laboratório entrega para o agricultor um documento que contém todos os dados obtidos. Com as informações em mãos, é possível comparar os indicadores atuais do solo com os indicadores necessários para o desenvolvimento das culturas, e planejar a correção do solo e a estratégia de nutrição da lavoura.

É importante ressaltar que a qualidade da análise de solo depende da qualidade da amostragem de solo, procedimento que requer planejamento e uma série de pequenas operações no campo.


A amostragem correta para a análise de solo

Segundo a EMBRAPA, o resultado da análise de solo depende da execução de procedimentos adequados de coleta de amostras. A instituição revela que o objetivo da criteriosidade neste processo é obter amostras de solo que realmente representem os talhões da lavoura.

Para realizar a coleta de amostras do solo são necessárias ferramentas, como enxadão, sondas ou trados, e um recipiente limpo para armazenar as amostras. Para o Instituo Agronômico de Campinas (IAC), o trado é a melhor opção de ferramenta para a coleta, porque permite a retirada da amostra na profundidade correta e com a mesma quantidade de terra de todos os pontos amostrados.

O plano de amostragem também é importante para a coleta do solo. Ainda segundo a EMBRAPA, este planejamento direciona onde as amostras devem ser coletadas, e representa o início do procedimento.


Plano de amostragem do solo

A EMBRAPA explica que o plano de amostragem do solo consiste em dividir a propriedade em glebas de solos uniformes, que não devem ser maiores do que 20 hectares. Para agrupar os talhões em glebas com o mesmo tipo de solo, é necessário considerar características como:

  • Posição no relevo
    Várzea, coxilha, encosta de morro, baixada ou terreno plano.
  • Cor do solo
    Vermelho, amarelo, claro, cinza ou preto.
  • Vegetação anterior
    Mato, capoeira, potreiro ou terra cultivada.
  • Manejo
    Informação sobre calagem e adubações anteriores.

Com esta classificação das glebas, é possível saber onde coletar as amostras.


Onde coletar amostras para a análise de solo

A coleta de amostras deve ser realizada em até 20 locais de uma gleba uniforme. A EMBRAPA recomenda que as amostras sejam retiradas em locais escolhidos ao acaso, durante uma caminhada em zigue-zague dentro de cada gleba uniforme.

Ao escolher um local de amostragem, é necessário limpar a superfície da área. Segundo a EMBRAPA, é preciso retirar vegetação, galhos e pedras, evitando remover a camada superficial do solo.

Conforme informações do IAC, em cada gleba devem ser retiradas amostras simples, que darão origem a amostras compostas, e amostras de subsolo.


Coleta de amostras simples

A coleta de subamostras, também conhecidas como amostras simples, deve ser realizada nos 20 pontos de cada gleba uniforme. O foco desta coleta é obter amostras da subsuperfície.

A recomendação da EMBRAPA para este procedimento é a seguinte:

  • Introduza o trado no solo até a profundidade de 20 centímetros.
  • Dispense a terra ao redor do trado.
  • Insira o solo que está no centro do trado em um recipiente limpo.

A subamostra dará origem a uma amostra composta.


Formação da amostra composta

A EMBRAPA explica que, para obter uma amostra composta, é recomendado concentrar 20 subamostras de uma mesma gleba em um mesmo recipiente, e misturar bem.

É necessário formar uma amostra composta para cada gleba da área. Sendo assim, no caso de 10 glebas, serão necessárias 10 amostras compostas.


Coleta de amostras de subsolo

Conforme publicação do IAC, o objetivo da análise de solo abaixo da camada arável é diagnosticar o excesso de acidez e os teores de nutrientes.

De acordo com o Instituto, o procedimento de coleta de amostras de subsolo segue o mesmo padrão determinado para as amostras simples, e pode ser realizado logo após a coleta de amostras em subsuperfície.

O IAC recomenda que a coleta de amostras de subsolo siga o passo a passo descrito abaixo:

  • Aprofunde o trado novamente no ponto de coleta em subsuperfície, até a profundidade de 40 centímetros, e colete a amostra.
  • Dispense a terra da lateral do trado, e retire até 3 centímetros de terra da parte superior do equipamento para evitar que o solo da subsuperfície contamine a amostra de subsolo.
  • Insira as amostras dos 20 pontos de uma mesma gleba em um único recipiente, e misture bem.

Assim como a amostra de solo em subsuperfície, a amostra de subsolo também deve ser composta, ou seja, cada gleba deve dar origem a uma amostra composta de subsolo.


Como enviar amostras de solo para o laboratório

O material enviado para o laboratório deve conter uma porção de cada amostra composta, com o objetivo de representar as diferentes glebas.

A recomendação do IAC para enviar as amostras de solo para o laboratório é a seguinte:

  • Retire cerca de 300g de terra do recipiente de cada gleba.
  • Transfira cada porção para um saco de plástico limpo.
  • Identifique as amostras com dados do proprietário da área, e se possível, informações georreferenciadas das diferentes glebas amostradas.

Duas amostras de cada gleba serão enviadas para o laboratório, sendo uma amostra composta de subsuperfície, e uma amostra composta de subsolo.

O tempo para que o laboratório retorne com o resultado da análise pode variar de acordo com a empresa contratada para o serviço.

Para realizar a interpretação da análise de solo, é necessário comparar o histórico da lavoura com o resultado da análise de solo e as demandas nutricionais da cultura que se pretende cultivar. Cada espécie de planta demanda macro e micronutrientes diferentes, que devem ser manejados no solo por meio da aplicação de fertilizantes, e correção de calcário e gesso.

Além da análise de solo, são necessárias outras práticas com o objetivo de iniciar a safra corretamente. Assista ao Impulso Negócios EP. 07 e saiba quais são os cuidados mais importantes para o início do ciclo produtivo: