Cigarrinha do milho: como evitar o enfezamento do milharal
Pequena em tamanho, mas grande em impacto, a cigarrinha do milho impõe desafios consideráveis aos agricultores, influenciando diretamente a produtividade das suas lavouras. Conhecendo as estratégias efetivas de manejo e controle, é possível minimizar as perdas e proteger o rendimento das colheitas, garantindo assim a sustentabilidade da produção.Se você perguntar a um agricultor o que é a cigarrinha-do-milho, a resposta costuma ser curta e certeira: “terrível!”. Isso já indica o tamanho do risco que a praga representa.
Além de causar grandes danos, a cigarrinha-do-milho se espalha rapidamente. Por isso, nos últimos tempos, ela deixou de ser problema restrito a áreas de produção de sementes e hoje está presente em praticamente todas as regiões do Brasil.
Diante desse cenário, é fundamental que o produtor saiba identificar a praga e adotar manejo integrado, incluindo monitoramento e, quando indicado, o uso criterioso de inseticida para cigarrinha-do-milho, preservando a cultura do milho.
Neste artigo, você verá os pontos que fazem diferença para se antecipar ao problema e proteger a produtividade do seu milharal.
O que é a cigarrinha do milho?
A cigarrinha do milho (nome científico Dalbulus maidis (DeLong and Wolcott), é um inseto considerado é uma das principais pragas da cultura do milho. De coloração palha, com manchas escuras na cabeça e no abdômen, o adulto mede aproximadamente de 3,7 a 4,5 mm de comprimento.
Vale lembrar que essa espécie, quando bem adaptada ao clima tropical, possui ciclo de vida em torno de 45 dias. Nesse período, uma fêmea pode depositar até 611 ovos. Como o ciclo de vida do milho dura, em média, 180 dias, a mesma lavoura pode ser atacada por várias gerações ao longo da safra.
Além disso, em função de seu tamanho e aparência, a praga pode ser confundida com a mosca-branca. No entanto, a cigarrinha-do-milho tem como hospedeiro preferencial o milho, enquanto a mosca-branca é mais comum em lavouras de soja.
5 sinais de infestação de cigarrinha do milho nas plantas
Dica inicial: associe monitoramento frequente a boas práticas de manejo integrado e, quando indicado, use de forma cuidadosa um inseticida para cigarrinha-do-milho.
1. Amarelecimento das folhas
O amarelecimento, especialmente entre as veias, é um sinal de alerta. Esse sintoma, chamado clorose, ocorre quando o inseto suga seiva e nutrientes essenciais, reduzindo a capacidade de fotossíntese.
2. Insetos visíveis na planta
A presença de pequenos insetos amarelo-esverdeados, ninfas ou adultos, indica infestação. Eles costumam se abrigar na face inferior das folhas — faça inspeções cuidadosas.
3. Padrão de bandeamento nas folhas
Faixas alternadas de verde e amarelo (bandeamento) são características do ataque. O sintoma revela bloqueio no fluxo de nutrientes e comprometimento da saúde da planta.
4. Plantas que não crescem direito
O crescimento atrofiado do milharal, com plantas com menor altura, folhas reduzidas, podem ser um sinal dos danos causados pela praga, afetando diretamente a produtividade do milharal.
5. Pontas das folhas secando
O secamento das pontas das folhas, após o amarelecimento e bandeamento, é um sinal crítico de que a planta está lutando para sobreviver. A intervenção rápida é vital para preservar a colheita.
Veja também: Como manejar daninhas no milho na pós-colheita?
Quais são as doenças transmitidas pela cigarrinha-do-milho?
Enfezamento pálido
Provocado por um fitoplasma, compromete a circulação de seiva, reduz o vigor e atrasa o desenvolvimento das plantas, resultando em quedas de produtividade.
Enfezamento vermelho
Causado por outro fitoplasma, altera a estrutura interna da planta, provoca deformações e reduz o número e o peso dos grãos.
Espiroplasmose do milho
Desencadeada por Spiroplasma kunkelii, afeta severamente o crescimento e não tem cura, o que reforça a necessidade de prevenção e controle rigoroso.
Técnicas para detectar a presença de cigarrinhas-do-milho
Monitoramento regular das plantas
A vigilância constante é fundamental. Realize inspeções periódicas nas lavouras — sobretudo nos períodos mais quentes do ano, quando a cigarrinha-do-milho está mais ativa — observando a face inferior das folhas e bordas de talhão.
Armadilhas adesivas
O uso de armadilhas adesivas amarelas ajuda a capturar adultos de cigarrinhas-do-milho de forma eficiente. Posicionadas no dossel das plantas, permitem estimar a densidade populacional e orientar a tomada de decisão sobre intervenções de manejo.
Uso de redes de varredura
A rede de varredura, técnica padrão em entomologia agrícola, captura os insetos ao passar uma rede de malha fina sobre a cultura. O método possibilita quantificar a praga.
3 estratégias de prevenção da cigarrinha do milho
1. Boas práticas agrícolas
Implementar boas práticas agrícolas é crucial para criar um ambiente desfavorável à praga. Mantenha a área limpa, eliminando restos culturais e milho tiguera/voluntário, e faça o controle de ervas daninhas nas entrelinhas e bordaduras para reduzir abrigo e alimento das cigarrinhas-do-milho.
2. Plantas resistentes
O uso de variedades geneticamente resistentes às doenças transmitidas pode transformar o combate. Desenvolvidas para resistir tanto às cigarrinhas-do-milho quanto aos patógenos que elas transmitem, essas plantas reduzem a necessidade de tratamentos químicos e aumentam a sustentabilidade da produção.
3. Rotação de culturas
A rotação de culturas é uma estratégia eficaz de quebra de ciclo. Alternar o milho com culturas não hospedeiras desse inseto, como soja, feijão e trigo, interrompe o seu ciclo de vida, ajudando a reduzir a população. Essa prática, além de auxiliar no manejo da cigarrinha-do-milho, contribui para a saúde do solo e diminui problemas com outras pragas e doenças.
Perdas causadas pela cigarrinha-do-milho
Produtividade
A praga pode reduzir significativamente o número de grãos por espiga, impactando diretamente a quantidade total colhida por área cultivada.
Qualidade do grão
As infestações comprometem não apenas a quantidade, mas também a qualidade dos grãos, tornando-os menos atrativos ao mercado e, por vezes, inadequados para processamento.
Custos de produção
O controle exige gastos extras com inseticidas e outras práticas de manejo, elevando os custos de produção e demandando mais recursos e tempo dos produtores.
Lucros
Entre a queda de produtividade e o aumento dos custos, a margem de lucro pode ser seriamente afetada, comprometendo a viabilidade econômica da lavoura.
Métodos de controle
Controle biológico
O uso de inimigos naturais — como vespas parasitóides que atacam ovos, ninfas e adultos — é uma estratégia ecologicamente adequada para reduzir a população de cigarrinhas-do-milho sem desequilibrar o sistema.
Controle químico
Aplicar um inseticida para cigarrinha-do-milho adequadamente é essencial. Siga sempre as orientações dos especialistas para evitar doses excessivas e diminuir o risco de resistência.
Manejo integrado
A combinação de práticas agronômicas (rotação de culturas, eliminação de milho tiguera), controle biológico e intervenções químicas oferece uma abordagem holística, elevando a eficiência do controle e preservando a saúde do ecossistema.
Monitoramento regular
A manutenção de uma rotina constante de vigilância nas plantações (folhas, bordaduras e períodos mais quentes), permite identificar precocemente a infestação e direcionar ações rápidas e específicas, reduzindo perdas e o uso desnecessário de “veneno para cigarrinha-do-milho”.
Manejo e controle da cigarrinha-do-milho: por onde começar?
Para evitar o aparecimento da praga — ou reduzir seus danos — é importante adotar técnicas adequadas de manejo e controle.
Siga as orientações abaixo e consulte também o Guia da Embrapa, que reúne informações relevantes para lidar com o problema da cigarrinha-do-milho.
Fuja do milho tiguera
Segundo o especialista Paulo Garollo, os cuidados começam antes mesmo do plantio.
Primeiro, elimine o milho tiguera (voluntário), que é a variedade mais resistente do grão, e uma das principais fontes de alimento e abrigo da cigarrinha-do-milho.
Invista em produtos químicos adequados
O controle químico é mais eficiente nas fases iniciais de desenvolvimento da cultura. Dê preferência ao uso de sementes de milho tratadas no plantio, o que reduz a disseminação da cigarrinha-do-milho nos primeiros estágios de vida da planta.
Dessa forma, fica mais fácil evitar a ocorrência de explosões populacionais dos insetos em estágios de desenvolvimento mais avançados da planta.
Mas é importante lembrar de utilizar apenas produtos confiáveis para tratar as sementes, que possuam eficácia comprovada e registro no Ministério da Agricultura.
Saiba como identificar a presença da cigarrinha-do-milho
Mesmo com tratamento de sementes, monitore a lavoura para identificar a cigarrinha-do-milho e realizar o manejo dentro do possível.
Observe as características do inseto e redobre a atenção no período crítico do milho, do V1 ao V8, quando a cultura está mais suscetível aos danos e à infecção e danos causados pela cigarrinha-do-milho.
De acordo com o especialista Paulo Garollo, é nesse período de intervalo de desenvolvimento, que fica mais fácil para o inseto atuar como agente vetor de transmissão dos agentes que provocam o enfezamento.
Controle a proliferação
O controle químico não é a única forma de lidar com a cigarrinha-do-milho. Integre:
Controle biológico: uso do fungo entomopatogênico Beauveria bassiana e de inimigos naturais (parasitóides de ovos, ninfas e adultos, além de predadores);
Rotação de culturas: como a cigarrinha-do-milho ocorre no Brasil principalmente em milho, alternar com culturas não hospedeiras rompe o ciclo e reduz a população;
Práticas culturais: eliminação de milho tiguera e manejo de bordaduras.
Essa combinação fortalece o manejo integrado e reduz a dependência de “veneno para Cigarrinha-do-milho”.
Fuja das Fake News
A informação confiável é fundamental para conter a cigarrinha-do-milho. A falta de acesso a orientações corretas abre as portas para criação de teorias e especulações fantasiosas, isto é, fake news, que não vão ajudar em nada no combate contra a proliferação.
Além disso, a proteção isolada não é suficiente: se as lavouras vizinhas não adotarem medidas, sua área permanece vulnerável. Por isso, somente quando todos os produtores entendem os riscos e aplicam boas práticas de manejo, toda a região se beneficia.
Para saber mais
Acompanhe o blog do Agro Bayer. para conteúdos sobre culturas, plantio, pragas e recomendações de especialistas.
Na Agro Bayer, oferecemos suporte técnico e soluções inovadoras para proteger suas lavouras e otimizar o manejo — do monitoramento ao uso responsável de inseticida para cigarrinha-do-milho, quando indicado. Descubra como podemos ajudar a otimizar o manejo em suas plantações.