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Como manejar as pragas de grãos armazenados de milho e soja?

04 de dezembro de 2023

silo

O armazenamento de grãos é uma etapa crucial das safras da cultura do milho e da soja. O processo de armazenamento de grãos é fundamental, pois está diretamente ligado a proteção do investimento realizado na lavoura, à estratégia comercial do agricultor, e à preservação da qualidade dos grãos.

Para armazenar os grãos adequadamente, é preciso adotar práticas preventivas contra os fatores que causam perdas durante a armazenagem. Por exemplo, antes de depositar os grãos na unidade armazenadora, é necessário assegurar que a estrutura esteja limpa, e com todos os sistemas de secadores e controle de teor de umidade de grãos operando.

Conferir a umidade dos grãos antes da armazenagem também é importante. Para que a produção de milho seja armazenada, os grãos devem estar com a umidade em torno de 12%. Para o armazenamento da soja, a umidade ideal dos grãos é 11%.

Caso os grãos de milho ou de soja tenham sido colhidos com alta umidade, a produção deve passar por secadores, para uniformizar a umidade os grãos na % correta, antes de ser armazenada. Este procedimento é ainda mais relevante quando o período planejado para a estocagem é longo.

Além das práticas preventivas, é necessário monitorar a unidade armazenadora antes e durante o armazenamento, e realizar o controle eficiente da umidade, e o manejo de pragas e doenças que podem infestar os grãos.


Pragas são as principais responsáveis por perdas no armazenamento de grãos

De acordo com a publicação “Manejo Integrado de Pragas de Grãos e Sementes Armazenadas”, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), estima-se que as pragas sejam responsáveis por até 10% de todas as perdas causadas na produção de grãos no Brasil, já considerando os impactos causados por pragas durante o armazenamento de grãos no país.

Ainda segundo a Embrapa, as pragas são consideradas como principal fator de perdas durante o armazenamento de grãos. Além disso, a Embrapa revela que o impacto dos insetos pode variar de acordo com a estrutura da unidade armazenadora:

  • Silo e graneleiros
    Os grãos podem perder de 1% a 2% de peso.
  • Paiol
    Em estruturas rústicas como o paiol, onde geralmente se armazena espigas de milho, as perdas de peso podem chegar a 15%.

As perdas causadas pelo ataque de insetos em grãos armazenados podem ser qualitativas ou quantitativas. A redução de peso e volume da massa de grãos, são consideradas perdas quantitativas. As perdas qualitativas correspondem a alteração da qualidade do produto por avarias ou contaminantes químicos, físicos e biológicos.

Neste contexto, para evitar que as pragas afetem o valor de mercado da produção, é fundamental conhecer as práticas envolvidas no manejo integrado de pragas de grãos armazenados.


Manejo integrado de pragas de grãos armazenados

De modo geral, o manejo integrado de pragas em unidades armazenadoras é similar para a proteção de grãos de diversas culturas, como o milho e a soja.

Conforme o manual da Embrapa, existem três tipos de métodos de manejo de pragas em unidades armazenadoras de grãos, que podem ser utilizadas de forma integrada:

  • Métodos físicos
    Os métodos físicos eram muito conhecidos e utilizados quando ainda não havia inseticidas registrados para manejo de pragas em grãos armazenados. Envolvem a manipulação de fatores físicos do armazenamento, com a finalidade de interferir no desenvolvimento de pragas.
  • Métodos químicos
    É o método mais utilizado para manejar pragas de grãos armazenados atualmente. O controle químico pode ser preventivo ou curativo. Recomenda-se consultar um engenheiro agrônomo para obter orientação na escolha do defensivo que será utilizado.
  • Métodos biológicos
    O manual da Embrapa afirma que os métodos biológicos são pouco utilizados para o manejo de pragas de grãos armazenados por conta do uso intercalado de inseticidas, que também elimina os inimigos naturais presentes na unidade armazenadora. No entanto, o uso deste método pode ser eficiente caso o inimigo natural escolhido para o manejo seja tolerante aos inseticidas utilizados.

Tendo em vista a eficiência, os métodos físicos e químicos são os mais recomendados para o manejo de pragas em unidades armazenadoras a partir do monitoramento correto, e identificação das espécies de insetos presentes.


Métodos físicos de controle de pragas de armazenamento

Os métodos físicos de controle de pragas de armazenamento podem ser utilizados de forma isolada ou em conjunto. Alguns métodos físicos envolvem o ajuste de equipamentos e sistemas utilizados no acondicionamento da unidade armazenadora, e o uso de insumos específicos.

Conheça os principais métodos físicos recomendados para manejar pragas de armazenamento de grãos:

Temperatura
A baixa ou alta temperatura pode ser utilizada para manejar pragas, considerando que existe uma temperatura ideal para o desenvolvimento dos insetos. Com temperaturas mais altas que 35 ºC, os insetos podem morrer em menos de 1 dia, ou até em menos de 1 minuto, de acordo com o ajuste realizado. Ao manter a temperatura do silo em -10 ºC, ou em temperaturas ainda mais baixas, os insetos também passam a ser controlados.

Umidade relativa do ar
O controle da umidade relativa do ar interfere no desenvolvimento das principais pragas de grãos armazenados, que encontram condições ótimas com a umidade em torno de 70%. Ao diminuir a umidade relativa do ar, o ambiente se torna desfavorável aos insetos.

Pó inerte à base de terra de diatomáceas
O pó inerte à base de terra de diatomáceas é produzido por meio de fósseis de algas diatomáceas, que possuem fina camada de sílica. Este inseticida, considerado natural, controla as pragas que entram em contato com o pó.

O produto causa a redução de 60%, ou mais, do teor corpóreo de água dos insetos. Com isso, os insetos morrem. O tratamento deve ser misturado aos grãos de milho após a secagem.

Remoção física
A remoção física de pragas pode ser realizada logo após a colheita, por meio de um sistema de peneiras. A secagem de grãos associada à mesa de gravidade também pode ajudar a remover a maioria dos insetos presentes nos grãos antes de serem depositados na unidade armazenadora.

Métodos químicos de controle de pragas de armazenamento

Os métodos químicos de controle de pragas de grãos armazenados envolvem o uso inteligente de inseticidas de acordo com as condições da unidade armazenadora, e do monitoramento de insetos.

Os principais métodos químicos são o tratamento preventivo de grãos, e o tratamento curativo de grãos. Veja detalhes das duas práticas:

Tratamento preventivo de grãos
O tratamento preventivo é fundamental para grãos que serão armazenados por períodos maiores que 60 ou 90 dias. Esta prática deve ser realizada por meio da aplicação de inseticidas sobre os grãos, ainda na correia transportadora. Isso pode ser feito antes dos grãos serem depositados na unidade armazenadora, ou no momento do ensaque dos grãos.

É importante evitar realizar o tratamento em grãos que acabaram de sair da secagem, e utilizar equipamentos de pulverização adequados para armazéns.

O objetivo desta operação é proteger os grãos do ataque de pragas que podem encontrar abrigo e alimento na massa de grãos.

Tratamento curativo de grãos
O tratamento curativo de grãos também é conhecido como expurgo. Trata-se de uma operação que controla as pragas da unidade armazenadora a partir da fumigação de gás. Esta prática deve ser realizada sempre que forem identificadas pragas nos sacos de sementes, armazéns ou silos.

Para obter resultados com esta operação, a distribuição do gás deve ser uniforme, com o objetivo de atingir toda a massa de grãos. Além disso, é importante vedar as entradas e saídas de ar do local para concentrar o gás em quantidade considerada letal para as pragas. A vedação deve ser realizada com materiais apropriados, como a lona de expurgo, com no mínimo 150 micras de espessura.

Para saber ainda mais sobre cuidados no armazenamento de grãos, assista ao Impulso Negócios EP. 43: